Cimento com propriedades magnéticas amplia possibilidades de uso das superfícies na construção civil

Tecnologia ainda em fase de desenvolvimento, propõe transformar paredes em áreas funcionais para fixação de objetos com ímãs

A busca por soluções que tornem os ambientes mais versáteis tem impulsionado o desenvolvimento de novos materiais para a construção civil. Entre eles, está o cimento com propriedades magnéticas, tecnologia que propõe transformar paredes convencionais em superfícies capazes de receber objetos por meio de ímãs, reduzindo a necessidade de furos e sistemas permanentes de fixação.

Ainda em fase de estudos e validação industrial, o material foi desenvolvido pelo inventor argentino Marco Agustín Secchi, criador do sistema IronPlac. A proposta surgiu a partir de pesquisas iniciadas em 2023 e evoluiu para uma série de testes voltados à adaptação da tecnologia aos processos construtivos já utilizados pelo mercado. “Os primeiros estudos e pesquisas sobre cimento magnetizável começaram em 2023, com base em uma série de testes exploratórios em minha oficina particular em Salta, Argentina. O desenvolvimento ativo começou em 2024, com mais de 30 formulações desenvolvidas e mais de 50 testes realizados até o momento”, afirma Secchi.

Projeto está em fase de validação industrial, com expectativa de iniciar produção em larga escala no segundo semestre deste ano. Crédito: Divulgação/Acervo Pessoal

Parede passa a desempenhar novas funções

Diferentemente das tintas magnéticas disponíveis comercialmente, o cimento com propriedades magnéticas faz parte do próprio sistema construtivo. O IronPlac apresenta uma argamassa cimentícia magnetizável que é aplicada como reboco sobre superfícies existentes, como paredes de cimento, gesso e outros substratos, transformando-as em plataformas funcionais capazes de atrair ímãs sem perfuração ou instalações complexas.


O sistema também possui uma versão destinada às construções em drywall, composta por placas de gesso magnetizáveis que substituem as placas convencionais sem alterar o processo de instalação.

Na prática, a parede também se torna uma superfície dinâmica. Quadros, organizadores, utensílios, suportes e elementos decorativos podem ser reposicionados diversas vezes utilizando ímãs de neodímio, sem causar danos ao revestimento. Segundo o desenvolvedor, cada ponto de fixação suporta até dois quilos.

Diferenças em relação às tintas magnéticas

Segundo o pesquisador, embora o princípio de funcionamento seja semelhante ao das tintas magnéticas, os dois sistemas apresentam diferenças conceituais. As tintas normalmente utilizam partículas metálicas dispersas em sua composição, oferecendo capacidade limitada de atração e exigindo diversas demãos para alcançar resultados satisfatórios. No caso do IronPlac, o sistema inclui duas variantes: uma base cimentícia para construção úmida e uma placa de gesso magnetizável para sistemas de construção a seco, como estruturas metálicas. “Isso lhe confere força magnética significativamente superior, maior durabilidade estrutural e compatibilidade com os padrões da indústria da construção”, explica Secchi.

Outro diferencial proposto pelo sistema é a possibilidade de aplicação tanto em obras novas quanto em reformas, sem exigir equipamentos especiais ou alterações estruturais.

Aplicação acompanha diferentes métodos construtivos

Marco Agustín Secchi. Crédito: Divulgação/Acervo Pessoal

O cimento com propriedades magnéticas pode ser incorporado em diferentes etapas da execução da obra. Em construções convencionais, ele é aplicado como camada de revestimento antes do acabamento. Já nos sistemas industrializados, como o drywall, a proposta é utilizar placas magnetizáveis instaladas de forma semelhante às placas de gesso convencionais.

Essa flexibilidade amplia as possibilidades de uso em residências, escritórios, escolas, hospitais, ambientes corporativos, laboratórios e espaços colaborativos, onde a reorganização frequente de painéis, equipamentos ou materiais faz parte da rotina. Além da praticidade, a tecnologia pode contribuir para reduzir intervenções na parede ao longo da vida útil da edificação, diminuindo reparos decorrentes de sucessivas perfurações.

Próxima etapa é buscar escala industrial

De acordo com o inventor, o projeto encontra-se atualmente na fase de validação industrial e os ensaios de caracterização do material estão sendo conduzidos na Universidade Nacional de Salta, enquanto negociações com empresas de diferentes países buscam viabilizar sua fabricação em escala. “O projeto está atualmente na fase de validação industrial. Estamos realizando a caracterização técnica do material na Universidade Nacional de Salta e em negociações ativas com potenciais parceiros de fabricação e distribuição nos Estados Unidos, Europa e Ásia Central“, destaca Secchi.

A expectativa do desenvolvedor é iniciar a produção em larga escala no segundo semestre de 2026 por meio de um modelo de licenciamento com parceiros industriais internacionais. Embora ainda esteja em processo de consolidação comercial, o projeto representa uma iniciativa alinhada à tendência de incorporar novas funcionalidades aos materiais de construção. A tendência acompanha o crescimento de soluções que unem desempenho técnico, flexibilidade de uso e adaptação dos ambientes às necessidades dos usuários.

Entrevistado

Marco Agustín Secchi é inventor e estudante de Design Industrial em Salta, Argentina. Com formação técnica e experiência em metalurgia, ele desenvolveu o IronPlac combinando conhecimentos de química, física e engenharia de materiais por meio de estudo autodidata, em colaboração com instituições acadêmicas e parceiros industriais.

Contato

info@ironplac.com

Jornalista responsável

Ana Carvalho

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