Construindo engenheiros

Escassez de profissionais da engenharia, combinado com o desinteresse dos jovens, leva CREA-PR e Instituto de Engenharia do Paraná - IEP a se unirem para fomentar uma nova geração de engenheiros.

Escassez de profissionais da engenharia, combinado com o desinteresse dos jovens, leva CREA-PR e Instituto de Engenharia do Paraná – IEP a se unirem para fomentar uma nova geração de engenheiros

Luiz Claudio Mehl
Luiz Claudio Mehl

A retomada do crescimento e a necessidade de novas obras de infraestrutura no país levaram a uma constatação: faltam engenheiros no Brasil. Segundo números da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), somente a Petrobras necessita de 60 mil novos profissionais até 2010. “O que se forma hoje é suficiente apenas para substituir as aposentadorias”, afirma o presidente do Capes, Jorge Almeida Guimarães.

Com a escassez de engenheiros, o governo federal tomou medidas para estimular a formação de novos profissionais. O Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) prioriza a formação tecnológica, lançando a criação de Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (Ifets) em todo o país. A meta é chegar a 2010 com 311 unidades, além de ampliar o número de vagas de 215 mil para 500 mil.

Com os Ifets, espera-se que ocorra o aumento do número de vagas em cursos técnicos de nível médio, em licenciaturas e em cursos superiores de tecnologia. Metade das vagas dos institutos será destinada ao ensino médio integrado ao profissional, o que possibilitará ao estudante se formar profissionalmente durante essa etapa de ensino.

Na educação superior serão incentivados cursos de engenharia e bacharelados tecnológicos, que contarão com 30% das vagas. Outros 20% serão destinados para licenciaturas em ciências da natureza, com objetivo de reverter o déficit de professores nas áreas de física, química, matemática e biologia.

Além das medidas governamentais, os órgãos ligados à engenharia no Brasil também decidiram estimular a formação de novos profissionais. No Paraná, o Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Crea-PR) e o Instituto de Engenharia do Paraná (IEP) passaram a ofertar um curso pré-vestibular gratuito para alunos de baixa renda de escolas públicas com o objetivo de orientar os jovens a abraçar a engenharia.

Segundo o presidente do IEP, Luiz Cláudio Mehl, o cursinho, cujas primeiras turmas começam a freqüentá-lo em fevereiro, pretende despertar não só o interesse do jovem pela engenharia, mas mostrar que há um vasto campo de trabalho para eles na área. “Trata-se de uma profissão que se destina ao desenvolvimento do país. Há tanta coisa por fazer e é isso que nós queremos que eles descubram”, afirma.

De acordo com o Capes, o Brasil forma anualmente cerca de 10 mil doutores. Desses, apenas 13% abrangem engenharia e ciências da computação. Nos países que competem com o Brasil, tais como Coréia do Sul, China e Índia, esse índice chega a 70%. No mestrado, as engenharias também respondem por somente 11,6% do total de aproximadamente 30 mil alunos que forma por ano no país. O desafio é ter uma engenharia educacional que reverta isso.

Engenharia dá base para qualquer atividade

Luiz Cláudio Mehl, presidente do Instituto de Engenharia do Paraná, traça um perfil da profissão.

Como, e por que, IEP e CREA-PR decidiram oferecer um cursinho pré-vestibular focado para estimular a formação de novos engenheiros?

Nos anos 60 e 70, nossos pais nos estimulavam a seguir medicina, porque o Brasil precisa de saúde, e engenharia, porque o Brasil precisa ser construído. Isso perdeu força. O país perdeu muito a velocidade de transformação e desestimulou a área de engenharia. Como conseqüência, começou a faltar engenheiros. Em função disto, a gente resolveu recuperar aquela motivação que existia há muitos anos e explicar para o jovem que existe um horizonte de crescimento possível através da engenharia, independentemente das circunstâncias econômicas e políticas.

Como funcionará o recrutamento de professores para esse curso?

Nós estamos fazendo uma parceria com os estudantes das universidades para que eles comecem a dar uma base especialmente nas matérias básicas de engenharia – a matemática, a física e a química. Esses voluntários serão orientados pelos seus próprios professores da universidade e assim, formaremos um banco de novos professores. Além disso, pretendemos utilizar o pessoal que já tem experiência na área, convocando os aposentados para também atuarem como voluntários.

Além das aulas normais, haverá algum tipo de orientação profissional aos jovens?

Sim, a ideia é estabelecer um contato com as indústrias. Nós vamos promover visitas técnicas para que eles percebam tudo o que acontece em toda a área da engenharia. A intenção é estabelecer parcerias com diversas indústrias ligadas à engenharia, para que ele comece a entrar em contato com o mercado. O objetivo é aproximar o mercado do seu futuro funcionário.

O senhor não acha que, além da conjuntura do país, as universidades também falharam ao não estimular os cursos de engenharia?

Nós somos da opinião de que no Brasil a área dirigente tem cometido equívocos. A questão não reside apenas na formação do profissional, mas também no fato de o mercado precisar sofrer uma evolução constante. No Brasil, experimentamos surtos de crescimentos. Daí há uma corrida para funções e este surto se interrompe. Isso prejudica o exercício profissional e é preciso que a economia funcione de uma forma equilibrada por um tempo longo, justamente para que se crie uma cultura de profissionais. A cultura que eu chamo é que o profissional absorva todo o conhecimento ao longo do tempo e não por surto de desenvolvimento ou de depressão. Esta oscilação não faz bem nem para o mercado, nem para o profissional.

Hoje não é raro ver engenheiros atuando no mercado financeiro, gestão de empresas, etc. Não houve um desvirtuamento da profissão no passado recente?

É verdade. Há casos piores, como o de profissionais da engenharia que foram vender sanduíches. É curioso porque a universidade na área de engenharia dá uma base para qualquer atividade, para qualquer função. Veja o caso dos bancos. Quase todos eles têm a presença de engenheiros ocupando funções estratégicas.

Essa crise não pode trazer um novo baque para a profissão?

Num primeiro momento existe a crise, mas foi dado um empurrão especialmente na área imobiliária. Existem metas assumidas por diversas empresas e é preciso cumprir. A gente tem de ser otimista para não cair em depressão individual e coletiva. É preciso que a gente tenha uma consciência da realidade e da capacidade de escapar deste panorama, que vai ser difícil inegavelmente, mas é possível contorná-lo. Como? Não parando, estabelecendo mais confiança na população.

Qual área da engenharia tem maior demanda e é mais rentável?

Até bem pouco tempo atrás, a área que tinha uma demanda muito grande e não tinha preparo era a ligada ao petróleo, aos subprodutos do petróleo e à produção de petróleo de uma maneira geral. Esta é uma área que exige uma especialização muito grande, a formação do profissional é demorada. O treinamento não acontece de uma forma rápida. Para ter uma idéia, em Araucária está sendo feita uma expansão da REPAR (Refinaria Presidente Getúlio Vargas), uma demanda de cinco mil engenheiros e realmente não existe profissional preparado para este tipo de atividade. É uma carência muito grande. Na área de estradas, se o governo não abandonar a intenção de investir na estrutura, inegavelmente vai ser preciso aumentar o número de engenheiros nesta área. Eu acho que aí residem os focos de maior demanda: transporte e indústria petrolífera.



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