Ferrovia pode ser alternativa ao Canal do Panamá

Atualmente, a Fiol tem apenas 30% de seu projeto executado. Objetivo é fazê-la ligar o Atlântico ao Pacífico, no Peru.

Ferrovia pode ser alternativa ao Canal do Panamá

Ferrovia pode ser alternativa ao Canal do Panamá 1024 683 Cimento Itambé

A China Railway Group Limited planeja liderar consórcio para a conclusão da Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), investindo R$ 12 bi

Atualmente, a Fiol tem apenas 30% de seu projeto executado. Objetivo é fazê-la ligar o Atlântico ao Pacífico, no Peru.

Atualmente, a Fiol tem apenas 30% de seu projeto executado. Objetivo é fazê-la ligar o Atlântico ao Pacífico, no Peru.

A Fiol (Ferrovia de Integração Oeste-Leste), cujas obras começaram em 2011, encontra-se atualmente com menos de 30% do projeto executado. Sob a responsabilidade da VALEC Engenharia, Construções e Ferrovias S.A – empresa de economia mista vinculada ao ministério dos Transportes -, a ferrovia se transformou recentemente em uma das obras de infraestrutura do Brasil que mais desperta interesse dos chineses. A China Railway Group Limited estuda liderar um consórcio para finalizar a linha férrea, por ver nela uma alternativa ao Canal do Panamá para escoar suas importações da América Latina.

No plano chinês, a carga embarcaria no porto de Ilhéus, na Bahia, e seria desembarcada na costa peruana, no oceano Pacífico. Antes, passaria por Campinorte-GO, Lucas do Rio Verde-MT e Porto Velho-RO, cruzando o país de leste a oeste. O traçado percorreria 1.500 quilômetros em território nacional e utilizaria um trecho já construído da Norte-Sul. As primeiras negociações aconteceram quando o presidente Michel Temer visitou a China, entre agosto e setembro de 2017. A Fiol seria concedida em regime de concessão e construída 100% com recursos chineses. O valor estimado da obra é de 12 bilhões de reais.

Para o governo chinês, investir na ferrovia traria economia ao país no longo prazo, já que atualmente o maior volume das importações do Brasil para a China precisa ser escoado pelo porto de Santos-SP ou pelo terminal de Itaqui, no Maranhão. Além do custo com o transporte rodoviário, os chineses reclamam das taxas cobradas no Canal do Panamá, considerada exorbitante por eles. A principal ligação entre Atlântico e Pacífico, apesar de estar no Panamá, é controlada pelos norte-americanos, que costumam dificultar a travessia das embarcações que vão para a China.

Primeiro passo

No dia 12 de dezembro de 2017, uma carta de intenções foi assinada em Pequim entre a China Railway Group Limited e o governo da Bahia, que tinha coparticipação na construção da Fiol. No documento, o poder público baiano abre mão de sua cota no empreendimento a favor da empresa chinesa. O ato sacramentou o primeiro passo para viabilizar a construção da ferrovia. As próximas negociações se darão com o governo federal e os governos dos estados por onde o traçado vai passar. Vencida a burocracia dentro do Brasil, a China terá maiores facilidades para construir o trecho que cruzará o Peru, já que o país vizinho tem leis mais flexíveis para investimentos estrangeiros.

A Fiol começou a ser construída em 2011. A ferrovia era uma das obras estratégicas do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), mas os trilhos não chegaram sequer a ultrapassar o território da Bahia. O projeto original ligaria o porto de Ilhéus a Figueirópolis, no Tocantins, em uma extensão de 1.526 quilômetros. Atualmente, o canteiro de obras da Fiol encontra-se praticamente desativado. Desde 2015, o ritmo veio desacelerando por falta de recursos. O orçamento original do projeto foi estimado em 6,4 bilhões de reais, incluindo a construção de uma usina de concreto para a produção de dormentes.

Entrevistados
– China Railway Group Limited (via departamento de comunicação)
– VALEC Engenharia, Construções e Ferrovias S.A (via assessoria de imprensa)

Contato
ascom@valec.gov.br
ir@crec.cn

Crédito Foto: Valec

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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