Concreto assume papel central na reconstrução do Bloco Azul da PUCPR como material de prevenção contra incêndio
GEPLAN, responsável pela gestão da obra, prevê recuperação da estrutura existente e novas soluções em concreto armado para reforçar segurança, compartimentação e resistência ao fogo

A reconstrução e reforma geral do Bloco Azul da PUCPR, em Curitiba, reúne diferentes frentes de engenharia e arquitetura em uma área de aproximadamente 15 mil m². A intervenção ocorre após o incêndio registrado em abril de 2025, que atingiu o teatro e a cobertura do edifício. Entre as soluções previstas, estão a recuperação de elementos estruturais existentes, adequações de infraestrutura, acabamentos e sistemas prediais, além da construção de novas escadas, do núcleo de elevadores e de volumes anexos destinados a estúdios.
Nesse conjunto, o concreto assume uma função que vai além da sustentação da edificação. O material também integra a estratégia de prevenção e proteção contra incêndio. Segundo o engenheiro Rodrigo Giacomazzi, gerente de Projetos e Obras na GEPLAN, empresa responsável pela gestão da obra, uma das características do projeto é a integração entre aquilo que pode ser preservado e os elementos que precisam ser construídos novamente. “A novidade estrutural da obra está na convivência entre o que se preserva e o que nasce do zero”, explica.
Diagnóstico define o que será preservado
Em uma obra pós-incêndio, a primeira etapa é compreender as condições em que a estrutura se encontra. O processo pode envolver inspeções, ensaios não destrutivos e extração de testemunhos entre outros procedimentos, para identificar eventuais alterações nas propriedades dos materiais e avaliar a capacidade residual dos elementos estruturais. A partir desse diagnóstico, são definidas as soluções de recuperação. Entre as técnicas que podem ser empregadas, conforme as características do dano e os requisitos do projeto, estão o encamisamento com concreto, o reforço com elementos metálico, uso de compósitos de fibra de carbono e protensão externa.
No Bloco Azul, a alternativa adotada foi preservar e reforçar os elementos considerados recuperáveis, enquanto as áreas que demandam novas estruturas serão reconstruídas. “Reforçar é, em regra, mais econômico que reconstruir, pois evita demolição, refazimento de fundações e alongamento de prazo, desde que o dano seja localizado e a estrutura conserve reserva de capacidade”, afirma Giacomazzi.
A decisão também considera a relação entre a extensão dos danos e o custo da intervenção. Quando a recuperação se aproxima de uma parcela elevada do valor de uma reconstrução, a construção de um novo elemento pode se tornar tecnicamente mais adequada. No Bloco Azul, o laudo pós-incêndio e a análise técnico-econômica orientaram a combinação entre recuperação, reforço e reconstrução.
Cinco escadas e núcleo de elevadores em concreto armado
Entre os novos elementos, destacam-se cinco escadas e o núcleo de dois elevadores, executados em concreto armado desde as fundações. Também serão construídas novas empenas e volumes anexos para os estúdios, com estrutura em concreto armado e laje impermeabilizada.
As fachadas terão paredes de concreto ripadas, cuja solução cumpre função estrutural, e não apenas estética. “As paredes de concreto ripadas das fachadas serão moldadas in loco e integram o projeto estrutural, não são revestimento”, destaca o engenheiro.
Outro elemento previsto é o fechamento de uma abertura existente no segundo pavimento, com aproximadamente 450 m², por meio de laje steel deck. A solução contribui para restabelecer a compartimentação horizontal do pavimento, reduzindo a possibilidade de propagação do fogo entre diferentes áreas.
Concreto contribui para a proteção contra incêndio
A utilização do concreto ganha relevância ao contribuir para a proteção passiva contra incêndios. O material é incombustível, apresenta baixa condutividade térmica e pode manter sua resistência estrutural quando submetido a altas temperaturas, desde que sejam observadas condições adequadas de projeto, incluindo o cobrimento das armaduras.

No projeto do Bloco Azul, as paredes ripadas, as empenas e o núcleo de elevadores e escadas em concreto armado ajudam a formar a compartimentação vertical e a proteger as rotas de fuga. “O concreto funciona como barreira física ao fogo, complementado pela proteção passiva nos elementos que exigem tempo de resistência específico”, explica Giacomazzi.
A estratégia não se limita ao concreto. Elementos que demandam proteção adicional recebem soluções específicas para garantir o tempo de resistência previsto em projeto. É o caso da proteção passiva aplicada aos elementos metálicos e da cobertura em madeira laminada colada, projetada para atender a um Tempo Requerido de Resistência ao Fogo (TRRF), de 90 minutos.
No conjunto da intervenção, a segurança contra incêndio é considerada desde a concepção dos elementos estruturais e da compartimentação dos ambientes. Para Giacomazzi, a combinação entre recuperação, reforço e reconstrução permite adequar a edificação às novas necessidades sem desconsiderar as características da estrutura existente. O espaço será transformado em um novo ambiente destinado à Escola de Belas Artes.
Recuperação mantém as características do edifício
A reconstrução também prevê cuidados com os materiais e elementos que permanecerão na edificação. O concreto aparente existente será recuperado e tratado, enquanto os novos elementos serão integrados visualmente ao conjunto. Tijolos das fachadas, pisos em granilite e outros elementos característicos do edifício também estão entre os componentes que serão preservados ou recuperados, conforme o projeto.
A experiência do Bloco Azul demonstra que uma reconstrução após incêndio não se resume à substituição do que foi danificado. O diagnóstico da estrutura, a definição das técnicas de recuperação e a escolha dos novos sistemas precisam considerar simultaneamente desempenho estrutural, segurança contra incêndio, funcionalidade e viabilidade da intervenção. O resultado será uma edificação que reúne estruturas preservadas, elementos reforçados e novas construções em concreto, com diferentes sistemas de proteção incorporados ao projeto.
ENTREVISTADO
Rodrigo Giacomazzi é graduado em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pós-graduado em Gestão de Projetos pelo Senai SC e especialista em Lean Construction. Sua trajetória soma passagens por projetos complexos com obras executadas no Brasil e na Alemanha, o que lhe deu uma visão internacional de gestão e execução. Atualmente é Gerente de Projetos e Obras na GEPLAN, onde lidera o planejamento e a entrega de empreendimentos, e atua como professor do módulo “Gestão de Operações e Obras” da pós-graduação em Gestão Empresarial de Negócios em Construção Civil, no IDD (Instituto Daher).
Contato
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Jornalista responsável
Ana Carvalho
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