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Terreno é decisivo para sucesso da alvenaria estrutural

Gestão, Inovação, Mercado da Construção, Novas Tecnologias 19 de setembro de 2013

Áreas planas, que permitam que as obras comecem do chão, sem precisar se sustentar sobre o concreto, são as ideais para o sistema construtivo

Por: Altair Santos

Historicamente, a alvenaria estrutural existe desde que o homem passou a construir usando tijolos de argila, pedras e outros materiais, empilhando-os empiricamente para formar estruturas maciças. O tempo passou, o sistema construtivo evoluiu e hoje a tecnologia é apontada como uma das mais adaptadas ao meio urbano e ideal para produções habitacionais em larga escala. No Brasil, o programa Minha Casa, Minha Vida, nascido em 2009, fez do país um “cliente” da alvenaria estrutural. A ponto de em 2011, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) ter publicado a NBR 15961 – Alvenaria estrutural – Blocos de concreto – dividindo-a em duas partes – para estabelecer requisitos mínimos exigíveis para a execução e o controle de obras com estruturas de alvenaria de blocos de concreto.

Dependendo do terreno, alvenaria estrutural precisa ser sustentada pelo concreto

O mercado, estimulado pela normalização de 2011, e agora também pela ABNT NBR 15575/2013 – Edificações Habitacionais – seis partes -, mais conhecida como norma de desempenho, tem descoberto peculiaridades do sistema construtivo que ampliam sua eficácia. Uma delas foi exposta pelo arquiteto Adelino Francisco dos Santos Neto na recente edição do Concrete Show 2013. Com atuação em mais de 30 edificações construídas em alvenaria estrutural no estado de São Paulo, o projetista cita que o terreno é fundamental para o sucesso deste tipo de sistema. “Áreas que não precisem de aterro e que sejam geologicamente bem sedimentadas são especialmente recomendadas para receber projetos de alvenaria estrutural. Elas permitem que as obras saiam do chão”, analisa o especialista.

Sair do chão, no jargão da engenharia, significa que a obra em alvenaria estrutural não precisa de fundações profundas ou ser construída sobre grandes estruturas de concreto para sustentá-la. “Em terrenos com aclive ou declive, ou que não favoreçam cortes em platô, normalmente é preciso uma forte estrutura de concreto debaixo da alvenaria estrutural“, afirma Adelino Santos, lembrando também que áreas que não sejam planas oferecem outro empecilho a esse sistema construtivo: o código de obras dos municípios. “Cada cidade tem uma legislação, o que cria problemas para modificar o terreno. Por isso, a importância de se definir todas as variáveis do projeto de arquitetura na alvenaria estrutural, antes de ir para o canteiro de obras”, completou.

Outras soluções
No Concrete Show2013, Adelino Santos revelou também que a alvenaria estrutural tem agregado outras tecnologias para ganhar mobilidade. O sistema é conhecido por não permitir intervenções em suas paredes de vedação. Para viabilizar essa possibilidade, as construtoras têm usado drywall em algumas áreas entre quarto e sala e entre sala e cozinha. “Se o usuário quiser abrir um quarto ou criar uma cozinha americana, ele intervém na parede em drywall“, explica, destacando que a alvenaria estrutural está sempre em um processo de evolução, pois a ela se juntam materiais que passam a ser fabricados com novas tecnologias, como as argamassas, ou surgem novos elementos que vêm para qualificar o sistema e dar-lhe versatilidade. “A evolução é constante”, finaliza o arquiteto.

Entrevistado
Adelino Francisco dos Santos Neto, da Adesa Arquitetura
Currículo
– Adelino Francisco dos Santos Neto é graduado em arquitetura pela Universidade Mackenzie (1989) com mestrado pela FAU USP em renovação urbana
– Tem mais de 25 anos em projetos para obras em alvenaria estrutural
– É sócio-diretor da Adesa Arquitetura
Contatos
adelino@adesaarq.com.br
www.adesaarq.com.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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