Pesquisa usa vidro reciclado como agregado do concreto

Escola de engenharia na Austrália conseguiu fazer o processo inverso e transformar o material novamente em areia

Pesquisa usa vidro reciclado como agregado do concreto

Pesquisa usa vidro reciclado como agregado do concreto 1024 732 Cimento Itambé
Próximo passo do estudo é dar viabilidade econômica à areia de vidro, para que ela seja incorporada pelo mercado Crédito: Deakin School of Engineering

Próximo passo do estudo é dar viabilidade econômica à areia de vidro, para que ela seja incorporada pelo mercado
Crédito: Deakin School of Engineering

Pesquisadores da Deakin School of Engineering, na Austrália, conseguiram fazer o processo inverso da fabricação de vidro e transformar o material novamente em areia. Com a reciclagem, a equipe de cientistas passou a testar areia de vidro na produção de concreto polimérico para pisos industriais. “Descobrimos que substituir a areia por vidro reciclado fortalece o concreto polimérico, além de dar mais resistência e melhor acabamento aos pisos industriais”, diz o professor-sênior Riyadh Al-Ameri, que coordena a pesquisa.

Para Al-Ameri, há uma importante questão ambiental e econômica na descoberta.  “O concreto é um material de construção importante e a areia é um de seus principais componentes. Portanto, encontrar uma alternativa à areia faz sentido econômico. Além disso, descobrimos que substituir a areia por vidro reciclado dá um destino correto a um dos produtos que têm grande fluxo entre os resíduos domésticos. Trata-se também de importante contribuição à sustentabilidade”, completa.

A próxima etapa do estudo é impulsionar a substituição da areia convencional pela areia de vidro na produção de concreto polimérico, e viabilizá-la economicamente. “Qualquer mudança que reduza o custo de produção levará a ganhos significativos para a indústria, potencialmente em escala global”, reforça Riyadh Al-Ameri, que chama a atenção para as políticas ambientais que tornam cada vez mais restritiva a extração de areia. “A escassez de jazidas de areia já é uma realidade em alguns países. Isso reforça o apelo de nossa pesquisa.”

Outro componente que começa a inviabilizar o uso de areia natural é o frete. Com os areais cada vez mais afastados dos locais das obras, o transporte chega a ter um custo maior que o do próprio material. Atualmente, a alternativa mais viável para a construção civil é o uso de areia de brita, que aproveita parte do material de descarte das minerações. Porém, ela é vista com restrições para a produção de concreto polimérico.

Testes mostram que a areia de vidro realça as propriedades do concreto polimérico

Os testes na Deakin School of Engineering mostram que o uso da areia a partir da reciclagem do vidro realça as propriedades do concreto modificado com polímero, que são:
– Elevada aderência nos pontos de ligamento entre um concreto pré-existente e um concreto novo, nos casos de recuperação estrutural
– Resistência química e à abrasão (tráfego de pedestres)
– Resistência à flexão e tração
– Permeabilidade e módulo de elasticidade reduzido
– Excelente propriedade dielétrica
– Baixa porosidade e absorção de água
– Resistência a gelo/degelo

Por isso, o concreto polimérico é recomendado para áreas com tráfego intenso, como estações de trem, de metrô, rodoviárias e aeroportos. No Brasil, o produto ainda é pouco utilizado. Por duas razões: o número reduzido de pesquisas sobre o material e o custo das resinas usadas na mistura. No entanto, na Ásia, o concreto polimérico está presente em usinas nucleares, obras marítimas, tanques industriais e sistemas de abastecimento de água. A resistência, a durabilidade e a ductilidade têm levado ao crescimento do concreto polimérico em obras de infraestrutura. 

Entrevistado
Reportagem com base em publicação da pesquisa desenvolvida na Deakin School of Engineering

Contato: hos-eng@deakin.edu.au

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