Obediência às normas técnicas são fundamentais para reduzir danos de eventos climáticos intensos

Prejuízos decorrentes de ciclones, tornados e vendavais evidenciam a importância de edificações projetadas para resistir às cargas impostas pelo vento

Os eventos climáticos que atingiram a Região Sul nos últimos meses, incluindo ciclos de tempestades com tornados, granizo e vendavais, somaram prejuízos estimados ultrapassam os R$ 335 milhões, com quase 4,8 mil casas danificadas ou destruídas e 23,3 mil pessoas afetadas entre desalojados e desabrigados, de acordo com levantamento feito pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM). O Paraná concentrou mais de 96% desses prejuízos, com mais de R$ 323,5 milhões e 16 municípios em situação de anormalidade, liderados por Rio Bonito do Iguaçu, onde mais de 80% da população sofreu impacto e seis pessoas perderam a vida nos fenômenos.

Embora a intensidade dos eventos climáticos, cada vez mais frequentes e severos, represente um fator externo inevitável, engenheiros destacam que grande parte dos colapsos estruturais registrados poderiam ser evitada caso as construções fossem devidamente projetadas e executadas para resistir às cargas impostas pelo vento e outros esforços ambientais, previstos em norma.

O engenheiro Gilberto Luiz, especialista em patologia de edificações, informa que os acidentes começam a acontecer quando as pressões alcançam patamares inferiores a 20% do que efetivamente as edificações deveriam resistir. “Estruturas mal dimensionadas e com fixações inadequadas sucumbem até mesmo a ventos de 60 km/h, que são relativamente comuns no Sul do país”, observa.

Município de Rio Bonito do Iguaçu (PR) foi um dos mais afetados pelo tornado.
Crédito: Roberto Dziura Jr/AEN

O que estabelecem as normas técnicas

A ABNT NBR 6123 define critérios para o dimensionamento das edificações frente às ações do vento, considerando características locais e da construção. No Brasil, a velocidade básica do vento varia conforme a região, podendo atingir cerca de 30 a 48 m/s (108 a 173 km/h), com ajustes normativos que asseguram a segurança e o desempenho estrutural frente a ventos extremos. Esses ajustes consideram fatores como localização geográfica, climatologia, topografia, tipo de terreno, altura, uso e vida útil da construção.

A norma não atua isoladamente. Ela é parte de um conjunto que inclui também padrões de projeto e execução para estruturas de concreto, aço e madeira, além das diretrizes de desempenho que garantem segurança, funcionalidade e durabilidade frente a cargas ambientais variadas.

Construções fora da norma ampliam riscos

O cumprimento integral dessas normas é determinante para evitar a transição de danos localizados para cenários de colapso com perdas humanas e materiais. Sistemas de cobertura com fixações subdimensionadas, estruturas leves sem o devido contraventamento e detalhamentos construtivos inadequados aumentam significativamente a vulnerabilidade das edificações às ações do vento, favorecendo o desprendimento de componentes e a ocorrência de falhas progressivas, com riscos diretos à segurança de usuários, ocupantes e transeuntes. Gilberto Luiz destaca que “o vento pode tanto pressionar coberturas e paredes para baixo quanto arrancá-las, quando o esforço ocorre de baixo para cima”, enfatizando a necessidade de atenção a esforços horizontais e de sucção que muitas vezes não são considerados em projetos simplificados.

Resiliência começa no projeto

O balanço de prejuízos evidencia um cenário mais amplo: além de perdas diretas no setor habitacional, os impactos econômicos sobre serviços públicos, atividades produtivas e infraestrutura aumentam a vulnerabilidade das comunidades afetadas.

Em regiões suscetíveis a ciclones extratropicais, tornados e ventos intensos, investir em projetos tecnicamente adequados e na execução rigorosa conforme as normas brasileiras torna-se não apenas uma exigência legal, mas uma estratégia essencial de resiliência urbana e social. O fortalecimento das edificações constitui elemento central dos processos de adaptação às mudanças climáticas e de redução de riscos em áreas expostas a eventos extremos.

Entrevistado

Gilberto Luiz é graduado em Engenharia Civil pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), especialista em Patologia nas Obras Civis e Engenharia de Estruturas, diretor técnico da empresa Ad Fiducia Avaliações e Perícias de Engenharia, professor de cursos de pós-graduação e extensão na área de ensaios tecnológicos, inspeção de estruturas e perícias de engenharia, membro do Instituto Catarinense de Avaliações e Perícias de Engenharia (Ibape/SC).

Contato
contato@adfiducia.com.br

Jornalista responsável
Ana Carvalho
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