Investimentos e gestão compartilhada impulsionam debate sobre obras industriais no Rio Grande do Sul
Encontro promovido pela CBIC, Sinduscon-RS e entidades do setor destaca reconstrução do Estado e necessidade de planejamento para ampliar a competitividade
O Rio Grande do Sul passa por um processo de reorganização de sua infraestrutura e de retomada dos investimentos, criando um ambiente favorável para novos empreendimentos industriais. Nesse cenário, a adoção de modelos de gestão compartilhada entre empresas, entidades representativas e poder público tem ganhado espaço como estratégia para ampliar a eficiência das obras, reduzir riscos e fortalecer a competitividade da construção civil.
O tema esteve entre os destaques do Encontro CBIC de Incorporadores e Construtores | Sul, realizado em Porto Alegre. O evento reuniu empresários, especialistas e lideranças para discutir perspectivas econômicas, mercado imobiliário, infraestrutura, inovação e produtividade, além das oportunidades decorrentes da reconstrução do Estado.
Para o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Eduardo Aroeira, a aproximação com os agentes locais fortalece o planejamento de investimentos e permite compreender as necessidades regionais. “O encontro cumpriu o objetivo de estar ainda mais presente na ponta, ouvindo o setor onde ele acontece. Foi uma oportunidade importante para aproximar o setor, trocar experiências e debater caminhos para o desenvolvimento da construção na Região Sul e no Brasil”, afirma.

Reconstrução amplia demanda por obras industriais
A recuperação das áreas atingidas pelos eventos climáticos e os investimentos em infraestrutura criam novas possibilidades para empreendimentos industriais no Rio Grande do Sul. Além das obras públicas, a expectativa é de crescimento da participação da iniciativa privada em projetos voltados à logística, armazenagem, parques industriais e modernização de plantas produtivas.
Segundo o presidente do Sinduscon-RS, Rafael Goellner Garcia, o Estado passou a ocupar posição estratégica nas discussões nacionais sobre desenvolvimento econômico e infraestrutura. “Outro aspecto importante foi colocar o Rio Grande do Sul no centro das discussões sobre reconstrução, investimentos e modernização da infraestrutura, temas estratégicos para ampliar a competitividade do Estado e acelerar seu desenvolvimento”, destaca.

Nesse contexto, modelos de gestão compartilhada vêm ganhando espaço em empreendimentos industriais ao integrar projetistas, construtoras, fornecedores, investidores e clientes desde as fases iniciais dos projetos. A proposta é fortalecer a coordenação das atividades, reduzir desperdícios, melhorar o controle de custos e minimizar atrasos durante a execução das obras.
Planejamento e tecnologia ganham protagonismo
O cenário econômico exige decisões cada vez mais fundamentadas em dados. Durante o encontro, especialistas destacaram que ferramentas de inteligência de mercado, digitalização de processos e inteligência artificial devem desempenhar papel cada vez mais relevante na gestão dos empreendimentos.
Garcia observa que o setor deve combinar disciplina financeira com investimento em inovação. “As empresas devem manter disciplina financeira, gestão eficiente do caixa, foco na produtividade e atenção permanente ao comportamento do mercado. Também será fundamental investir em inovação, digitalização dos processos, qualificação das equipes e utilização inteligente de tecnologias como a inteligência artificial para ganhos de eficiência operacional”, afirma. A adoção de práticas colaborativas também contribui para melhorar a previsibilidade dos projetos industriais, favorecendo decisões mais rápidas, maior integração entre os diferentes agentes da cadeia produtiva e redução de retrabalhos.
Ambiente regulatório permanece no radar
Apesar das perspectivas positivas, o setor acompanha com atenção os fatores que podem influenciar os investimentos nos próximos meses. Entre os principais desafios, estão a manutenção dos juros elevados, a implementação da reforma tributária, a disponibilidade de mão de obra qualificada e a necessidade de maior segurança jurídica. Na avaliação do presidente da CBIC, o cenário exige atenção. “O momento exige planejamento, busca por eficiência e atenção ao ambiente econômico. As empresas devem acompanhar de perto os custos, buscar ganhos de produtividade, investir em inovação e qualificação profissional. A CBIC continuará sua missão de apoiar as empresas do setor, para que possam escalar seus negócios com mais previsibilidade e segurança”, ressalta.
Cooperação impulsiona novos investimentos

Para as entidades do setor, a combinação entre reconstrução, expansão industrial e modernização da infraestrutura cria um cenário favorável para os próximos anos. A expectativa é que a atuação conjunta entre empresas, entidades representativas e poder público fortaleça o ambiente de negócios, amplie a competitividade e estimule novos investimentos em toda a cadeia da construção.
Na avaliação de Garcia, o Rio Grande do Sul reúne condições para transformar o atual momento em uma agenda permanente de desenvolvimento. “No caso do Rio Grande do Sul, a principal oportunidade está no enorme potencial de investimentos em habitação, reconstrução, infraestrutura, expansão industrial e desenvolvimento urbano“, enumera.
Já Eduardo Aroeira destaca que a construção continua desempenhando papel central no desenvolvimento do país. “A indústria da construção é estratégica para o Brasil, responsável por cerca da metade de todo o investimento realizado no país e geradora intensiva de empregos formais. Há um caminho promissor de expansão e fortalecimento do nosso setor em todos os seus segmentos de atuação”, conclui.
Entrevistados
Eduardo Aroeira é Engenheiro Civil, graduado pela Universidade de Brasília (UnB), é sócio-diretor da Apex Engenharia e tem trajetória consolidada no associativismo empresarial. Já presidiu a Ademi-DF, foi vice-presidente da Comissão da Indústria Imobiliária do Sinduscon-DF, vice-presidente financeiro da CBIC e presidente do Seconci-DF. Atualmente, é presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
Rafael Goellner Garcia é presidente do Sinduscon-RS para a Gestão 2026-2028 e sócio-diretor da GC Engenharia. Também integra a diretoria do Sistema Fiergs e da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), onde atua no fortalecimento das pautas estratégicas do setor da construção.
Contato
imprensa@cbic.org.br (Assessoria de Imprensa)
comunicacao@sinduscon-rs.com.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável
Ana Carvalho
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