Nova classe C exerce pressão por mais moradias

Até 2022, Brasil vai precisar construir pelo menos 20 milhões de habitações para suprir demanda da população que ascende socialmente.

Até 2022, Brasil vai precisar construir pelo menos 20 milhões de habitações para suprir demanda da população que ascende socialmente

Por: Altair Santos

Segundo dados preliminares da Fundação João Pinheiro, que desenvolve trabalho encomendado pelo ministério das Cidades para recalcular o déficit habitacional brasileiro, há um novo fenômeno ocorrendo no país. Apesar de a pressão demográfica ter diminuído, cresce a demanda por novas moradias. Isso se deve ao surgimento da nova classe C, que, em função da ascensão social, está trocando a coabitação familiar pela compra de imóveis próprios. “Famílias recém formadas, e que moravam com parentes próximos, estão, em função do aumento da renda, buscando a casa própria”, relata Rafael Tello, coordenador técnico do Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade na Construção, ligado à Fundação Dom Cabral.

Rafael Tello, da Fundação Dom Cabral: só com industrialização a construção civil atenderá o mercado.

Tello esteve entre os palestrantes do Concrete Congress – evento paralelo ao Concrete Show, que aconteceu de 29 a 31 de agosto em São Paulo. De acordo com dados apresentados pelo especialista, até 2022, para dar conta dessa demanda gerada pela nova classe C, o Brasil vai precisar construir 22 milhões de moradias. Isso deverá impor mudanças ao setor da construção civil. “Conceitos como industrialização habitacional, desempenho, sustentabilidade e preço competitivo terão de ser observados pelas empresas, o que deverá influenciar na forma como elas fazem a gestão de suas obras”, avalia o professor e pesquisador da Fundação Dom Cabral.

Para atingir a meta de suprir a demanda por habitações, a construção civil nacional tem entre os principais desafios a capacitação da mão de obra. “Hoje vivemos quase um analfabetismo profissional. O setor precisa aumentar em 3% ao ano a produtividade do trabalho. De que forma as empresas podem atingir esse objetivo? Adotando gestão, plano de carreiras e competitividade salarial para atrair trabalhadores de outros setores e gerar qualificação suficiente para que a industrialização encontre um ambiente favorável na construção habitacional“, analisa Rafael Tello.

Outra ação necessária é a busca por inovação. Atualmente, o SINAT (Sistema Nacional de Avaliação Técnica) financia até 500 unidades que utilizem sistemas inovadores da construção. Já a Caixa Econômica Federal decidiu desburocratizar a liberação de recursos para obras que utilizam paredes de concreto e painéis pré-moldados. “Há um ambiente melhor para inovar, mas ainda existem barreiras para a industrialização. Dificuldades para realizar ensaios em laboratórios e materiais fabricados em desacordo com as normas estão entre elas. Os códigos de obras dos municípios também são empecilhos. Não há padronização, o que impede a produção em escala. É preciso superar isso para que na próxima década alcancemos a sustentabilidade do território urbano, reduzindo o déficit habitacional“, finaliza Rafael Tello.

Entrevistado
Rafael Tello, coordenador técnico do Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade na Construção, da Fundação Dom Cabral
Currículo
– Rafael Tello é graduado em Ciências Econômicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Tem pós-graduação em negócios internacionais pela Fundação Dom Cabral e MBA em gestão da sustentabilidade pela Leuphana Universitaet (Alemanha)
– Professor e pesquisador, atua como coordenador técnico do Centro de Desenvolvimento da Sustentabilidade na Construção, parte do Núcleo Petrobras de Sustentabilidade da Fundação Dom Cabral
– Foi coordenador técnico do SGC (Programa Sustentabilidade para Gestores na Construção) da Fundação Dom Cabral, realizado em 2009
– Foi pesquisador assistente no Núcleo de Inovação e Competitividade da Fundação Dom Cabral
Contato: rafaeltello@fdc.org.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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