Infraestrutura catarinense exige R$ 57 bilhões em investimentos até 2029

Segundo FIESC, aporte é necessário para acompanhar indústria, reduzir gargalos e ampliar competitividade

A Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC) avalia que o estado precisará investir R$ 57 bilhões entre 2026 e 2029 para que sua infraestrutura de transportes consiga acompanhar o ritmo de crescimento da indústria e da economia. O valor consta na Agenda Estratégica para Infraestrutura e Transporte, que mapeia gargalos históricos e aponta obras consideradas prioritárias pela entidade.

Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, a agenda funciona como um norte para o setor produtivo. “A agenda da infraestrutura é sempre um balizador para os empresários para saber aonde devemos chegar”, afirmou.

Segundo o levantamento, cerca de 75% dos recursos deverão vir da iniciativa privada, especialmente por meio de concessões, parcerias público-privadas (PPPs) e investimentos diretos em portos, rodovias e aeroportos.

Rodovias saturadas e turismo pressionando o sistema

Modal rodoviário representa 68,7% do estado e onde se encontram os maiores gargalos. Contorno Viário da Grande Florianópolis
Crédito: Arteris Litoral Sul

De acordo com o estudo, a matriz de transportes mostra que o modal rodoviário representa 68,7% do estado. “E, de fato, os gargalos maiores estão neste meio de transporte”, afirma Egídio Martorano, presidente da Câmara de Transporte e Logística da FIESC.

Seleme alertou para o colapso da malha rodoviária catarinense, especialmente no eixo entre Joinville e Florianópolis, região que concentra crescimento populacional, atividade industrial e fluxo turístico.

“Devemos ter um planejamento de Joinville até Florianópolis. Quem não mora na beira da praia e precisa sair dois metros para trás vai ter problemas. As nossas rodovias estão colapsadas. Estamos sempre fazendo uma meia-sola, e vamos ter problemas”, disse.

A preocupação se intensifica a cada chegada do verão. A expectativa é de que Santa Catarina receba cerca de 3 milhões de turistas para a temporada de 25/26, sendo que 600 mil chegarão de avião, desembarcando principalmente em Navegantes e Florianópolis e depois se deslocando entre as praias. “Imagine o verão que vamos ter”, pontuou.

Em Florianópolis, segundo Seleme, as limitações geográficas dificultam novas soluções viárias. “De um lado tem mangue e mar, do outro Mata Atlântica. Eles não estão conseguindo fazer projetos novos. Tudo o que estão fazendo é acostamento e pequenas ampliações de pista. Não tem condições.”

Para o presidente da FIESC, o problema vai além da falta de recursos: é também uma questão de visão estratégica. “Não adianta ir buscar dinheiro lá fora se não há um projeto macro para os próximos 50 ou 100 anos. Temos que pensar muito na nossa infraestrutura para o futuro.”

Ferrovias esquecidas e dependência excessiva das rodovias

Outro ponto crítico levantado por Seleme é a ausência de uma malha ferroviária eficiente no estado. Ele lembrou que regiões como Caçador, já foram estruturadas a partir do transporte ferroviário.

“A estrada de ferro não existe mais e a rodovia é a mesma. Hoje, praticamente só temos a BR-116 para sair do estado. O Brasil estava em evolução e o Sul praticamente parou. O desenvolvimento veio todo para o litoral, que tem basicamente uma rodovia de norte a sul.”

Seleme citou ainda a sobrecarga prevista para a BR-101 nos próximos anos, especialmente na região de Joinville e da BR-280, onde estão concentrados grandes complexos portuários. “Nos próximos anos, deve aumentar em mil contêineres por dia o fluxo na BR-101.”

Infraestrutura como fator decisivo para atração de investimentos

A agenda da FIESC abrange todos os modais: rodoviário, ferroviário, aquaviário, aeroviário e dutoviário. Para Seleme, sem conectividade eficiente, o estado perde competitividade internacional.

“Não tem como você trazer um estrangeiro e colocá-lo num carro para viajar cinco ou seis horas até uma fábrica. Ele desiste”, afirmou Seleme.

Ele também defendeu a ampliação da aviação regional, destacando os esforços do governo estadual para levar voos ao interior. “Vários aeroportos foram reformados. Estão sendo oferecidos subsídios para companhias aéreas. Se não fizer isso, não há interesse.”

Investimentos e papel da iniciativa privada

Dos R$ 57 bilhões estimados, R$ 40,2 bilhões devem ser destinados às rodovias, seguidos por investimentos em ferrovias (R$ 9,9 bilhões), infraestrutura aquaviária (R$ 4,89 bilhões), aeroviária (R$ 991,9 milhões) e dutoviária (R$ 873,1 milhões).

A maior parte dos recursos deverá vir do setor privado, com previsão de R$ 42,6 bilhões em aportes. Entre os projetos estão a ampliação dos portos de Navegantes e Itapoá, parcerias público-privadas (PPPs) para dragagem e aprofundamento do canal da Baía da Babitonga, além de investimentos em rodovias concessionadas e aeroportos como Florianópolis e Jaguaruna.

Para Seleme, esse modelo é inevitável. Segundo ele, essa infraestrutura precisa contar com recursos privados e ser financiada por meio da cobrança pelo uso.

Mobilização política e social

O presidente da FIESC avalia que o volume de investimentos representa um desafio diante da escassez de recursos públicos e da imprevisibilidade orçamentária, sobretudo nos projetos que dependem da União.

“Precisamos fazer um grande esforço e unir toda a sociedade catarinense, as entidades empresariais, o Executivo e nossos parlamentares para uma grande mobilização em prol da melhoria da nossa infraestrutura”, afirmou. “Esse é um tema estratégico, que hoje afeta negativamente todos os setores econômicos, comprometendo a competitividade do estado, a geração de emprego e renda e o desenvolvimento socioeconômico catarinense.”

Obras consideradas prioritárias

Entre as prioridades apontadas pela FIESC estão:

  • Conclusão das duplicações da BR-470 e da BR-280
  • Manutenção das rodovias federais
  • Adequação de capacidade da BR-282 e BR-163
  • Conclusão da BR-285
  • Segunda etapa da bacia de evolução e canal de acesso ao complexo portuário de Itajaí
  • Recuperação e ampliação dos molhes de Imbituba
  • Aprofundamento do canal de acesso à Baía da Babitonga (PPP)

Segundo a entidade, a previsibilidade de recursos é essencial para garantir prazos e evitar que obras se arrastem por décadas.

Planejamento

Martorano destaca que, no entendimento da FIESC, é fundamental ter o Plano Estadual de Logística de Transporte incorporado. “Como estes portos estão projetados? Quais os acessos? Como eles vão influir nos corredores?”, questiona.

Sobre o Plano Nacional de Logística e Transporte (PNLT), Martorano destacou que é fundamental colocar Santa Catarina no contexto logístico nacional. “Nossos portos, que são de referência, não estão contemplados nestes corredores nacionais. Estes planejamentos têm que prever a inserção de Santa Catarina, bem como planejar o futuro e falar de diversificação de matriz”, propõe.

Outra questão que o planejamento deve levar em consideração é a logística resiliente a eventos severos, preservação das faixas de domínio e das áreas non aedificandi” bem como acesso das áreas lindeiras e planos diretores municipais e o zoneamento ecológico-econômico.

Fontes

Gilberto Seleme é presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina.

Egídio Martorano é presidente da Câmara de Transporte e Logística da FIESC.

Contato

faleconosco@fiesc.com.br

Jornalista responsável: 
Marina Pastore – DRT 48378/SP 
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