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Custo torna quase inviável a construção de metrôs

Gestão, Gestão de Obras 23 de outubro de 2013

Luís Afonso dos Santos Senna, professor da UFRGS e especialista em mobilidade urbana, defende que cidades priorizem projetos de BRT e VLT

Por: Altair Santos

O professor de engenharia de produção e transportes da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) Luís Afonso dos Santos Senna, defende que as grandes cidades brasileiras pensem em soluções alternativas para o transporte público, que não seja o metrô. Segundo ele, o sistema, que é o sonho de consumo de 10 entre 10 prefeitos de capitais, tornou-se economicamente inviável de construir. Dados apresentados pelo especialista, no Congresso Brasileiro de Construção Sustentável 2013, mostram que, no Brasil, o quilômetro construído do metrô não sai por menos de R$ 100 milhões, podendo chegar a R$ 500 milhões em metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro. “O custo e a escassez de terras para desapropriar, associada às tecnologias cada vez mais sofisticadas para escavar túneis, encareceram por demais esse modelo de transporte”, alerta Santos Senna.

Luís Afonso dos Santos Senna: quilômetro construído do metrô varia de R$ 100 milhões a R$ 500 milhões

Indiretamente, a cidade de São Paulo começa a valorizar outros modais. A prefeitura espera criar 150 quilômetros de BRT (Bus Rapid Transit) até o final de 2016, ao custo de R$ 6 bilhões. Com o mesmo volume de recursos, seria possível fazer apenas 12 quilômetros de metrô na capital paulista. O governo federal também se convenceu de que deve deixar de ver o metrô como a alternativa número um para a mobilidade urbana. Desde as manifestações populares de junho de 2013, linhas de crédito incentivando a criação de BRTs e VLTs (Veículos Leves sobre Trilhos) nas principais cidades brasileiras já somam R$ 50 bilhões para projetos que prometem ser viabilizados nos próximos quatro anos.

O professor da UFRGS lembra que o metrô foi um modal importado para o Brasil, mas que hoje não é mais prioridade nem na Europa nem nos Estados Unidos. “Nos países europeus e nas cidades norte-americanas, os metrôs existentes foram consolidados no século passado. Hoje, esse sistema de transporte tornou-se muito caro até para eles”, afirma Luís Afonso dos Santos Senna, citando que o que se busca atualmente nos países desenvolvidos é o network da mobilidade urbana. “Se o metrô já está construído, perfeito. Então, que se conecte a cada estação um terminal de ônibus e uma faixa de ciclovia. Los Angeles é quem melhor faz isso. A cidade decidiu trocar o metrô pelo investimento em ônibus. Primeiro, partiu para a compra de veículos sofisticados, com ar-condicionado e som ambiente, mas esqueceu de dar mobilidade a eles. Foi aí que a prefeitura se deu conta de que era necessário menos luxo e mais praticidade. Los Angeles hoje tem corredores exclusivos próximos das estações de metrô, conectando os sistemas”, conta.

Metrô de São Paulo: novas linhas não saem por menos de R$ 500 milhões por quilômetro

Para Luís Afonso dos Santos Senna, o Brasil precisa caminhar neste sentido e ter uma política séria de transporte público e mobilidade urbana para as grandes cidades. “A estratégia nacional de desenvolvimento do país tem seus fundamentos na produção de automóveis. O Brasil precisa mudar isso, caso contrário só irá piorar o quadro atual. Para se ter uma ideia, a velocidade do fluxo de veículos hoje nas metrópoles brasileiras é semelhante ao da Inglaterra na revolução industrial. Pior: a inclusão social agravou o problema de mobilidade nos grandes centros, pois quem não tinha carro, agora tem”, alerta. Para o especialista, é hora de o Brasil pensar em políticas que subsidiem a não utilização de automóveis, que controlem a oferta de estacionamentos e que restrinjam a circulação de automóveis nos centros das metrópoles. “Não temos mais tempo para sermos amadores em termos de mobilidade“, completa.

Entrevistado
Luís Afonso dos Santos Senna, engenheiro civil, ex-secretário municipal de transporte na cidade de Porto Alegre e professor-doutor de engenharia de produção e transportes da UFRGS
Contato: lsenna@producao.ufrgs.br

Crédito foto: Divulgação/Cia. de Cimento Itambé/ Consórcio Via Quatro

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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