Prática para “Pavimento urbano de concreto permeável moldado in loco” será lançada

Documento do IBRACON trará informações sobre dosagem, projeto hidráulico, estrutural e mais

Documento técnico poderá auxiliar engenheiros projetistas, arquitetos e urbanistas no desenvolvimento de projetos sustentáveis com a utilização de pavimentos de concreto permeáveis. Crédito: Cortesia LMP-EPUSP

O Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON) irá lançar a Prática Recomendada “Pavimento urbano de concreto permeável moldado in loco: prática recomendada para dosagem, projeto hidráulico, estrutural, execução e manutenção”. O projeto foi realizado pelo Comitê Técnico IBRACON CT 306 – Pavimentos de Concreto, com coordenação da engenheira Andréia Posser Cargnin. Segundo Andréia, este documento deve ser lançado dentro de um mês e será comercializado pelo IBRACON. 

“Dentro do Comitê, passamos por toda uma estruturação e convidamos membros da indústria, tecnologistas de concreto e projetistas para que participassem do comitê e que pudéssemos unificar o ambiente de pesquisa, a indústria e o ambiente de projeto e de construção na cadeia construtiva do concreto. Nossa primeira missão foi trabalhar em cima dessa prática recomendada para Pavimento Urbano de Concreto moldado in loco, que é recomendada para dosagem, projeto hidráulico e estrutural, execução e manutenção de pavimentos de concreto permeável para pavimento urbano”, conta Andréia. 

Para ela, pensando em mercado, a grande dificuldade quando se tem uma tecnologia nova é a questão da normalização para as Prefeituras poderem estabelecer a composição de custos para precificação do material. “Essa Prática Recomendada é um passo inicial – não é uma norma. Ela oferece recomendações de projeto e é um primeiro passo para caminharmos para uma normalização do pavimento de concreto permeável moldado in loco. A partir disso, as prefeituras poderão ter um material na sua especificação e ter toda a composição de custos para poder atender o mercado. Nós percebemos que há interesse pelo uso do material em espaços públicos, como praças. Trata-se de um material atrativo, especialmente para áreas de baixo volume de tráfego – há uma certa limitação para vias de tráfego pesado. Acho que a grande contribuição desta prática recomendada é dar um primeiro passo para ter uma normalização deste pavimento de concreto permeável moldado in loco. Hoje existe uma norma, a NBR 16416, mas ela foi desenvolvida pensando em pavimentos para blocos de concreto permeáveis e infiltração pelas juntas”, comenta Andréia.

Uso do Pavimento Urbano de Concreto moldado in loco 

No Brasil, a maior parte dos pavimentos urbanos de concreto são moldados in loco, segundo Andreia. “Neste processo construtivo, o caminhão betoneira vai chegar com o concreto e vai depositá-lo. O acabamento será todo feito no local da obra”, explica a coordenadora do Comitê Técnico IBRACON CT 306 – Pavimentos de Concreto. 

Crédito: Cortesia LMP-EPUSP

No entanto, nos Estados Unidos, ela já é utilizada desde a década de 1970. “Aqui no Brasil, os primeiros estudos foram feitos pela Poli, da Universidade de São Paulo, entre 2010 e 2013. Rapidamente, vários grupos de pesquisa do Brasil – de universidades federais, estaduais e particulares de diferentes regiões – começaram a estudar muito o material. Então tem muita bibliografia de dissertação de mestrado e tese de doutorado, além de proposições de metodologias de dosagem. Esse é um ponto que a gente ainda não tem um método universal. Num primeiro momento, quando nos reunimos no Comitê Técnico 306, víamos que havia muita pesquisa. Identificamos que nosso trabalho seria juntar boa parte do que foi produzido nesse ambiente acadêmico e trazer para uma linguagem que atenda o mercado, engenheiros e projetistas, para que a tecnologia possa começar a ser mais utilizada. No Brasil, tem muito uso do pavimento urbano de concreto permeável moldado in loco – mas é algo mais recente, cerca de 10 a 15 anos. Mas no exterior já é utilizada há mais de 50 anos. Os Estados Unidos, por exemplo, têm políticas públicas muito bem estabelecidas para o emprego e para recomendação do uso de pavimentos de concreto permeáveis – tanto órgãos rodoviários americanos, como a agência de proteção ambiental tem parâmetros muito bem estabelecidos sobre situações em que a tecnologia pode ser empregada”, afirma Andréia.

O que abrange a Prática Recomendada?

De acordo com o Ibracon, a Prática Recomendada “Pavimento Urbano de Concreto Permeável Moldado in Loco”, fornecerá informações e orientações técnicas sobre terminologia, aplicações, materiais, requisitos, procedimentos de dosagem, dimensionamento hidráulico, diretrizes de projeto estrutural, construtivas e de inspeção, além de aspectos de manutenção deste tipo de pavimento

“Tal documento técnico poderá auxiliar engenheiros projetistas, arquitetos e urbanistas no desenvolvimento de projetos sustentáveis que contemplem a utilização de pavimentos de concreto permeáveis, bem como estimular o desenvolvimento de políticas públicas para aplicação da tecnologia”, explica o IBRACON.

Os tópicos e informações presentes no documento são:

Crédito: Cortesia LMP-EPUSP
  • Breve histórico a respeito do emprego da tecnologia e as possibilidades de aplicação;
  • Notações, termos e definições relevantes para o entendimento dos procedimentos de cálculo;
  • Materiais passíveis de emprego para a produção do concreto permeável;
  • Requisitos de desempenho para agregados, limites granulométricos sugeridos e um levantamento bibliográfico com as principais conclusões de estudos desenvolvidos com emprego de agregados reciclados;
  • Requisitos em relação aos ligantes hidráulicos, aditivos que podem ser utilizados, fibras sintéticas e adições minerais (como sílica ativa, pozolana, nanossílica);
  • Métodos de dosagem desenvolvidos em pesquisas acadêmicas que podem ser utilizados como um norte para proporcionar a mistura de concreto permeável;
  • As principais características mecânicas e hidráulicas relacionadas ao concreto permeável, bem como os procedimentos de ensaios recomendados para sua determinação;
  • Questões de durabilidade do concreto permeável;
  • Comentários e considerações relevantes para a análise estrutural e dimensionamento adequados de pavimentos de concreto permeáveis empregados em vias de tráfego leve (calçadas de pedestres, ciclovias, áreas de estacionamentos);
  • Discussões a respeito do dimensionamento hidráulico da estrutura, fornecendo elementos para a estimativa da espessura necessária à camada de base de modo que a estrutura possa armazenar um volume de água suficiente para o atendimento dos critérios desejados;
  • Preparação de subleitos, bases granulares (ensaios recomendados para seleção de materiais, espalhamento e nivelamento), mantas de geotêxtil e polietileno de alta densidade (em quais situações utilizar), preparo e mistura do concreto permeável, execução de sistemas com e sem caixa coletora;
  • Execução do revestimento em concreto permeável;
  • Discussão inicial sobre a colmatação dos concretos permeáveis e bases granulares, suas causas e consequências;
  • Informações sobre condicionantes decisórios que balizam as atividades de manutenção ou a decisão pelo emprego ou não da solução em concreto permeável;
  • Aspectos relacionados à gestão de pavimentos permeáveis por meio de avaliação periódica e objetiva, requisitos sobre a periodicidade de avaliação e quais técnicas de manutenção de rotina, preventiva e corretiva podem ser empregadas.

Entrevistada

Andréia Posser Cargnin é engenheira civil pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Mestre em Engenharia de Transportes pela Escola Politécnica da USP- EPUSP. Atualmente, é coordenadora do Comitê Técnico IBRACON CT 306 – Pavimentos de Concreto.

Contato: Andreiacargnin@usp.br 

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé. 



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