Economia circular ganha escala na cadeia do concreto e reposiciona práticas da construção

Reaproveitamento de resíduos, reuso de água e coprocessamento reduzem custos, impactos ambientais e ampliam a eficiência do setor

A economia circular avança como um dos principais vetores de transformação da cadeia do concreto no Brasil. Em um setor historicamente intensivo no uso de recursos naturais, as empresas têm adotado modelos produtivos baseados no reaproveitamento de materiais, no fechamento de ciclos e na redução de desperdícios, com reflexos diretos na competitividade, na gestão ambiental e na inovação industrial.

Na prática, a circularidade ao concreto abrange desde o reaproveitamento de resíduos industriais e da própria construção civil até o uso racional da água e a substituição de matérias-primas convencionais por coprodutos. Segundo a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), trata-se de uma mudança estratégica que combina ganhos ambientais e econômicos, ao mesmo tempo em que atende às crescentes exigências regulatórias e às demandas da sociedade por processos produtivos mais responsáveis.

Reuso de água e reciclagem de concreto no dia a dia das usinas

Coprocessamento se consolidou como uma das principais ferramentas de economia circular
Crédito: Divulgação

Na ponta da produção, as usinas de concreto desempenham papel relevante na consolidação desse modelo. A Concrebras, empresa do grupo Cimento Itambé, é um exemplo de como a economia circular pode ser incorporada à rotina operacional. De acordo com Polyanna Raymundo Simões Vicentin, coordenadora de Meio Ambiente e Qualidade da empresa, o reuso de água é uma das frentes mais consolidadas. “Implantamos sistemas fechados para reaproveitamento da água proveniente da operação e da lavagem de caminhões, betoneiras e equipamentos. Essa água passa por processos de decantação, clarificação e retorna ao ciclo produtivo, reduzindo de forma significativa o consumo de água potável”, afirma.

Além da água industrial, a captação de água da chuva também integra o processo. A água pluvial coletada em coberturas e áreas impermeabilizadas passa por filtragem e sedimentação antes de ser destinada a atividades operacionais, como lavagem de pátios, controle de poeira e umedecimento de agregados.

Outro eixo relevante é a reciclagem do concreto. Os resíduos gerados na operação são encaminhados para processos de reciclagem. “Essa prática reduz a demanda por recursos naturais, além de garantir a destinação ambientalmente correta”, explica Polyanna

Coprocessamento fecha o ciclo de resíduos industriais


Na indústria do cimento, o coprocessamento consolidou-se como uma das principais ferramentas de economia circular. A técnica permite a utilização de resíduos tanto como energia térmica, através da reciclagem energética, quanto como substitutos de matérias-primas no processo de produção de clínquer. Com isso, reduz-se o consumo de insumos tradicionais, valorizando e reduzindo custos de produção ao mesmo tempo em que assegura a destinação ambientalmente adequada de materiais que, em muitos casos, eram descartados de forma inadequada.

Segundo Israel Wisniewski Vaz, gerente técnico e de coprocessamento da Itambé e da Rio Bonito Soluções Ambientais, empresa da Cimento Itambé, os resultados têm sido expressivos. “Em 2025, tivemos um crescimento de 26% em relação ao ano anterior e de mais de 224% na comparação com 2021”, destaca. Em mais de três décadas de atuação na área de coprocessamento, o Grupo Itambé proporcionou a destinação ambientalmente correta de mais de 800 mil toneladas de resíduos.

Acreditação do laboratório da Rio Bonito pelo Inmetro trouxe mais agilidade e confiabilidade ao processo
Crédito: Divulgação

A diversidade de resíduos aceitos é ampla e inclui líquidos, biomassas, pneus inservíveis, lodos de estações de tratamento de efluentes e resíduos sólidos urbanos. Israel aponta que o avanço tecnológico e a acreditação do laboratório da Rio Bonito pelo Inmetro trouxeram mais agilidade e confiabilidade ao processo. “A acreditação ampliou nosso posicionamento de mercado e deu mais segurança técnica aos clientes e aos órgãos ambientais”, afirma.

Ganhos econômicos e ambientais caminham juntos


Do ponto de vista corporativo, a economia circular também se traduz em redução de custos e mitigação de riscos. Irineu Gomes de Amorim Junior, gerente corporativo de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente da Cimento Itambé, ressalta que os benefícios vão além do aspecto ambiental.

“O reuso de água reduz gastos com abastecimento, a reciclagem de concreto diminui custos com destinação de resíduos e o uso de cinzas e escórias industriais permite menor consumo de cimento”, explica. Ele acrescenta que a gestão eficiente de resíduos, aliada à logística reversa contribui para a redução de custos associados ao transporte, à disposição em aterros e à mitigação de passivos ambientais.

Na avaliação dos especialistas, a economia circular na cadeia do concreto deixa de ser apenas uma diretriz conceitual e passa a integrar a estratégia operacional das empresas. Ao conectar inovação, eficiência e responsabilidade ambiental, o setor avança para um modelo produtivo mais alinhado às exigências do futuro da construção civil.

Central dosadora de concreto da Concrebras
Crédito: Divulgação

Entrevistados

Polyanna Raymundo Simões Vicentin é graduanda em Engenharia Ambiental pela Universidade Positivo. Possui especialização em Engenharia da Qualidade 4.0, com certificação Black Belt pela UFPR, em Gestão por Processos pela PUC-PR e MBA em Administração e Qualidade pela Uninter. Atualmente, atua como coordenadora de Meio Ambiente e Qualidade na Concrebras.

Irineu Gomes de Amorim Junior é graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho pelo CEFET-PR e Mestre em Governança e Sustentabilidade pelo ISAE/FGV. Atualmente é gerente corporativo de Segurança do Trabalho e Meio Ambiente da Cia de Cimento Itambé.

Israel Wisniewski Vaz é graduado em Engenharia Química pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pós-graduado em Gestão da Produção e Recursos Humanos pela Faculdade Venda Nova do Imigrante (FAVENI), MBA em Lean Manufacturing pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Atualmente, é gerente técnico e de coprocessamento da Cimento Itambé e Rio Bonito Soluções Ambientais. 

Contato
polyanna.vicentin@cimentoitambe.com.br

irineu.amorim@cimentoitambe.com.br
israel.vaz@cimentoitambe.com.br

Jornalista responsável
Ana Carvalho
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