Taxa Selic é reduzida para 14,75% a.a.

Redução sustentada do custo do crédito tende a estimular lançamentos e ampliar o acesso à casa própria

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) realizou o primeiro corte na taxa de juros desde maio de 2024, interrompendo um período de quase dois anos sem reduções. A diminuição foi de 0,25 ponto percentual, fazendo com que a Selic passasse a 14,75% ao ano.

De acordo com análise da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), esse movimento reflete a postura prudente do colegiado diante de um ambiente externo ainda instável, influenciado pelas tensões no Oriente Médio, pela alta nos preços do petróleo e pelos riscos inflacionários em escala global.

Para a economista da CBIC, Ieda Vasconcelos, a taxa Selic, que voltou ao nível observado em maio de 2025, segue em patamar bastante elevado. “E o custo disso é o adiamento de investimentos produtivos, pressão no orçamento das famílias, que já registram endividamento elevado e um maior custo fiscal. Vale destacar que, depois de crescer 2,3% em 2025, as projeções sinalizam um menor dinamismo da economia brasileira em 2026. A pesquisa Focus, realizada semanalmente pelo Banco Central, com instituições do mercado financeiro, projeta alta de 1,83% para o Produto Interno Bruto (PIB). O Fundo Monetário Internacional (1,6%) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (1,7%) também estimam crescimento inferior a 2% para a economia nacional. E os juros em alto patamar refletem diretamente nesse menor ritmo de atividade”, explica a economista.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e referência oficial da inflação no país, registrou alta de 3,81% nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026. Já o Boletim Focus, divulgado em 13 de março de 2026, projeta que o indicador encerre o ano em 4,10%.

Impactos na construção civil

Taxa de juros alta eleva o custo da construção em patamares superiores à inflação. Crédito: Envato

Ieda destaca que a taxa de juros elevada é um dos principais problemas enfrentados pela construção civil. A Sondagem Indústria da Construção, conduzida pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com apoio da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), revela que, há mais de um ano, esse fator figura entre os três principais desafios apontados pelos empresários do setor.

“Outro dado da Sondagem Indústria da Construção também demonstra os efeitos dos juros altos no setor. O indicador de facilidade ao acesso ao crédito está muito abaixo da linha divisória de 50 pontos. Quanto mais distante dessa linha maior a dificuldade. No 4º trimestre/25, ele alcançou 39,0 pontos, mantendo-se ainda 11 pontos abaixo da linha divisória e refletindo a dificuldade da Construção nesse quesito”, afirma Ieda.

A economista também destaca outro entrave: a elevação do custo da construção em patamares superiores à inflação. “O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), apurado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou alta de 5,68% nos 12 meses encerrados em fevereiro de 2026. No período, os gastos com materiais e equipamentos avançaram 3,29%, enquanto os custos com mão de obra tiveram elevação de 8,86%. Em comparação com o IPCA, observa-se que os custos da construção seguem acima da inflação geral”, pontua. Isso evidencia que os custos da construção seguem acima da inflação geral”, pontua.

Para Ieda, a queda consistente no custo do crédito poderá incentivar lançamentos imobiliários, ampliar o acesso à casa própria, impulsionar a cadeia produtiva do setor e, consequentemente, gerar mais renda na economia. “O setor precisa de uma melhor perspectiva do custo do crédito no horizonte para impulsionar o seu crescimento e contribuir ainda mais para o desenvolvimento sustentado do país”, comenta.

Para Fabrício Bellini, CEO da Blue Heaven, mais importante do que prever a velocidade da queda dos juros é compreender seus efeitos práticos. Segundo ele, a simples expectativa de redução já reposiciona o mercado, levando investidores a enxergar o imóvel comouma forma de proteção e potencial de valorização — antes mesmo de a queda se concretizar.

No segmento de alto padrão, esse movimento é ainda mais evidente em regiões com restrições de oferta. Bellini destaca que a redução da Selic tende a destravar decisões de compra e, ao mesmo tempo, aumentar o interesse por ativos escassos e menos dependentes do ciclo econômico. “O investidor experiente busca escassez, liquidez e previsibilidade — e, com a virada da curva de juros, essa equação se torna mais favorável para quem se antecipa”, conclui.

Para Caio Portugal, presidente da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (AELO), a queda dos juros é fundamental para destravar investimentos e ampliar o acesso ao crédito imobiliário. Mesmo que mais moderado, o corte já indica uma mudança relevante no ciclo econômico.

Ele alerta, porém, que a instabilidade externa pode manter o crédito restrito por mais tempo, reforçando a necessidade de maior previsibilidade na política monetária e de medidas que incentivem o financiamento habitacional. Ainda assim, destaca que o movimento marca o início da flexibilização, essencial para reaquecer o setor.

Fontes:

Ieda Vasconcelos é economista da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Fabrício Bellini é CEO da Blue Heaven.

Caio Portugal é presidente da Associação das Empresas de Loteamento e Desenvolvimento Urbano (AELO).

Contatos

CBIC: imprensa@cbic.org.br

Assessoria de imprensa Blue Heaven: redacao7@rotascomunicacao.com.br

Assessoria de imprensa AELO: veramoreira@veramoreira.com.br

Jornalista responsável: 
Marina Pastore – DRT 48378/SP 
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