Mercado imobiliário consolida posição como reserva de valor em cenário de juros altos e instabilidade econômica
Mesmo com juros elevados, imóveis podem contribuir para diversificação e construção patrimonial
A manutenção das taxas de juros em patamares elevados tem levado muitos investidores a direcionar recursos para aplicações de renda fixa. Ao mesmo tempo, a volatilidade dos mercados financeiros, somada às incertezas do cenário econômico e geopolítico, tem reforçado por outras classes de ativos. É justamente nesse cenário que o mercado imobiliário se apresenta como uma alternativa para diversificação, preservação patrimoniale potencial de valorização no médio e longo prazo.
Embora os ativos financeiros possam oferecer rentabilidade competitiva em determinados ciclos econômicos, especialistas avaliam que os imóveis mantêm características que atraem investidores com perfil mais conservador, especialmente aqueles que priorizam estabilidade, previsibilidade e proteção do capital. Na avaliação desse tipo de investimento, também é importante considerar fatores como liquidez, custos de manutenção, tributação, vacância e riscos relacionados à localização e às condições do mercado.
Para Diogo Camargo, sócio-fundador da Porto Camargo Engenharia, cliente da Concrebras, o comportamento do mercado nos últimos anos demonstra que o setor imobiliário continua sendo uma alternativa relevante para quem busca segurança patrimonial. “A grande volatilidade e instabilidade nos mercados de capitais, reflexo direto dos recentes conflitos internacionais e do ambiente político interno, trazem sempre a segurança do investimento em imóveis como o porto seguro para todos os cenários“, afirma.
Segundo ele, justamente nos momentos de maior incerteza econômica cresce o interesse por ativos reais, menos suscetíveis às oscilações diárias observadas nas bolsas de valores e em outros mercados financeiros.

Investimento imobiliário vai além da compra tradicional
O mercado oferece atualmente diferentes modalidades para investidores interessados em participar do setor imobiliário. Além da aquisição convencional de imóveis, existem modelos que permitem participar da incorporação de empreendimentos ainda nas fases iniciais de desenvolvimento. Entre as alternativas estão investimentos em Sociedades em Conta de Participação (SCP) e em Sociedades de Propósito Específico (SPE), além de fundos imobiliários, compra de unidades em lançamento, imóveis destinados à locação de curta temporada e aquisição estratégica de terrenos.
“A diversidade de formatos amplia as possibilidades de composição de carteira, permitindo que investidores escolham modelos compatíveis com seus objetivos financeiros, horizonte de investimento e expectativa de retorno”, ressalta.
Histórico de valorização fortalece confiança dos investidores
O desempenho do mercado imobiliário de Curitiba ilustra o potencial de valorização dos imóveis ao longo do tempo. De acordo com Diogo Camargo, os resultados registrados na última década reforçam a competitividade desse tipo de ativo frente a investimentos considerados de baixo risco. “Nos últimos dez anos, os imóveis em Curitiba apresentaram uma valorização anual média de 11% ao ano, resultado que dificilmente um investimento financeiro sem riscos consiga entregar a longo prazo. Claro que, em momentos com taxa de juros alta, os investimentos financeiros são tentadores, mas, quando olhamos para o médio e longo prazo, o investimento imobiliário sempre supera as alternativas que oferecem segurança e previsibilidade de valorização similares”, destaca.
A avaliação reforça a importância de analisar o desempenho do mercado em ciclos mais longos, considerando que o os preços dos imóveis não costumam apresentar a mesma frequência de oscilação observadas nos ativos negociados diariamente.
Planejamento é fator determinante para bons resultados
Além disso, ele alerta que investir em imóveis exige estratégia e análise criteriosa. A decisão não deve estar baseada apenas na expectativa de comprar barato e vender rapidamente com lucro.

Para Diogo Camargo, o investidor deve priorizar empreendimentos consistentes e incorporadoras com histórico comprovado no mercado. “Não aconselho vislumbrar o mercado imobiliário de forma especulativa, como muitos investidores enxergam a bolsa de valores. O ideal é sempre investir nos momentos iniciais de um empreendimento, seja no pré-lançamento ou no lançamento, desde que a incorporadora seja confiável e apresente um histórico sólido no mercado, ou participar de grupos de investimento em SCPs ou SPEs de empreendimentos específicos”, afirma.
A aquisição nas fases iniciais de um empreendimento pode, em determinadas situações, proporcionar condições de entrada mais favoráveis. Para avaliar essa oportunidade, porém, é importante considerar também fatores como a experiência e a solidez da incorporadora, o desenvolvimento do projeto, os prazos de entrega, as condições de financiamento e as perspectivas de demanda.
O executivo acrescenta que o preço de entrada influencia diretamente o potencial de valorização do investimento. “Quanto menor for o custo de aquisição de quotas ou unidades, maior é a possibilidade de valorização dos ativos”, observa.
Nesse contexto, o mercado imobiliário continua sendo uma alternativa para investidores que buscam diversificação e construção patrimonial de forma consistente no médio e longo prazo. O desempenho, entretanto, depende de uma combinação de fatores, como localização, preço de aquisição, qualidade do empreendimento, condições econômicas, liquidez e estratégia adotada pelo investidor.
Entrevistado
Diogo Camargo é engenheiro civil graduado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pós-graduado em Engenharia Econômica pela FAE Business School, sócio-fundador da Porto Camargo Engenharia, atuando há mais de 26 anos no mercado imobiliário de Curitiba e região.
Contato
canaisdigitais@portocamargo.com.br
Jornalista responsável
Ana Carvalho
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