Em 10 anos, arquitetura sustentável dá salto de qualidade

Vânia Deeke, da UTFPR: manutenção eficiente do ambiente construído também faz parte da arquitetura sustentável

Em 10 anos, arquitetura sustentável dá salto de qualidade

Em 10 anos, arquitetura sustentável dá salto de qualidade 798 619 Cimento Itambé

No Brasil, primeira obra a seguir conceitos de “prédio verde” foi construída em 2005. De lá para cá, certificações impulsionaram esse tipo de edificação

Por: Altair Santos

A arquitetura sustentável está completando 10 anos no Brasil. A primeira construção a obter a certificação LEED no país foi a agência do banco Real – instituição financeira absorvida pelo Santander, em 2008 -, na cidade paulista de Cotia. A equipe de engenheiros e arquitetos que atuou na obra projetou o prédio com base em referências internacionais, pois não havia nenhuma publicação nacional sobre o tema. O profissional que esteve à frente do empreendimento foi o arquiteto Roberto Oranje.

Agência do banco Real, construída em 2005: a primeira a obter certificação LEED no Brasil

Agência do banco Real, construída em 2005: a primeira a obter certificação LEED no Brasil

Para se chegar ao nível exigido pela certificação LEED, que foi criada em 1998 nos Estados Unidos, a obra do prédio bancário impôs uma série de retrabalhos. Isso encareceu a construção em 30%, se comparada a um procedimento convencional da época. Porém, o grande legado foram as lições que ela deixou, e que impulsionaram a arquitetura sustentável no Brasil. Atualmente, o país conta com 115 certificações e 783 projetos requerendo registro.

Nestes dez anos, a arquitetura sustentável deu um salto de qualidade. O Brasil trabalha atualmente com todas as certificações reconhecidas internacionalmente. Entre elas, a francesa HQE – adaptada para o país como AQUA -, além de BREEAM e SKA RATING – ambas do Reino Unido -, DGNB (Alemanha), CASBEE (Japão) e LEED (Estados Unidos). Há ainda os selos nacionais: FSC, PROCEL, A3P (para o setor público) e Selo Azul da Caixa Econômica Federal. A mais recente a ser implantada no Brasil foi a alemã DGNB.

Avaliação do Ciclo de Vida

Vânia Deeke, da UTFPR: manutenção eficiente do ambiente construído também faz parte da arquitetura sustentável

Vânia Deeke, da UTFPR: manutenção eficiente do ambiente construído também faz parte da arquitetura sustentável

Para a arquiteta Vânia Deeke, professora da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), de todos os selos de arquitetura sustentável disponíveis no Brasil o mais interessante é o PROCEL Edificações, criado em 2014. “Toda a edificação sustentável pode requerer a certificação. É um selo semelhante ao que acompanha os eletrodomésticos, e é concedido a construções com eficiência energética, ou seja, que através de sua arquitetura sejam capazes de poupar energia elétrica. Pesam o uso da iluminação natural e da ventilação natural, assim como o desempenho térmico”, explica.

A palestrante, que é especialista na área de arquitetura sustentável, esteve na 2ª Feira do Construtor, que aconteceu em Curitiba-PR, de 29 a 31 de julho. Ela ressaltou que hoje as certificações estão dando uma importância maior aos procedimentos de manutenção dos prédios verdes, não se limitando apenas a avalizar projetos e processos nas fases de construção. Trata-se da chamada Avaliação do Ciclo de Vida. “Como disse Stewart Brand, edificação não é algo que se conclui. Uma edificação é algo que se inicia. Quer dizer, a partir do momento em que nasce o projeto de uma obra sustentável, ela deve se manter assim ao longo de todo o seu ciclo de vida”, ressalta.

Entrevistada
Arquiteta Vânia Deeke, professora de disciplinas voltadas para a construção sustentável em universidades como UTFPR, Positivo, Uniandrade e INBEC-UNIP, com credencial da GBC Brasil
Contato: vania.deeke@gmail.com

Créditos Fotos: Divulgação/Cia. Cimento Itambé

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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