Produtividade da construção civil brasileira decai

No comparativo com outras 17 nações, país perde nas questões de gestão, logística e tributária, além da instabilidade macroeconômica

No comparativo com outras 17 nações, país perde nas questões de gestão, logística e tributária, além da instabilidade macroeconômica

Por: Altair Santos

Estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), encomendado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon-SP), revela que a construção civil brasileira é, em média, 30% menos produtiva que outros segmentos da economia do país. Em 2013, a produtividade do setor no Brasil era, por exemplo, 32,5% inferior à da indústria automobilística. “O Brasil possui um duplo gap: os desníveis de produtividade da construção em relação à média da economia brasileira e da construção brasileira em relação ao mesmo setor em países comparados na pesquisa”, chama a atenção o vice-presidente do SindusCon-SP, Francisco Vasconcellos.

Francisco Vasconcellos, vice-presidente do SindusCon-SP: melhorar produtividade é vital para retomar crescimento
Francisco Vasconcellos, vice-presidente do SindusCon-SP: melhorar produtividade é vital para retomar crescimento

O levantamento da FGV levou em conta os dados entre 2003 e 2013 da construção civil nacional, período no qual ela apresentou os maiores índices de crescimento. Mesmo assim, no comparativo com outros 17 países, a produtividade do setor nacional não acompanhou o crescimento em volume de obras. Colocada lado a lado com os Estados Unidos, a produtividade da mão de obra na construção brasileira alcança apenas 20% da conseguida nos EUA, aponta o estudo. “Se no período em que o país experimentou boas taxas de crescimento ela já era importante, agora é que a produtividade da construção revela-se um fator vital para a retomada do crescimento econômico brasileiro”, alerta Francisco Vasconcellos.

Segundo o vice-presidente do SindusCon-SP, há um longo caminho a trilhar para garantir a elevação da produtividade da construção brasileira, reduzindo o gap que nos separa dos países mais desenvolvidos. “Perdemos em questões de gestão, logística e tributária, além de vivermos agora a instabilidade macroeconômica”, alerta, completando que, a persistir a estrutura tributária, a burocracia e o custo do capital, o esforço da construção civil brasileira para ganhar posições no ranking de produtividade será ainda maior. “A estrutura tributária vigente no país, por exemplo, introduz distorção com grandes impactos na produtividade”, diz Vasconcellos.

Ultrapassado pela China
Os obstáculos citados impactam na intensidade e na duração dos ciclos de crescimento do setor e na intensidade com que a construção civil brasileira poderia utilizar os processos industrializados e de qualificação da mão de obra. “Mesmo tendo acesso a recursos e pleno domínio da técnica, a empresa poderá não utilizá-los por conta de distorções de natureza fiscal. No Brasil, as disputas fiscais entre os estados interferem na localização de plantas e centros de distribuição de materiais de construção. Com isso, em muitos casos, são introduzidos custos e riscos logísticos desnecessários na tentativa de reduzir o ônus tributário”, explica o vice-presidente do SindusCon-SP.

O resultado é que, no período analisado pela Fundação Getúlio Vargas, enquanto a produtividade da construção civil brasileira cresceu 20,6%, a chinesa avançou 108,4%. Dessa forma, se a China continuar no mesmo ritmo dos últimos 10 anos, ou seja, crescendo à taxa anual de 7,62%, e o Brasil crescer à taxa de 1,89% (referente ao período 2003-13), em 2019 a produtividade chinesa já será 50% maior que a brasileira, enquanto até 2002 alcançava apenas 15% do que se registrava em nosso país.

Clique aqui para conferir a íntegra do estudo do SindusCon-SP-FGV.

Entrevistado
Engenheiro civil Francisco Vasconcellos, vice-presidente do SindusCon-SP
Contato: sindusconsp@sindusconsp.com.br

Crédito Foto: Divulgação/SindusCon-SP

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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