Mercado imobiliário mantém ritmo forte no primeiro trimestre e sustenta demanda mesmo com juros elevados

Levantamento nacional da CBIC aponta estabilidade nas vendas, crescimento acumulado de lançamentos e forte participação do programa Minha Casa Minha Vida

O mercado imobiliário brasileiro manteve um cenário de vendas consistentes no primeiro trimestre de 2026, apresentando demanda elevada e expansão acumulada nos lançamentos, mesmo diante de juros altos e de um ambiente econômico ainda desafiador. Os dados do primeiro trimestre, divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), indicam que o setor segue aquecido, com destaque para o desempenho do programa Minha Casa Minha Vida e para a força de mercados regionais.

O levantamento nacional da CBIC reúne informações de 221 cidades brasileiras e mostra que, entre início de janeiro e final de março deste ano, foram lançadas cerca de 97 mil unidades residenciais. O número representa queda de 4,9% em relação ao mesmo período de 2025, mas o acumulado dos últimos 12 meses atingiu 466 mil unidades, o maior volume da série histórica.

Segundo o diretor de Economia do Secovi-SP, Celso Petrucci, o desempenho do início do ano já era esperado dentro da dinâmica do setor. “O primeiro trimestre tradicionalmente registra menos lançamentos por conta das férias, do Carnaval e da concentração histórica de lançamentos no fim do ano. Mesmo assim, as vendas ficaram praticamente estáveis”, afirma.

As vendas somaram mais de 438 mil unidades no acumulado de 12 meses, também recorde da série histórica da entidade. Para Petrucci, o resultado demonstra capacidade de resistência do mercado imobiliário mesmo com a Selic em patamares elevados. “O mercado continua aderente aos lançamentos e mantém um patamar de estabilidade bastante consistente”, ressalta.

Cenário estável na região Sul

Embora a região Sul tenha apresentado estabilidade nas vendas no primeiro trimestre, Curitiba registrou desempenho acima das médias regional e nacional. A avaliação é do engenheiro e diretor Paulo Celles Imóveis, Paulo Henrique Celles. “A leitura do primeiro trimestre precisa ser feita com cuidado. O dado isolado não traduz completamente o mercado. Entre 2021 e 2025, os lançamentos cresceram 57% e as vendas 46% na região Sul. Estamos comparando 2026 com um ciclo anterior muito forte”, observa.

A expectativa do setor para o segundo semestre de 2026 é de recuperação gradual dos lançamentos e aceleração do crescimento das vendas. Crédito: Envato

Segundo ele, Curitiba vive um momento de ajuste considerado saudável. “O mercado não está desaquecido. Ele está mais seletivo, mais técnico e mais exigente,” informa. Celles destaca que a capital paranaense registrou crescimento de 26,5% nas vendas no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. O Valor Geral de Vendas (VGV) acumulado chegou a R$ 8,7 bilhões. “Curitiba chama bastante atenção positivamente. O desempenho confirma a força da capital paranaense como um dos mercados mais relevantes do país”, afirma.

Perfil do mercado do Sul reduz participação do Minha Casa Minha Vida

Os dados da CBIC mostram que o programa Minha Casa Minha Vida possui participação menor no Sul quando comparado às demais regiões do país. Enquanto no Norte o programa responde por 83% das vendas, no Sul essa fatia é de apenas 18%. Petrucci atribui esse cenário principalmente às restrições urbanísticas e ao elevado custo da terra nas capitais da região. “Tanto Paraná quanto Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm dificuldades urbanísticas para viabilizar empreendimentos do programa”, assinala.

Celles, por sua vez, acrescenta que o perfil econômico da região também contribui para explicar essa característica. “O Minha Casa Minha Vida tem um peso menor no Sul por uma razão estrutural. A renda média é mais alta e o custo do terreno, especialmente em Curitiba, torna muito difícil viabilizar produtos dentro dos tetos tradicionais do programa”, explicou. Segundo ele, o segmento com maior potencial de crescimento na região é justamente o novo perfil voltado à classe média. “O MCMV Faixa 3 e 4, com imóveis entre R$ 500 mil e R$ 600 mil e juros mais competitivos, pode ter mais aderência à realidade do Sul”, avalia.

Perspectiva positiva para o segundo semestre

A expectativa do setor é de recuperação dos lançamentos e continuidade do crescimento das vendas no segundo semestre, especialmente em mercados de médio e alto padrão. “Muitas incorporadoras foram mais cautelosas no primeiro semestre por causa da Selic elevada e do custo do crédito. Mas Curitiba tem um volume significativo de projetos aprovados que deve aparecer nos próximos meses”, afirma Celles.

Segundo ele, o mercado imobiliário costuma reagir antes mesmo da queda efetiva dos juros ao consumidor. “Quando o comprador percebe que a Selic começou a cair, a confiança melhora e a demanda reprimida começa a aparecer”.

Apesar do cenário positivo, o setor acompanha com atenção fatores como custos da construção, regulamentação da reforma tributária e possíveis impactos das discussões sobre redução da jornada de trabalho. “O momento exige menos euforia e mais técnica. O comprador existe e o desafio está no crédito, no custo de produção e na capacidade de lançar o produto certo, no lugar certo e com preço aderente ao mercado”, conclui Celles.

Fonte

Celso Petrucci é diretor de economia do SECOVI-SP

Entrevistado

Paulo Henrique Celles é graduado em Engenharia Civil pela UTFPR, pós-graduado em marketing e gestão de negócios, tem possui cursos de especialização em gestão de pessoas, marketing e business. Atualmente é diretor da Paulo Celles Imóveis.

Contato

ascom@cbic.org.br (Assessoria de Imprensa)

nina@comandocomunicacao.net (Assessoria de Imprensa)

Jornalista responsável

Ana Carvalho

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