NY inova e reserva 15% das vagas em obras para mulheres

Nos EUA, mulheres ocupam 3,4% da mão de obra empregada pela construção civil; no Brasil, não é diferente

NY inova e reserva 15% das vagas em obras para mulheres

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mulher na construção civil

Em Nova York, projeto para valorizar a mulher na construção civil tende a ter influência global. Crédito: J.C. Rice/NYPost

Um programa inédito no mundo começou a operar na cidade de Nova York, nos Estados Unidos. Após acordo entre sindicatos da construção civil, prefeitura local e organizações não-governamentais, foi definido que 15% das vagas em canteiros de obras deverão ser reservadas para as mulheres na principal metrópole dos EUA. As trabalhadoras também terão direito a receber treinamento para atuar nas funções de encanador, eletricista, carpinteiro e acabamento de obras.

Atualmente, o mercado de trabalho norte-americano para mulheres representa apenas 3,4% da mão de obra empregada pela construção civil no país, incluindo as engenheiras civis. É o que mostram dados do Bureau Federal of Labor Statistics. São 285 mil trabalhadoras, em um universo de 8,3 milhões de empregados da construção civil nos EUA. Apesar de ser um ambiente ainda altamente dominado pelos homens, o setor observa que a entrada da mulher na indústria da construção só faz crescer. De 2008 a 2018, as vagas ocupadas por profissionais do gênero feminino aumentaram 31%.

A luta das mulheres para conseguirem trabalhar na construção civil dos EUA teve um marco em 1985, quando 19 trabalhadoras recorreram ao tribunal federal de Manhattan sob a alegação de que a prefeitura de Nova York se negou a contratá-las por que eram mulheres.  A decisão favorável à causa feminina abriu as portas para que pudessem atuar em canteiros de obras. No entanto, os salários seguem, em média, 30% menores que os oferecidos aos homens.

Salário da mão de obra feminina na construção civil brasileira é, em média, 33% menor

A realidade nos Estados Unidos não é diferente para as mulheres que atuam na construção civil no Brasil. De acordo com os dados mais recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), o gênero feminino que atua na cadeia produtiva do setor ganha, em média, 33% menos que os homens. A diferença salarial, no entanto, não é motivo para elas desistirem de aumentar a presença nos canteiros de obras. O mercado para as mulheres cresceu 120% em pouco mais de 10 anos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2007 havia 109.006 trabalhadoras registradas. Em 2018, eram 239.242.

Uma das razões é que a “Lei das Domésticas”, promulgada em 2013, passou a estimular ainda mais o fluxo de mulheres em direção à construção civil. A procura mais intensa de trabalhadoras por uma área antes vista como exclusivamente masculina torna o cenário bem diferente do encontrado pelas pioneiras da engenharia civil na primeira metade do século 20. Uma das protagonistas foi Enedina Alves Marques, a primeira mulher negra a se formar engenheira civil no país, pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), em 1945. Antes dela, em março de 1917, formava-se na Escola Polythecnica do antigo Distrito Federal – hoje Escola Politécnica da UFRJ – a primeira mulher engenheira civil do Brasil: Edwiges Maria Becker Hom’meil.

Entrevistado
– Building and Construction Trades Council of Greater New York (organização sindical de NY que engloba trabalhadores da construção civil)
(via assessoria de imprensa)
– Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
(via assessoria de imprensa)

Contatos
@ NYCBldgTrades
(Twitter)
rbarletta@marinopr.com
(email da assessoria)
comunica@ibge.gov.br
(email da assessoria)

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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