Formar mais engenheiros é fator-chave para o Brasil

Estudo da CNI aponta metas que o país precisa alcançar até 2022, caso queira tornar-se competitivo diante do cenário global.

Estudo da CNI aponta metas que o país precisa alcançar até 2022, caso queira tornar-se competitivo diante do cenário global

Por: Altair Santos

Em 2022, o Brasil comemora o bicentenário da independência. Mais do que um período festivo, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) entende que o ano deve servir como um marco para o país atingir macrometas. Por isso, lançou o Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022. O documento levou nove meses para ser elaborado e mapeou dados fornecidos por 520 pessoas, entre empresários, executivos, acadêmicos e presidentes de associações nacionais setoriais e federações de indústrias. Foram definidos dez fatores-chave para que a indústria nacional torne-se mais competitiva, divididos em quatro grupos: educação, ambiente de atuação da indústria, custos de produção e dos investimentos e inovação e produtividade.

Robson Braga de Andrade, presidente da CNI: mapa indica o que é preciso fazer.

Em todas as metas, as conclusões convergiram para um só ponto: a formação de engenheiros. Segundo o Global Competitiveness Report 2012-2013, numa lista de 144 países, o Brasil ocupa a posição 113 em número de engenheiros. Atualmente, de cada 10 mil habitantes, apenas dois são graduados em engenharia no país. Na Coreia do Sul e na Finlândia, que ocupam o topo das estatísticas, há 16,4 por 10 mil. Para reverter esse quadro, o Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022 propõe que a nota média dos brasileiros no PISA – programa internacional que avalia o desempenho dos estudantes de 67 países – alcance 435 pontos em 2015 e chegue a 480 pontos em 2021. O ideal, segundo o economista e assessor da presidência do BNDES, Jorge Arbache, é ter a Coreia do Sul como exemplo. “Eles investiram pesado em ciência, tecnologia e inovação e hoje são referência mundial”, destacou.

Para superar o gargalo na formação de engenheiros, o país precisaria pelo menos duplicar a taxa de dois profissionais por 10 mil habitantes até 2022. Segundo o relatório da CNI, a solução está em qualificar o ensino de matemática nas primeiras fases da educação, para evitar também e evasão no ensino médio e, consequentemente, de novos graduandos dos cursos de engenharia. Hoje, 51% dos jovens brasileiros entre 15 e 19 anos cursam o ensino médio. A proposta do mapa é aumentar para 80% até 2017 e 95% em 2025. Com isso, o estudo estima que o volume de engenheiros graduados, do total de formandos todos os anos, salte dos atuais 7,3% para 10% em 2017 e 15% em 2022.

Investimento em P&D

Diante dos levantamentos, o relatório da CNI conclui: “Considerando o estoque de cientistas e engenheiros e o valor do investimento em P&D (pesquisa e desenvolvimento) países como Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul se mostram mais bem preparados para enfrentar a competição na sociedade do conhecimento. No Brasil, a adequação do sistema educacional para uma qualificação voltada para a ciência e para o trabalho e a ampliação dos investimentos em P&D são fatores determinantes. O momento é oportuno para que o Brasil alcance mais rapidamente os países desenvolvidos, cujas economias crescem pouco e onde há restrições econômicas que limitam a capacidade de apoiar a inovação”.

Segundo o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, o Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022 indica os caminhos para o Brasil aproveitar as oportunidades e vencer os obstáculos que vão surgir na próxima década. “Estamos reiterando o papel da indústria no processo de desenvolvimento do país. A indústria pode ser maior e melhor. O segundo significado é a crença em uma visão de longo prazo. Estamos formulando uma estratégia sobre o que queremos ser e o que precisamos fazer”, disse. Para desenhar o mapa, o setor industrial considerou as mudanças existentes no país e no mundo nas décadas recentes, como os desafios que a inovação e a difusão de novas tecnologias trazem para o setor produtivo, o fortalecimento do mercado interno brasileiro e o crescimento dos países emergentes.

Confira a íntegra do Mapa Estratégico da Indústria 2013-2022

Entrevistado
Confederação Nacional das Indústrias (via assessoria de imprensa)
Contato: imprensa@cni.org.br
Créditos foto: Wilson Dias/ABr

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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