Veja o que leva à baixa produtividade na construção civil

Demora no deslocamento casa-trabalho, baixa escolaridade e pouco uso de tecnologias são os principais fatores

Veja o que leva à baixa produtividade na construção civil

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Equipamentos, treinamento e nível educacional refletem na produtividade da construção civil. Crédito: Getty Images

Juntas, as 500 maiores empresas do Brasil, incluindo as ligadas à cadeia produtiva da construção civil, perdem R$ 230 milhões por ano com a baixa produtividade em suas operações. O levantamento é da Levee, startup que desenvolve ferramentas de gestão usando Inteligência Artificial. O estudo constatou que a distância entre moradia e trabalho é um dos fatores que mais contribui para a baixa produtividade do trabalhador brasileiro. Em setores como o de serviços e de varejo, os obstáculos entre sair de casa e chegar ao trabalho podem causar até 10% das faltas diárias.

A rotatividade no quadro de funcionários também é outro fator que atrapalha a produtividade. Há empresa em que o turnover chega a 40% ao ano. Neste caso, na maioria das vezes, o trabalhador, mesmo satisfeito com as políticas da companhia, troca de emprego para reduzir seu tempo de deslocamento em 30 minutos. Para minimizar esse impacto na produtividade, a recomendação é que se leve a geolocalização em conta na contratação de funcionários. “Embora a tecnologia não consiga resolver os problemas do trânsito, pode ajudar a encontrar os profissionais com o perfil mais adequado à vaga e que morem mais próximos do local de trabalho, o que pode cortar faltas, atrasos e rotatividade”, diz Jacob Rosenbloom, CEO da Levee.

O executivo lembra ainda que discutir a produtividade ainda é um tema relegado na empresa. “Inevitavelmente, a discussão sobre produtividade da força de trabalho passa por outros inúmeros fatores, mas o começo pode ser com práticas simples e escaláveis que possam ser disseminadas posteriormente de forma orgânica pela companhia”, sugere. Para que ocorra essa mudança, Jacob Rosenbloom propõe uma lógica batizada de “70-20-10”, na qual 70% do tempo do funcionário deve se concentrar nas metas de produção. Outros 20% em projetos-pilotos e testes e 10% a uma fase exploratória, em que são estimuladas oportunidades em áreas não óbvias, e ficam a critério do funcionário.

Trabalhador brasileiro é 4 vezes menos produtivo que o dos Estados Unidos

Rosenbloom destaca que nesses 10% é que podem ser gerados os frutos para que a empresa se consolide como inovadora. “Pode ser que as ideias que estejam nos 10% nem virem projetos para a fase de produção, mas eles podem ajudar a impulsionar a inovação. De toda forma, a prática é um estímulo para que os gestores e as equipes mantenham suas cabeças abertas e conectadas a novas possibilidades”, resume. Com o uso de Inteligência Artificial, China e Estados Unidos têm conseguido implementar esses conceitos. É o que eles chamam de "algoritmização" de suas operações. Só que para alcançar esse estágio, o Brasil vai precisar investir mais em educação.

Hoje, o trabalhador brasileiro demora uma hora para desempenhar uma tarefa que o norte-americano leva 15 minutos e o alemão e o chinês demoram 20 minutos. Essa diferença é sentida principalmente nos canteiros de obras. Com nível educacional mais elevado, o operário nos EUA consegue absorver treinamentos e tecnologias com mais rapidez, assim como operar equipamentos mais complexos. Isso resulta em menor tempo consumido para a execução de um trabalho. Estudo recentemente desenvolvido pela Fundação Getúlio Vargas vai ao encontro dessa tese. Ele constatou que, além das correções estruturais necessárias para melhorar a produtividade, o Brasil precisa trilhar dois caminhos: melhorar a educação em todos os níveis (inclusive técnico) e investir na modernização do capital físico (máquinas e equipamentos das empresas).

Entrevistado
Reportagem com base em estudo realizado pela Levee, startup que desenvolve ferramentas de gestão usando Inteligência Artificial

Contato
levee@levee.com.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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