No Japão, painéis ultrafinos de concreto revestem edifício
Material usado na produção dos elementos atende pelo nome de HPC, abreviatura de hybrid protended concrete

Crédito: Toshiyuki Yano Photography
O incêndio de um prédio em Londres, que em 2017 causou 79 mortes, desencadeou pesquisas de materiais corta-fogo para o uso em fachadas. No Japão, foi desenvolvido o painel de concreto ultrafino de 3,8 centímetros que reveste um edifício residencial de 11 pavimentos na cidade de Yokohama. O material utilizado é o HPC (abreviatura de hybrid protended concrete [concreto protendido híbrido]) e, como inovação, utiliza fibra de carbono entre seus componentes.
Por causa da eficácia como elemento corta-fogo, e de seu desempenho termoacústico, os painéis revestem, além da fachada, o interior do edifício – tanto as paredes de vedação quanto o teto que encobre as lajes, substituindo placas de gesso acartonado. O material segue a rigorosa legislação do Japão contra incêndio. Uma das exigências é que todo o edifício recentemente construído, independentemente do número de pavimentos, tenha sacada nos apartamentos. A obrigatoriedade não é apenas estética ou arquitetônica, mas serve como ponto de resgate para os bombeiros.

Crédito: Toshiyuki Yano Photography
No caso do edifício residencial Kannai Blade, além de atender a norma contra incêndio, os projetistas decidiram colocar brises nas sacadas, para que funcionassem como elementos corta-fogo. Obviamente, os anteparos deveriam ser com materiais resistentes ao fogo. Na construção civil, o melhor deles é o concreto. Foi o que levou o escritório de arquitetura Key Operation Inc., responsável pelo projeto do edifício, a buscar os painéis de HPC da Kooge Concrete, que em 2020 patenteou os elementos ultrafinos.
Fabricante alerta que o concreto protendido híbrido não tem desempenho estrutural
O engenheiro civil Fujio Kawamoto, responsável pelo departamento técnico da Kooge Concrete, detalha as características do HPC. “A espessura do HPC é minimizada com o uso de fios de carbono protendidos na estrutura, o que permite atingir a espessura de 38 milímetros. A razão do nome ‘híbrido‘ deve-se à formulação do concreto, que inclui um expansor e fibras de reforço à base de polipropileno em seu interior. Isso dá flexibilidade e tenacidade ao concreto”, explica.

Crédito: Kooge.co
Kawamoto também explica que outra característica importante do material é que ele permite produzir peças para várias finalidades, como beirais, molduras para janelas, brises, paredes de vedação, fachadas e tetos. O engenheiro revela ainda que a produção das placas tem relação água-cimento de 0,28 e cada placa pode atingir no máximo 2 metros de largura e 7 metros de comprimento. A Kooge Concrete produz o HPC sob encomenda e, dependendo do volume de placas, a produção pode levar de 45 dias a 90 dias.
O fabricante alerta que o HPC não pode ser usado como concreto estrutural. Quanto ao custo, apesar de a produção dos painéis serem praticamente artesanais, o arquiteto Jin Hosoya, que atuou como consultor do escritório Key Operation para o uso de HPC, cita que economizou 300 milhões de ienes – cerca de 2,7 milhões de dólares – no projeto de fachada do residencial Kannai Blade. “A economia veio através da redução de custo de mão de obra para a instalação dos elementos ultrafinos de concreto”, diz.

Crédito: Kooge.co
Entrevistado
Key Operation Inc., escritório de arquitetura, e Kooge Concrete (via departamentos de comunicação)
Contato
info@keyoperation.com
https://kooge.co/contact/
Jornalista responsável:
Altair Santos MTB 2330
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