Pesquisa traça panorama da maturidade digital na construção

73% das empresas brasileiras do setor ainda estão no estágio iniciante ou tradicional da maturidade digital

O BIM Fórum Brasil (BFB) divulgou os resultados da Pesquisa Nacional de Maturidade Digital de Incorporadoras e Construtoras, um estudo que apresenta um panorama inédito e integrado sobre o estágio de digitalização das empresas da construção civil no país. O levantamento reuniu informações coletadas entre setembro e outubro de 2025, abrangendo todas as regiões do Brasil.

“A primeira pesquisa foi lançada em 2022, com foco nos profissionais do setor. Em 2024, o estudo foi ampliado e passou a analisar de forma mais diversificada o nível de maturidade do mercado, incluindo uma pesquisa abrangente sobre a adoção do BIM nos municípios brasileiros. Agora, em 2025, lançamos a terceira edição, direcionada especificamente ao segmento de construtoras e incorporadoras — um dos principais motores da adoção do BIM no Brasil. Se, por um lado, o poder público exerce um papel relevante como grande contratante e indutor das iniciativas governamentais, por outro, construtoras e incorporadoras representam a força da iniciativa privada. Os resultados dessa pesquisa são decisivos para orientar estratégias, acelerar a tomada de decisão e impulsionar o avanço da digitalização no setor”, informa Rodrigo Koerich, presidente do BIM Fórum Brasil.

Resultados da Pesquisa BIM Fórum Brasil sobre a maturidade digital

A pesquisa contou com a participação de 130 empresas e apresenta um retrato aprofundado do nível de maturidade digital do setor. Os resultados indicam que, independentemente do porte, a ampla maioria das empresas participantes enquadrou-se em dois dos cinco perfis estabelecidos: iniciante (48,5%) ou tradicional (24,6%). Segundo o critério da pesquisa, as empresas classificadas como tradicionais operam em modelos analógicos sem consciência estratégica consolidada sobre a necessidade da digitalização, enquanto as iniciantes já despertaram para a transformação, mas ainda carecem de estrutura para escalar suas iniciativas informais e reativas. Isso indica que ainda enfrentam barreiras básicas tanto de adoção tecnológica como de mobilização estratégica para a transformação. 

De acordo com pesquisa, a transformação digital não varia de forma qualitativa entre os diferentes portes de empresa.
Crédito: Envato

Para Natália Nakamura, do GT3 do BIM Fórum Brasil, apesar de haver uma intenção das empresas em inovar, ainda existe uma grande distância entre essa vontade e a capacidade real de execução. “Uma grande lacuna que conseguimos perceber é o desafio da execução prática da inovação dentro das empresas”, pontua.

Entre os perfis que indicam evolução na maturidade digital, apenas “com liderança mobilizada” (13,1%) e “convergentes” (13,5%) têm presença relevante na amostra, o que indica que o avanço digital no setor ocorre principalmente pela dimensão estratégica, e não por iniciativas isoladas de tecnologia. O perfil com liderança mobilizada evidencia forte patrocínio executivo e visão clara de transformação, ainda que com limitações operacionais, enquanto os convergentes demonstram maior equilíbrio entre estratégia e técnica, integrando a digitalização de forma efetiva à operação. Já o perfil com base técnica estruturada é pouco representativo (0,8%), reforçando que investimentos tecnológicos sem articulação estratégica não têm sido uma rota eficaz de transformação digital.

“Hoje, já existe uma compreensão mais madura da dimensão digital da construção e da incorporação, que deixa de ser apenas intermediária e se destaca como o bloco de melhor desempenho relativo em todo o diagnóstico. Esse resultado indica que vêm funcionando as ações de sensibilização promovidas por instituições do setor, especialmente ao aproximar os tomadores de decisão das empresas das melhores práticas metodológicas e tecnológicas em ambiente digital”, afirma Laura.

A pesquisa também avaliou quatro eixos: prontidão estratégica digital, cultura e capacidades digitais, infraestrutura digital e inteligência de dados, e processos eficientes e integrados. O estudo mostrou ainda, um descompasso relevante entre o discurso e a intenção estratégica das empresas e a efetiva entrega de resultados na prática.

A prontidão estratégica digital apresenta a maior média (1,93), indicando que as empresas reconhecem a importância da digitalização e possuem uma visão estratégica inicial sobre o tema. Em contrapartida, processos eficientes e integrados registram a menor pontuação (1,45), revelando dificuldade em transformar essa intenção em práticas digitais concretas no negócio. Cultura e capacidades digitais (1,80) e infraestrutura digital e inteligência de dados (1,76) ficam em um patamar intermediário, mostrando que as bases humanas e tecnológicas ainda estão em construção. Esse desempenho geral, com médias abaixo da metade da escala, explica a concentração das empresas nos estágios iniciais da jornada digital.

“Em suma, avaliamos que as empresas têm mais preparo para empreender um esforço de capacitação digital do que resultados operacionais. Isso significa que há mais preparo para começar a se transformar digitalmente do que capacidade de captar resultados operacionais nas atividades ou processos críticos”, afirma Laura Lacaze, diretora da TresT Consultoria.

Outro resultado apontado pela pesquisa foi de que a transformação digital não varia de forma qualitativa entre os diferentes portes de empresa, mas sim em termos de desempenho médio. Pequenas, médias e grandes organizações concentram-se majoritariamente nos perfis tradicionais e iniciantes e enfrentam desafios semelhantes, como processos fragmentados, baixa integração de dados e necessidade de aculturamento digital. As maiores diferenças aparecem nos eixos de infraestrutura digital e inteligência de dados e de processos eficientes e integrados, indicando um ponto crítico: a maturidade operacional das grandes empresas é frequentemente limitada pelas restrições digitais dos pequenos negócios com os quais se relacionam.

O compromisso estratégico com a transformação digital ainda apresenta fragilidades. “Os dados mostram dificuldades em transformar essa visão em iniciativas concretas, com estrutura, metas e acompanhamento de desempenho. A transformação digital não é simples nem imediata: não se resume à contratação de um software ou à realização de um treinamento pontual. Ela exige a construção de um processo estruturado, com prazos definidos, resultados esperados, alocação de recursos humanos e materiais, além de indicadores capazes de medir o que funciona e o que precisa ser ajustado. O principal gargalo identificado — e que se configura como um dos focos centrais de atuação institucional — está justamente no apoio às empresas para materializar essa visão, estruturando ações que permitam sair do estágio atual e avançar de forma consistente para onde desejam estar nos próximos cinco anos”, conclui Laura.

Fontes

Rodrigo Koerich é presidente do BIM Fórum Brasil.

Natália Nakamura integra o GT3 do Bim Fórum Brasil.

Laura Lacaze é diretora da TresT Consultoria.

Contato

contato@bimforum.org.br

Jornalista responsável: 
Marina Pastore – DRT 48378/SP 
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