Suíça projeta laboratório para test-drive de habitações

Construção permitirá simular a vida útil das edificações, submetendo-as a intempéries climáticas, vibrações e desgaste pelo tempo.

Construção permitirá simular a vida útil das edificações, submetendo-as a intempéries climáticas, vibrações e desgaste pelo tempo
Por: Altair Santos
Como pôr à prova a construção de uma casa, de um apartamento ou de um escritório depois que eles já foram habitados? Foi para responder a essa pergunta que o Instituto EMPA, na Suíça, decidiu criar um laboratório para submeter as edificações a testes de eficiência, num modelo semelhante aos test-drives pelos quais passam os automóveis. Resistência de materiais, estruturas e conformidades térmicas e acústicas serão aferidas por técnicos e engenheiros, com eles desempenhando o papel de moradores. Para isso, contarão com um laboratório que irá submeter as construções a situações como as da vida real, como intempéries climáticas, poluição, vibrações sonoras, reformas e desgaste pelo tempo.
Desenho do que será o "Ninho”, um laboratório inédito no mundo em pesquisa da construção civil

O projeto suíço foi batizado de “Ninho“. Concebido pelo chefe do departamento de engenharia civil e mecânica do EMPA, Peter Richner, ele consiste em um edifício-esqueleto de concreto armado, com cinco pisos abertos para a inserção das pesquisas. “O “Ninho” é a espinha dorsal, onde suas fachadas são intercambiáveis para permitir investigações de conceitos, gestão de energia e testes de materiais”, diz Richner, completando que esse modelo permitirá romper a resistência da construção a inovações. “O setor é conservador, porque quem compra imóveis é conservador. Ninguém que é proprietário quer que sua propriedade seja cobaia de engenheiros”, completa, em entrevista à publicação alemã Autocad&Inventor Magazin.

No “Ninho“, explica Peter Richner, as experiências estarão livres de processos e indenizações. “Teremos um ambiente seguro, sem expor a risco os moradores das habitações que iremos testar”, diz o engenheiro, que planeja que seu projeto possa sair do papel até o final de 2012. “Buscamos recursos e parceiros europeus da construção civil“, diz. Caso consiga se autofinanciar, o “Ninho” será construído na cidade suíça de Dübendorf e abrigará 6.000 m² para pesquisas e testes. Atualmente, a ideia já conta com os apoios científicos de organismos como Eawag, ETH Zurique e Lausanne EPF, além do próprio EMPA. “Com esse projeto, chegaremos ao Darwinismo na construção civil”, analisa Peter Richner.

Boa recepção

No Brasil, pesquisadores apoiam e torcem pra que o projeto “Ninho” prospere na Suíça. Entre eles está o coordenador adjunto do curso de engenharia civil da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) Ricardo José Bertin. Para ele, iniciativas assim são um avanço no campo da pesquisa dentro da construção civil e estimulam outros países, como o Brasil, a fazer o mesmo. Confira a entrevista:

O senhor avalia que a engenharia civil carece de pesquisas mais inovadoras?
Talvez em algumas áreas, sim. No caso do Brasil, o país hoje ocupa o 13º lugar no ranking mundial em publicações sobre pesquisas na construção civil. Então, eu não diria que haja falta de pesquisas, mas sim de uma maior integração entre a indústria da construção civil – o setor empresarial – com as universidades, para que houvesse a aplicação da pesquisa.

No Brasil, o campo da pesquisa focado na engenharia civil tem registrado avanços ou carece melhorar?
Temos registrado muitos avanços. A linha de pesquisa na engenharia civil, na área de pesquisas sustentáveis e na área de construções mais limpas tem avanços enormes. É claro que em termos de pesquisas sempre há espaços para melhorar, sempre há espaços para investir, sempre há espaços para você focar mais em algum ponto. O Governo Federal está bastante preocupado com isso. Tanto é que foi divulgado recentemente um documento chamado de “livro azul”, em que ele define as áreas que têm futuro na pesquisa. Uma destas áreas é a sustentabilidade de construções, economia de energia, construções com menos desperdício.

Há laboratórios no país capacitados para fazer pesquisas encorpadas como a que se propõe o EMPA?
Eu não conheço todos os laboratórios de pesquisa no Brasil e não conheço a capacidade que se teria para fazer uma pesquisa como esta do EMPA, que é testar casas inteiras, construções inteiras. Mas o IPT (Instituto Pesquisa Tecnológica) em São Paulo/SP é um dos mais bens equipados, capacitados do Brasil e, quiçá, do mundo. Outro que tem uma série de laboratórios bem capacitados é a Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Em termos de inovação na área da construção civil, qual o senhor qualifica como a mais impactante que tenha surgido recentemente?
Todas as pesquisas na área de construções sustentáveis. Recentemente foi inaugurado aqui na PUC-PR um centro de pesquisas em parceria com a Siemens, que é um dos seis que a empresa tem no mundo, para trabalhar com redes de energia elétrica inteligentes. A ideia é que as edificações sejam autossustentáveis, inclusive energeticamente. Este é um conceito que tem vindo com bastante força da Alemanha, dos Estados Unidos e no Brasil já está começando a se pensar com mais intensidade.

Além desta pesquisa dentro PUC-PR, há outras em desenvolvimento na universidade voltadas ao setor da construção civil?
Nós temos pesquisas na área térmica em paredes, que envolvem refrigeração e sustentabilidade. Temos também um grupo de pesquisa que se chama Eco Habitare, que trata de construções ecologicamente corretas e sustentáveis. Uma das pesquisas é a que reaproveita o pó de mármore para a fabricação de tijolos.

No universo acadêmico, como estão as pesquisas voltadas à construção civil?
Tem uma série de universidades pesquisando sobre a construção civil. A crítica que eu faria é que muitas vezes não há investimento da indústria, não há investimento do setor empresarial e não há um direcionamento. Nós não somos demandados. O setor empresarial não vem aqui e diz: olha, nós gostaríamos que vocês fizessem uma pesquisa nesta área. Está faltando isso.

A entrada da iniciativa privada como patrocinadora de pesquisas seria a solução para que o setor acadêmico buscasse mais inovações na área da construção civil?
Sem dúvida. Quando a gente pensa em inovação, a gente tem que pensar que isso tem que solucionar um problema de qualidade de vida do ser humano. A pesquisa, no meu modo de ver, tem de estar voltada para o ser humano, senão ela fica uma pesquisa muito pura. No geral, a pesquisa deve ter alguma influência sobre o ser humano para melhorar a qualidade de vida. Aí, a iniciativa privada seria importante para ajudar a focar em estudos que tenham utilização mais imediata para a sociedade.

Entrevistado
Ricardo José Bertin, coordenador adjunto do curso de engenharia civil da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR)

Currículo
– Possui graduação em engenharia civil pela Universidade Federal do Paraná (1982), mestrado em Transport Engineering and Operation – University Of Newcastle Upon Tyne (1992) e doutorando em engenharia mecânica pela PUC-PR
– Atualmente é coordenador do Centro de Formação de Tecnólogos da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (campus Curitiba)
– É professor adjunto III do curso de Engenharia Civil
– Tem experiência na área de engenharia civil, com ênfase em ferrovias, projetos, superestruturas, logística, pavimento de concreto e análise por elementos finitos
Contato: ricardo.bertin@pucpr.br

Créditos foto: Divulgação/EMPA

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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