Engenharia consultiva reduz riscos em projetos da construção
Atuação desde as fases iniciais melhora previsibilidade, otimiza custos e garante conformidade técnica
Em um cenário cada vez mais orientado por eficiência, governança e segurança jurídica, a engenharia consultiva ganha protagonismo como um dos pilares na viabilização de empreendimentos. Mais do que suporte técnico, trata-se de uma atuação estratégica que conecta planejamento, execução e desempenho de longo prazo, garantindo decisões mais assertivas desde as fases iniciais e protegendo o capital investido diante das crescentes complexidades do setor.
O engenheiro civil Sady Ivo Pezi Júnior define a consultoria como o elo entre a teoria normativa e a prática do canteiro de obras — uma atuação essencial para garantir que o investimento do cliente, seja ele público ou privado, seja preservado e valorizado ao longo do tempo.
Para ele, a engenharia consultiva representa a convergência entre técnica e estratégia. “Sob a égide do Sistema CONFEA/CREA, a responsabilidade técnica (ART) é nossa base ética e legal. Mas, para o mercado de capitais, o consultor hoje é um gestor de incertezas. A engenharia consultiva é estratégica porque garante o Compliance técnico e a governança (ESG). Não olhamos apenas se a viga suporta a carga, mas se aquele método construtivo garante a liquidez do ativo e atende à NBR 15575 (Norma de Desempenho) a longo prazo”, explica.
Quando a engenharia consultiva deve entrar em um projeto?
Na avaliação de Pezi Júnior, a engenharia consultiva deve estar presente desde o primeiro momento, como um ato estruturante de governança.
“No setor público, a Lei 14.133/2021 (Art. 18) é clara: o planejamento é a fase precípua, e o Estudo Técnico Preliminar (ETP) é onde a inteligência consultiva molda a viabilidade. No setor privado, especialmente para Family Offices e Fundos de Investimento, o consultor deve atuar na Due Diligence técnica antes mesmo da aquisição do ativo”, explica o engenheiro civil.

No entanto, muitas vezes, a engenharia consultiva entra tarde nos projetos. “Ainda vivemos o ‘vício da urgência’, onde se confunde início de obra com eficiência. Ignora-se a Curva de MacLeamy: o custo de mudar um projeto no papel é ínfimo, mas na obra é exponencial. Entrar tarde significa que o consultor trabalhará para remediar erros de concepção, em vez de evitá-los”, comenta Pezi Júnior.
O custo invisível da ausência de consultoria
De acordo com o engenheiro civil, o erro capital é a negligência com o Custo Total de Propriedade (TCO). “O empreendedor foca no Capex (investimento inicial) e ignora que a falta de uma consultoria de valor comprometerá o Opex (custo de operação) por décadas. Subestimar a consultoria é descumprir as boas práticas da NBR 12721 e abrir mão da previsibilidade. Sem o consultor, o orçamento vira uma peça de ficção, e o investidor fica exposto à ‘cultura do aditivo’, que drena a rentabilidade e gera insegurança jurídica”.
A redução real de custos nasce da extinção da improvisação. “Através da Gestão de Projetos (metodologia PMP/PMBOK) e da Engenharia de Valor, otimizamos sistemas e eliminamos o desperdício de capital”, pontua Pezi Júnior.
No mercado, o engenheiro acredita que a Lei 14.133 deu um passo gigante ao permitir o julgamento por “Maior Retorno Econômico”, valorizando quem entrega eficiência, não apenas o menor preço nominal. “No setor privado e fundos imobiliários, o consultor está deixando de ser visto como ‘custo’ para se tornar o Agente Fiduciário Técnico do investidor, protegendo o capital contra pleitos (claims) infundados e atrasos crônicos”, defende.
Riscos que podem ser antecipados
A atuação da engenharia consultiva também é decisiva na proteção do fluxo de caixa, especialmente por meio da estruturação de matrizes de risco. Segundo Pezi Júnior, este profissional é responsável por antecipar:
• Riscos de Interface: Conflitos entre disciplinas que paralisam frentes de obra.
• Riscos Regulatórios: Garantia de que cada etapa cumpra rigorosamente as NBRs e exigências do CREA, evitando embargos.
• Riscos de Compliance: No setor público e privado, garantimos que o “as-built” reflita a realidade, eliminando passivos ocultos que costumam surgir após a entrega das chaves.
Fonte
Sady Ivo Pezzi é engenheiro civil e conselheiro de negócios com mais de 37 anos de experiência na interseção entre engenharia, gestão e governança. Fundador da Sady Pezzi Soluções Empresariais, lidera projetos de auditoria técnica, inspeções prediais e reestruturação de processos. Atua também como professor de pós-graduação na ESIC Business & Marketing School.
Contato
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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