Apagão de mão de obra compromete um trilhão de reais

Construção pesada precisaria de 300 mil operadores de equipamentos se os 7 mil projetos do Programa de Aceleração do Crescimento estivessem em andamento

Construção pesada precisaria de 300 mil operadores de equipamentos se os 7 mil projetos do Programa de Aceleração do Crescimento estivessem em andamento

Por: Altair Santos

Dados do Instituto Opus revelam que 70 mil novas máquinas devem ser compradas pelas empresas da construção pesada em 2014. Metade destes equipamentos é da chamada “linha amarela” – escavadeiras, carregadeiras, retroescavadeiras, gruas e guindastes. A outra metade de componentes é ainda mais sofisticada, formada por tuneladoras, robôs industriais e megabritadeiras. Estima-se que para operar esse maquinário que vai entrar no mercado nacional seja necessário pelo menos 300 mil especialistas. “Para se ter uma ideia, uma simples retroescavadeira precisa de uma equipe mínima de cinco pessoas: o operador, o assistente de operação, o mecânico, o lubrificador e o responsável pela logística. Significa que será necessário treiná-los”, explica Wilson de Mello Júnior, diretor do Instituto Opus.

Wilson de Mello Júnior: Brasil deveria ter 600 mil operadores de máquinas para construção pesada

Aí reside um dos grandes gargalos da construção civil brasileira – principalmente nos setores ligados a obras de infraestrutura: há pouca mão de obra qualificada. “Basta olhar a imprensa e ver o número de acidentes com máquinas pesadas que acontecem. Pelo menos a cada dois dias a gente tem um acidente envolvendo uma máquina de grande porte. Isso é um retrato da falta de qualificação adequada dos nossos profissionais”, ressalta Wilson de Mello Júnior. O levantamento do Instituto Opus enumera que o país deveria ter pelo menos 600 mil profissionais altamente qualificados para operar esse maquinário, mas esses especialistas não chegam a 10%. Faltou planejamento. A curto prazo não se consegue resolver o problema”, destaca o dirigente.

Iniciativa do Senai
Uma das análises para o pouco investimento em qualificação recai sobre a lentidão do governo em efetivamente implementar as obras de infraestrutura. Em doze anos, o governo federal anunciou mais de sete mil empreendimentos dentro do Programa de Aceleração do Crescimento. No entanto, apenas 20% destes projetos saíram do papel. “Com isso, as empresas ficaram em dúvida para implementar um programa de capacitação. Além disso, sem o apoio do governo fica difícil para a iniciativa privada assumir a responsabilidade de capacitar todo esse pessoal”, alerta o diretor do Instituto Opus. “Hoje, mesmo que o governo invista fortemente num programa de qualificação, levaria alguns anos para termos uma mão de obra capaz de suprir a demanda da indústria da construção pesada”, completa.

Por iniciativa de grandes construtoras e fornecedoras de equipamentos, há programas pontuais em alguns estados. A coordenação é do Senai (Serviço Nacional da Indústria) que adquiriu simuladores para treinar profissionais contratados para operar equipamentos nos canteiros de obras. “O simulador agiliza o treinamento e minimiza o risco de acidentes. Duas cidades estão avançadas neste programa: Curitiba-PR, com o apoio da Volvo, e Salvador-BA, com a ajuda da Odebrecht. Agora, outras unidades do Senai estão replicando esses treinamentos e conseguindo a adesão de mais empresas, principalmente as fabricantes de máquinas. Estamos conseguindo organizar uma estrutura para atender 7.740 obras projetadas e que envolvem um trilhão de reais”, finaliza Wilson De Mello Júnior.

Entrevistado
Administrador de empresas Wilson de Mello Júnior, especialista em construção pesada e diretor do Instituto Opus
Contato: meccanica@meccanica.com.br

Crédito Foto: Divulgação/Sobratema

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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