Edifício é “reciclado” na Austrália para evitar demolição

Solução manteve mais de 65% da estrutura e 95% do núcleo original, resultando em economia de carbono

Os módulos em balanço na fachada, que envolvem as cinco seções da torre, reduzem a entrada de luz solar direta.
Crédito: 3XN

Considerado o prédio mais alto de Sydney, na Austrália, o AMP Centre há algum tempo vinha mostrando sinais de envelhecimento. Construído na década de 1970, sua estrutura foi ficando ultrapassada e os proprietários da torre desejavam substituí-la por algo maior, melhor e mais eficiente em termos energéticos.

No entanto, a demolição de arranha-céus acarreta custos ambientais significativos, desde resíduos de construção até a emissão de CO2 por máquinas pesadas. Em 2014, a empresa de investimentos australiana AMP Capital lançou uma competição arquitetônica com uma proposta inédita: construir um novo arranha-céu sem demolir o antigo. O escritório de arquitetura dinamarquês 3XN foi o vencedor e o projeto foi concluído em 2022. O edifício também ganhou um novo nome: Quay Quarter Tower (QQT).

De acordo com o escritório, o QQT mantém mais de 65% da estrutura original (vigas, colunas e lajes) e 95% do núcleo original, resultando em uma economia de carbono de 12.000 toneladas. Além disso, ao fazer a “reciclagem” no lugar da demolição, economizou-se quase um ano no cronograma de construção.

“Reciclar a maior parte da estrutura de um prédio existente expressa uma visão inovadora para construções sustentáveis em áreas urbanas densas. Ainda, serve como exemplo para desenvolvedores e construtores de cidades ao redor do mundo,” destacou Fred Holt, um dos sócios do 3XN.

Para não projetar sombra no parque ao lado, prédio foi feito em formato “retorcido”.
Crédito: 3XN

O projeto inovador fez com que o escritório de arquitetura ganhasse o 10º Prêmio Internacional de Arranha-Céus

Novo projeto

Após remover partes do antigo prédio que não puderam ser preservadas, os trabalhadores da construção ergueram uma nova estrutura ao lado. Uma fachada de vidro contemporânea envolveu as duas estruturas para criar um único arranha-céu. Os módulos em balanço na fachada, que envolvem as cinco seções da torre, reduzem a entrada de luz solar direta na Quay Quarter Tower em até 30%. Isso eliminou a necessidade de persianas internas, garantindo vistas incomparáveis do porto. Inclusive, este é um ponto de destaque do projeto. Segundo Kim Herforth Nielsen, arquiteto e cofundador da 3XN, em um prédio tradicional, quando você vai de um andar a outro, é preciso pegar um elevador, cujas portas geralmente se abrem de frente para uma parede. Aqui, os elevadores dão direto para uma vista. 

Por ser um edifício comercial, a Quay Quarter Tower privilegiou a integração de ambientes, visando a interação entre as pessoas. “Ao invés de só pegar o elevador, elas podem subir e descer alguns andares de escada, por meio dos andares integrados bem como dos átrios abertos, que permitem visualizar o andar debaixo. Esta é uma ótima forma para uma empresa estimular o espírito de equipe”, afirma Nielsen.

Novo design dobrou o espaço disponível no prédio e a capacidade de acomodação.
Crédito: 3XN

O projeto priorizou a integração do edifício com o ambiente externo. “Não queríamos projetar uma sombra enorme em um parque localizado ao lado, como acontecia com o prédio antigo. Por isso, o prédio tem um formato ‘retorcido’, isto é, ele não é linear. Ao olhá-lo por um ângulo, ele parece muito largo, por outro, pode parecer mais estreito”, explica Nielsen.

O novo design dobrou o espaço disponível no prédio e, consequentemente, a capacidade de acomodação, de 4.500 para 9.000 pessoas. Também houve a adição de novos andares e a expansão dos pisos existentes acrescentaram 45.000 metros quadrados de espaço útil, possibilitando um uso muito mais eficiente do terreno nessa localização proeminente.

Fontes
Fred Holt é arquiteto e sócio do escritório de arquitetura 3XN.
Kim Herforth Nielsen é arquiteto e cofundador do 3XN.

Contato
kaa@3xn.dk 

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP



Massa Cinzenta

Cooperação na forma de informação. Toda semana conteúdos novos para você ficar por dentro do mundo da construção civil.

Veja todos os Conteúdos

Cimento Certo

Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.
Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.

Cimento Portland pozolânico resistente a sulfatos – CP IV-32 RS

Baixo calor de hidratação, bastante utilizado com agregados reativos e tem ótima resistência a meios agressivos.

Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-32

Com diversas possibilidades de aplicações, o Cimento Portland composto com fíler é um dos mais utilizados no Brasil.

Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-40

Desempenho superior em diversas aplicações, com adição de fíler calcário. Disponível somente a granel.

Cimento Portland de alta resistência inicial – CP V-ARI

O Cimento Portland de alta resistência inicial tem alto grau de finura e menor teor de fíler em sua composição.

descubra o cimento certo

Cimento Certo

Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.
Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.

descubra o cimento certo