Tendência mundial, áreas portuárias desativadas viram praias de concreto
Dinamarca e Noruega saem na frente, mas projetos se espalham pelo mundo, inclusive no Brasil

Crédito: Snøhetta
Em Arendal, na Noruega, o porto desativado da cidade será transformado em uma praia artificial de concreto. O projeto arquitetônico é do reconhecido escritório norueguês Snøhetta. A obra está prevista para ser inaugurada em 2024 e segue tendência mundial de reurbanização de áreas portuárias, transformando-as em parques, áreas de gastronomia, locais para a prática de esportes, praias e ilhas artificiais.
A Snøhetta, em parceria com empreiteiros, pesquisadores e a indústria de concreto da Noruega, vai utilizar no projeto em Arendal pré-fabricados com emissão negativa de CO₂. Como isso será possível? Os painéis-sanduíche que serão usados na obra são projetados com concreto autoadensável e preenchidos com biomassa gerada através das cascas das árvores usadas pela indústria de madeira do país – também conhecida como biochar. “São paredes que fazem o aproveitamento de restos das madeireiras misturadas a um concreto leve”, explica Alexandra Roos Rassat, gerente de projeto da Norwegian Biochar Network.

Crédito: Julien De Smedt
Na Noruega, a maioria desses resíduos de madeira é incinerada pela indústria, gerando grande emissão de CO₂. Com a transformação em biomassa e a aplicação no preenchimento dos painéis-sanduíche, a Snøhetta acredita ter encontrado uma solução para continuar utilizando concreto em seus projetos sem elevar a emissão de CO₂. “É difícil imaginar que encontraremos um substituto para um material tão versátil como o concreto. Então, temos que buscar alternativas para seguir construindo sem estourar as metas de emissão de CO₂”, diz Carsten Løddesøl, gerente de projeto da Snøhetta.
Todas as construções inovadoras têm o concreto como elemento transformador
Em Copenhague, na Dinamarca, os moradores e turistas já usufruem de uma praia de concreto construída após a desativação do porto nos anos 1980. É o Kalvebod Waves, inaugurado em 2013 e projetado pelo escritório dinamarquês Julien De Smedt. A ideia consiste em um vasto píer em concreto, com elevações que transmitem ao público a sensação de que ele caminha sobre ondas. O local é um dos mais visitados em Copenhague durante o verão.
Na cidade de Nova York, nos Estados Unidos, foi inaugurada em maio de 2021 a Little Island. Trata-se de uma ilha de concreto que faz parte do complexo de obras para revitalizar a região portuária à beira do rio Hudson. A estrutura se sustenta sobre grandes tulipas de concreto pré-fabricado e a abertura do parque coincidiu com a vacinação em massa da população de NY. Resultado: transformou-se no local mais visitado na cidade durante o verão.

Crédito: Little Island
Os projetos são variados, como mostram as transformações bem-sucedidas ocorridas em Barcelona-Espanha, Buenos Aires-Argentina, Gênova-Itália e Cidade do Cabo-África do Sul. Há também os exemplos brasileiros do Rio de Janeiro-RJ, de Porto Alegre-RS e de Belém-PA. Todos têm em comum o concreto como elemento transformador, como define o professor-doutor Paulo Helene. “O concreto criou a arte de projetar e construir estruturas. As obras, antes limitadas à alvenaria estrutural, ganharam novas alternativas e inúmeras possibilidades”, afirma.
Entrevistado
Escritórios de arquitetura Snøhetta, Julien De Smedt e Little Island
Contatos
contact@snohetta.com
office@jdsa.eu
info@littleisland.org
Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330
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