Normas da ABNT atualizam requisitos para blocos de concreto e pavimentos intertravados e permeáveis

Revisões tornam o controle de qualidade mais rigoroso e incorporam aspectos ambientais

Em 2026, revisões das séries NBR 6136 e NBR 9781, NBR 15953 e da série NBR 16416 atualizaram requisitos para blocos de concreto, pavimentos intertravados e pavimentos permeáveis. As mudanças são resultado de um trabalho desenvolvido ao longo de quase três anos, com participação de representantes da indústria, universidades, laboratórios e entidades técnicas.

As atualizações trazem mudanças que impactam fabricantes, projetistas, construtoras e empresas responsáveis pela execução e manutenção desses sistemas. Entre as principais novidades estão alterações nos critérios de desempenho e resistência, aperfeiçoamentos nos procedimentos de inspeção, amostragem e ensaios, além da atualização de requisitos para execução e manutenção.  As normas de produtos, especialmente as NBR 6136 e NBR 9781, também passam a incorporar critérios e indicadores relacionados ao desempenho ambiental, ampliando a abordagem de sustentabilidade na avaliação dos componentes de concreto. 

Para Cláudio Oliveira Silva, mestre em Engenharia Civil e gerente de inovação e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), a atualização acompanha a própria evolução da construção civil.

“A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) tem como diretriz que todas as normas nacionais devem ser revisadas ou revalidadas a cada cinco anos”, pontua.

Segundo ele, o processo de revisão deve considerar a evolução tecnológica dos materiais, equipamentos e práticas construtivas, tendo como objetivo o aprimoramento do desempenho dos sistemas construtivos. 

O trabalho foi conduzido pelos comitês ABNT/CB-018 (Comitê Brasileiro de Cimento, Concreto e Agregados) e ABNT/CB-002 (Comitê Brasileiro da Construção Civil).  

Blocos de concreto ganham critérios mais claros

Entre as principais novidades estão alterações nos critérios de resistência e métodos de controle de qualidade.
Crédito: Envato

Na ABNT NBR 6136, que trata dos blocos vazados de concreto destinados à execução de alvenaria com ou sem função estrutural, foram mantidas três classes de blocos, mas os critérios de classificação e destinação foram atualizados.

A classe A, com resistência característica à compressão igual ou superior a 8,0 MPa, permanece destinada à alvenaria estrutural e permite utilização abaixo do nível do solo. A classe B, com resistência entre 4,0 MPa e 6,0 MPa, também é destinada à alvenaria estrutural, mas sem essa permissão. Já a classe C, com resistência mínima de 3,0 MPa, pode ser utilizada em alvenaria estrutural ou de vedação, desde que acima do nível do solo. Para a utilização estrutural da classe C, entretanto, a norma estabelece limitações de acordo com a largura do bloco e o número de pavimentos da edificação.

“Um ponto de atenção prática é que a altura dos blocos utilizados no encontro da parede com a laje passa a poder ser definida entre fornecedor e consumidor, em função do projeto”, explica Silva.

Segundo o gerente de Inovação e Sustentabilidade da ABCP, essa possibilidade é relevante porque não existe um padrão único para o pé-direito das edificações, permitindo adequar a altura desses componentes às necessidades específicas do projeto.  A revisão também estabelece raios mínimos para as mísulas dos blocos vazados: 40 mm para as classes A e B e 20 mm para a classe C. 

Outro aspecto alterado envolve a absorção de água. A atualização mantém critérios para essa propriedade, mas o ensaio passa a ter caráter opcional na sistemática estabelecida para qualificação e controle dos produtos. Já o índice de absorção inicial de água não possui critério de aceitação na nova edição e seu resultado pode ser utilizado pelo projetista na avaliação do potencial de aderência de um eventual sistema de revestimento aplicado à alvenaria.

“Este requisito está diretamente relacionado com o potencial de aderência entre o bloco e a argamassa”, comenta Silva.

A mudança considera, segundo o especialista, as condições climáticas brasileiras e a relevância prática da propriedade para o desempenho do sistema. 

Novo critério aumenta rigor no controle de qualidade

A revisão da ABNT NBR 9781, que estabelece requisitos para componentes vibroprensados de concreto destinados à pavimentação intertravada e à pavimentação intertravada permeável, introduziu mudanças importantes nos critérios de avaliação e aceitação dos produtos. A revisão também foi acompanhada pela publicação da ABNT NBR 9781-2:2026, que estabelece os métodos de ensaio aplicáveis aos componentes. 

Uma das alterações mais relevantes está no critério estatístico para aceitação da resistência característica à compressão. O novo procedimento modifica a forma de avaliação dos lotes e reduz a possibilidade de que valores médios elevados compensem resultados individuais ou uma maior dispersão dos resultados.

Silva explica que o modelo anterior permitia que uma média elevada compensasse desvios-padrão maiores. “Isso, na prática, possibilitava a aprovação de lotes com peças com resistências abaixo do valor adequado”, pondera. 

A norma revisada passou a adotar uma abordagem não paramétrica, com amostragem parcial. Para o especialista, a mudança torna o critério mais rigoroso e reduz a margem para compensação estatística.

“Isso deve exigir maior controle de processo na fabricação, para evitar desvios elevados de resistência entre as peças de um mesmo lote”, afirma.

Os valores mínimos de resistência continuam organizados conforme à solicitação de uso. Peças de concreto destinadas à pavimentação intertravada devem atingir pelo menos 35 MPa para tráfego de pedestres, veículos leves e o mínimo de 50 MPa para tráfego intenso ou abrasivo.  

Pavimentos permeáveis: novos parâmetros de desempenho

As alterações também chegam aos pavimentos permeáveis. A atualização da norma introduziu novos critérios para avaliação do desempenho hidráulico dos sistemas e aprimorou conceitos relacionados à infiltração, permeabilidade, dimensionamento hidráulico e manutenção. 

A ABNT NBR 16416 foi reorganizada em partes.  A NBR 16416-1:2026 estabelece requisitos para a execução de pavimento permeável intertravado, enquanto a NBR 16416-2:2026 trata da execução de pavimento permeável de concreto moldado no local. A nova estrutura substitui a NBR 16416:2015, que foi cancelada em 27 de fevereiro de 2026.

Na avaliação de Silva, a atualização aproxima os parâmetros brasileiros de referências internacionais e estabelece critérios mais objetivos para acompanhar o desempenho dos sistemas.

Um dos pontos destacados pelo gerente de Inovação e Sustentabilidade da ABCP é a diferenciação entre taxa de infiltração e permeabilidade. A primeira corresponde à velocidade com que a água penetra através da superfície do pavimento, podendo ser reduzida ao longo do tempo em razão da colmatação dos poros e vazios do sistema. Já a permeabilidade está relacionada à facilidade com que um meio poroso permite a passagem da água, dos poros e vazios do sistema.

Execução e manutenção também entram no foco

A revisão da ABNT NBR 15953, voltada à execução de pavimentos intertravados, detalha requisitos relacionados à paginação, camada de assentamento, juntas e manutenção.

Para pavimentos sujeitos ao tráfego de veículos, por exemplo, a definição do padrão de assentamento deve considerar as características do projeto, as condições de tráfego e as contenções do pavimento. Entre os arranjos possíveis está o padrão em espinha de peixe, que contribui para o intertravamento das peças e pode ser orientado conforme as condições estabelecidas em projeto.

 A norma também estabelece requisitos para instalações mecanizadas. Silva chama atenção ainda para os requisitos relacionados às juntas e à camada de assentamento, incluindo espessura, material de rejuntamento, umidade e granulometria.

“A camada de assentamento deve ter espessura de (4 ± 1) cm na condição não compactada”, explica, destacando que ela deve ser espalhada uniformemente, sem compactação prévia. 

A manutenção passa a ser tratada de forma mais detalhada. O projeto deve estabelecer sua periodicidade de acordo com as condições de exposição e o tráfego, incluindo procedimentos de limpeza, recomposição de rejuntamento e reparos localizados. 

Sustentabilidade ganha espaço nas normas

Um dos avanços destacados na revisão é a inclusão de requisitos relacionados ao desempenho ambiental.

As normas ABNT NBR 6136 e ABNT NBR 9781 passaram a recomendar que fabricantes informem indicadores ambientais de seus produtos, calculados segundo a metodologia da ABNT NBR 14025. Entre os indicadores estão emissões de CO, demanda de energia primária, consumo de água e geração de resíduos. 

Para Silva, essa mudança representa um passo importante para o setor. “A inclusão de requisitos de desempenho ambiental, mesmo que como opcional, é um marco importante no mercado de materiais de construção no Brasil”, destaca.

A adoção desses indicadores também pode contribuir para que projetistas e especificadores disponham de informações adicionais para comparar soluções e considerar aspectos ambientais na escolha dos materiais,complementando os critérios tradicionais de desempenho técnico, funcionalidade, durabilidade e custo.

Fonte

Cláudio Oliveira Silva é Mestre em Engenharia Civil e Gerente de Inovação e Sustentabilidade da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Atuou na coordenação das normas ABNT c13c, ABNT S781, ABNT 15S53 e ABNT 1c41c, com secretaria do Eng. Fernando Dalbon – Gerente da Ǫualidade da ABCP. 

Contato

claudio.silva@abcp.org.br

Jornalista responsável: 

Marina Pastore – DRT 48378/SP

Vogg Experience 



Massa Cinzenta

Cooperação na forma de informação. Toda semana conteúdos novos para você ficar por dentro do mundo da construção civil.

Veja todos os Conteúdos

Cimento Certo

Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.
Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.

Cimento Portland pozolânico resistente a sulfatos – CP IV-32 RS

Baixo calor de hidratação, bastante utilizado com agregados reativos e tem ótima resistência a meios agressivos.

Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-32

Com diversas possibilidades de aplicações, o Cimento Portland composto com fíler é um dos mais utilizados no Brasil.

Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-40

Desempenho superior em diversas aplicações, com adição de fíler calcário. Disponível somente a granel.

Cimento Portland de alta resistência inicial – CP V-ARI

O Cimento Portland de alta resistência inicial tem alto grau de finura e menor teor de fíler em sua composição.

descubra o cimento certo

Cimento Certo

Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.
Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.

descubra o cimento certo