Revisão do Plano Diretor projeta desenvolvimento urbano de Curitiba até 2050 e mobiliza setor imobiliário
Mercado acompanha de perto as diretrizes para expansão urbana e novos empreendimentos
Curitiba inicia um novo ciclo de revisão do seu Plano Diretor, instrumento que orienta o crescimento urbano, a ocupação do solo e a integração das políticas públicas. Prevista em lei a cada dez anos, a atualização busca adequar a cidade às transformações sociais, econômicas e ambientais, além de estabelecer diretrizes para o desenvolvimento até 2050.
O processo atual marca a terceira revisão estruturada do plano desde 2004 e reforça uma tradição de planejamento urbano que acompanha Curitiba desde 1966. A proposta em elaboração incorpora temas contemporâneos, como mudanças climáticas, mobilidade e articulação metropolitana, com foco em uma visão de longo prazo.
Atualização frente às mudanças urbanas
A revisão do Plano Diretor atende a uma exigência do Estatuto da Cidade e responde à necessidade de manter as políticas públicas alinhadas às dinâmicas urbanas. Segundo Thomaz Ramalho, diretor de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc), a atualização integra um ciclo contínuo de gestão da cidade. “A cidade muda, surgem novos padrões de ocupação, novas demandas por mobilidade, habitação e infraestrutura”, afirma.
Ele destaca ainda que o processo assegura a integração das políticas urbanas. “Revisar o plano é garantir que as políticas públicas continuem integradas e aderentes ao território, com base em um ciclo contínuo de planejamento, implementação e avaliação”, completa.
A presidente da ADEMI-PR, Maria Eugenia Fornea, reforça que a revisão também representa uma oportunidade de aprimoramento. “Mais do que uma exigência legal, essa revisão é uma oportunidade de atualizar as diretrizes urbanas a partir das mudanças econômicas, sociais, ambientais e territoriais que acontecem ao longo do tempo, além de avaliar a efetividade do plano vigente e corrigir eventuais distorções”, afirma.
Diretrizes impactam desenvolvimento urbano
A revisão do Plano Diretor envolve a atualização de princípios, objetivos e estratégias que orientam o crescimento da cidade. O documento não define projetos específicos, mas estabelece parâmetros para políticas públicas e para a atuação da iniciativa privada.

Crédito: Valéria Rolim/CTUR
“Isso envolve temas estruturantes como uso e ocupação do solo, mobilidade, habitação, meio ambiente, desenvolvimento econômico e social, além da organização territorial”, explica Maria Eugenia. Nesse sentido o Plano Diretor direciona as políticas públicas e a atuação do poder público e do setor privado a partir de uma visão integrada e de longo prazo.
Segundo Ramalho, a proposta tem caráter sistêmico e integra diferentes áreas do planejamento urbano. “É uma revisão sistêmica, que articula diferentes políticas no território e organiza essas agendas a partir de uma visão de longo prazo para a cidade”, afirma.
Contribuições do setor imobiliário
A ADEMI-PR participa do processo com propostas voltadas à viabilidade urbana e ao equilíbrio do mercado. Entre os pontos apresentados está a necessidade de ampliar a efetividade da habitação de interesse social. “Hoje ainda existe uma distância relevante entre o que está previsto na legislação e o que fecha conta na prática, então é fundamental ajustar parâmetros e instrumentos para que essas unidades aconteçam”, afirma Maria Eugenia.
Outro destaque é o incentivo à densificação em áreas com infraestrutura já instalada. “A cidade já tem uma base construída relevante e faz mais sentido aproveitá-la melhor, evitando expansão desordenada e melhorando a eficiência urbana”, diz.
A entidade também defende maior previsibilidade nas regras urbanísticas. “Temos trazido a necessidade de mais previsibilidade e transparência nos instrumentos urbanísticos, com regras claras e estáveis, além de mecanismos de monitoramento contínuo, com dados abertos”, afirma.
Além disso, há preocupação com o perfil das unidades habitacionais. “Observamos um crescimento muito acelerado de unidades compactas e isso precisa ser acompanhado com atenção, para evitar distorções futuras no mercado e na própria dinâmica urbana”, completa.
Participação social e etapas
O processo de revisão está estruturado em etapas ao longo de 2025 e 2026, incluindo diagnóstico, elaboração de propostas e consolidação final. As discussões envolvem audiências públicas, oficinas comunitárias e eventos técnicos. “O percurso é conduzido com ampla participação, incluindo oficinas comunitárias, audiências públicas e atividades de imersão urbana”, afirma Ramalho.
A proposta do novo Plano Diretor deve ser encaminhada à Câmara Municipal em junho de 2026, com expectativa de aprovação até o fim do ano. “Esse cronograma garante um processo que combina etapas técnicas e participação social ao longo de mais de um ano, até a consolidação final do plano”, afirma Maria Eugenia.
Com a revisão, Curitiba atualiza seu principal instrumento de planejamento urbano e estabelece diretrizes que devem orientar o crescimento da cidade nas próximas décadas, com impacto direto na organização territorial e no desenvolvimento do setor imobiliário.
Entrevistados
Thomaz Ramalho é graduado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo (USP), é mestre em Master in pianificazione nei PVS: progetto urbano pelo Istituto Universitario di Architettura di Venezia. Atuou como pesquisador no Centro de Estudos da Metrópole (FAU-USP), no Centro de Política e Economia do Setor Público da FGVSP, na FIPE (USP) e na FGV Cidades. Possui experiência profissional e acadêmica internacional, incluindo Angola, Itália, Holanda, Camboja, China, Etiópia, Quênia e Moçambique, onde atuou como funcionário das Nações Unidas (ONU-Habitat, UNOPS e UNDP), além de ter exercido consultoria privada, consultoria independente e professor universitário. Atualmente, é diretor de planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (Ippuc).
Maria Eugenia Fornea é graduada em Economia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), e em Engenharia Civil pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), é mestre em Gestão Urbana e especializações em planejamento de cidades. Com mais de 15 anos de atuação no setor imobiliário, é CEO e fundadora da incorporadora curitibana Weefor, onde lidera iniciativas voltadas à reflexão sobre arquitetura, cidade e desenvolvimento urbano. Atualmente, é presidente da ADEMI-PR da gestão 2026/2027.
Contato
thabata@versotht.com.br (Assessoria de Imprensa)
Jornalista responsável
Ana Carvalho
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