O que deve compor um Relatório de Sustentabilidade

Saiba como transformar o relatório em uma ferramenta útil de gestão e relacionamento

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Se há alguns anos a questão chave das empresas era “devemos fazer um Relatório de Sustentabilidade?”, hoje a pergunta é “como fazer e o que fazer com o Relatório de Sustentabilidade?”.

“O relatório é importante para acompanhar e avaliar a eficiência de seus negócios por meio de indicadores que podem ser comparados” Beatriz Bulhões, vice-presidente da CEBDS.
Beatriz Bulhões

Atualmente, o Relatório de Sustentabilidade é utilizado pelas principais empresas do mundo como forma de demonstrar uma conduta ética, transparente e responsável. Porém, mais do que expor ao público as atividades e o desempenho da empresa nas áreas sociais, ambientais e econômicas, o Relatório de Sustentabilidade é um importante instrumento estratégico para tomadas de decisão.

Para Beatriz Bulhões, Vice-Presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o relatório “é sim, uma ferramenta de comunicação do desempenho ambiental, econômico e social. Mas é também uma ferramenta de gestão, de acompanhamento e avaliação da eficiência de seus negócios por meio de indicadores que podem ser comparados ano a ano ou mesmo com indicadores de outras empresas. A partir disso, a empresa pode identificar tendências de ação, redefinir metas e evitar retrocessos da companhia dentro do conceito de desenvolvimento sustentável”.

Durante a elaboração do relatório, Beatriz Bulhões recomenda que os responsáveis mantenham um diálogo aberto com os grupos de interesse da empresa. “O objetivo é promover o entendimento do negócio, dando transparência aos impactos e riscos das atividades da empresa proporcionando maior credibilidade e eficácia no relacionamento com esses stakeholders, e mais segurança nas decisões sobre investimentos, por exemplo”.

Ela explica que há vários modelos de Relatórios de Sustentabilidade. O mais difundido e aceito mundialmente é o modelo GRI (Global Reporting Initiative). A vice-presidente do CEBDS ressalta que, conforme as diretrizes do GRI, o relatório deverá refletir os aspectos positivos e negativos do desempenho ambiental, social e econômico da organização, além de suas estratégias, política de governança e formas de gestão, de modo a permitir uma avaliação equilibrada do desempenho geral.

Dicas para fazer um Relatório de Sustentabilidade transparente e de credibilidade

* Apresentar os ganhos e também as perdas da empresa durante o exercício em relação às atividades sociais, ambientais e econômicas;
* Informar se os objetivos previstos pela empresa foram ou não atingidos;
* Comunicar, de forma transparente, se há coerência entre a política de sustentabilidade corporativa e o cumprimento das ações no período;
* Definir os indicadores relevantes para seu negócio (no caso de uma empresa de construção, por exemplo, um ou mais indicadores devem abordar a utilização dos recursos naturais);
* Além de citar as boas práticas e os números positivos que demonstrem o comprometimento da organização com a Responsabilidade Social Empresarial, é fundamental que a empresa esteja preparada para apresentar um discurso consistente com o que de fato realiza;
* Divulgar dados como os riscos do negócio e que instrumentos a empresa dispõe para lidar com esses problemas;
* Além de relatar as exigências legais que a empresa deve cumprir, falar também sobre as atividades relevantes que podem ser consideradas diferenciais;
* Apresentar a intenção da empresa para os anos seguintes;
* Contar com o engajamento dos principais públicos da empresa;
* Estar consciente de que cada leitor do relatório tem um interesse específico em relação a ele;
* Ter uma linguagem simples, ser o mais claro e objetivo possível para ser de fácil compreensão a todo público de relacionamento da empresa.

Entrevistada: Beatriz Bulhões é Vice-Presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

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