Saída para os portos brasileiros seria a privatização
Burocracia, profundidade dos calados, áreas para armazenagem e acesso terrestre estão entre os problemas que tiram competitividade dos terminais.
Burocracia, profundidade dos calados, áreas para armazenagem e acesso terrestre estão entre os problemas que tiram competitividade dos terminais
Por: Altair Santos
O governo federal iniciou em fevereiro de 2012 o processo de privatização de aeroportos, começando pelos terminais de Guarulhos, Campinas e Brasília. As empresas vencedoras assumiram o compromisso de realizar investimento de aproximadamente R$ 16 bilhões em obras, para melhorar a qualidade dos serviços aéreos. Dado esse passo, o que se questiona agora é se o mesmo procedimento não deveria ocorrer com os portos brasileiros. Basta lembrar que no ranking portuário mundial, que engloba 142 países, o Brasil ocupa a 130ª posição.

Com base nas deficiências portuárias do país, o COPPEAD/UFRJ (Instituto de pós-graduação e pesquisa em administração da Universidade Federal do Rio de Janeiro) mapeou os gargalos do setor e também os entraves que dificultam a privatização dos portos. O estudo foi realizado pelo Instituto de Logística e Supply Chain (ILOS) do COPPEAD. Segundo Paulo Fleury, diretor do ILOS, há pelo menos cinco problemas agudos: profundidade dos calados, área de armazenagem, burocracia, questões legais e falta de investimento.
Mesmo assim, o especialista vê como remota a possibilidade de o sistema portuário brasileiro vir a ser privatizado. “Há questões de segurança nacional envolvidas. Por isso, a privatização chega no máximo aos terminais de carga”, explica. Assim, completa Paulo Fleury, como o governo é o proprietário do porto, ele se vê obrigado a investir em várias áreas, mas não tem recursos. “Não há dúvidas de que a iniciativa privada traria competitividade aos portos brasileiros”, completa.
Para o diretor do ILOS, os portos de Santos (SP), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS) são os que mais carecem de investimentos. “Santos, pela relevância que ele tem na economia e pela falta de capacidade; Rio Grande, por ser um porto que faz a ligação entre o Brasil e Cone Sul, e Paranaguá, que é um porto vital para a gestão do agronegócio”, diz. No entanto, apesar das carências, os terminais portuários receberam entre 2007 e 2011, através do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) apenas R$ 5,7 bilhões de recursos para obras, quando o ideal seria o triplo destes investimentos.

No estudo do COPPEAD/UFRJ, as indústrias usuárias de portos apontam os acessos terrestres (rodovias e ferrovias) como os principais problemas dos terminais. “Em geral, porto é um negócio que deveria ser atendido por ferrovias. Mas para isso tem que ter todo um sistema de logística integrado, com prioridade aos contêineres. Só que a experiência do Brasil com contêineres é muito baixa e os terminais não estão adequados a isso. Assim, continua-se a usar caminhões e os problemas persistem”, destaca Paulo Fleury.
Carência de 265 obras
Segundo recente estudo do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) denominado “Gargalos e Demandas de Infraestrutura Portuária e os Investimentos do PAC”, os principais portos brasileiros necessitam atualmente de 265 obras para melhorar a operacionalidade e a competitividade. Destas, 133 são empreendimentos relacionados à construção, ampliação e recuperação de terminais. Outras 45 referem-se às melhorias no acesso terrestre. Tratam-se de investimentos diretamente relacionados com o setor da construção civil e que carecem de recursos na casa dos R$ 38 bilhões. O problema é que, através do PAC, foram investidos até agora somente R$ 8 bilhões entre 2007 e 2011. Cerca de 60% da demanda por obras concentram-se nos portos de Santos (SP), Paranaguá (PR), Vitória (ES), Itaqui (MA), Pécem (CE), Suape (PE), Rio de Janeiro (RJ) e Rio Grande (RS).
Veja a íntegra do estudo do Ipea: Clique aqui
Confira o trabalho do ILOS: Clique aqui
Entrevistado
Paulo Fleury, diretor do ILOS (Instituto de Logística e Supply Chain) e professor de estratégia de operações do COPPEAD/UFRJ
Currículo
– Graduado em engenharia mecânica pela UFRJ
– Possui os títulos de M.Sc. em engenharia de produção pela COPPE/UFRJ e de Ph.D. em administração industrial pela Loughborough University of Technology (Inglaterra)
– Foi diretor e superintendente-geral da Agência de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio de Janeiro (ADRio)
– É membro do Council of Logistics Management e da European Operations Management Association
– Possui cerca de 100 trabalhos publicados em periódicos e livros nacionais e internacionais, e tem mais de 25 anos de experiência de ensino e consultoria nas áreas de Estratégia de Operações e Logística Empresarial
Contato: ilos@ilos.com.br
Créditos foto: Divulgação / Fabio Scremin/ AEN
Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330
Cadastre-se no Massa Cinzenta e fique por dentro do mundo da construção civil.
Cimento Certo
Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.

Massa Cinzenta
Cooperação na forma de informação. Toda semana conteúdos novos para você ficar por dentro do mundo da construção civil.
15/05/2024
MASP realiza o maior projeto de restauro desde a sua inauguração
MASP passa por obras de restauro em suas estruturas. Crédito: Assessoria de Imprensa / MASP Quem passa pela Avenida Paulista vem notando uma diferença significativa na…
28/01/2026
Moinho vertical da Cimento Itambé torna-se referência e reforça compromisso do setor com eficiência energética e descarbonização
O desempenho operacional do Moinho Vertical N5 da Cimento Itambé colocou a unidade paranaense em posição de destaque no setor cimenteiro. A empresa recebeu reconhecimento da…
28/01/2026
Por que o desempenho ao fogo ainda limita a aplicação do UHPC?
O Concreto de Ultra Alto Desempenho (UHPC, na sigla em inglês) tem ganhado espaço na engenharia estrutural por permitir soluções mais esbeltas, leves e mecanicamente eficientes.…
28/01/2026
Fachadas altas evoluem como sistemas de engenharia e impulsionam a industrialização dos edifícios
As fachadas de edifícios altos atravessam um processo de transformação profunda na construção civil. Impulsionadas pela escassez de mão de obra qualificada, pelo avanço…
Cimento Certo
Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.
Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.
Cimento Portland pozolânico resistente a sulfatos – CP IV-32 RS
Baixo calor de hidratação, bastante utilizado com agregados reativos e tem ótima resistência a meios agressivos.
Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-32
Com diversas possibilidades de aplicações, o Cimento Portland composto com fíler é um dos mais utilizados no Brasil.
Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-40
Desempenho superior em diversas aplicações, com adição de fíler calcário. Disponível somente a granel.
Cimento Portland de alta resistência inicial – CP V-ARI
O Cimento Portland de alta resistência inicial tem alto grau de finura e menor teor de fíler em sua composição.
Cimento Certo
Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.
Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.









