PNLT traz novos rumos ao transporte no Brasil

Plano Nacional de Logística e Transportes projeta expansão das ferrovias. Para isso, conta com participação ativa da construção civil.

Plano Nacional de Logística e Transportes projeta expansão das ferrovias. Para isso, conta com participação ativa da construção civil 

Por: Altair Santos

Lançado em 2007, o Plano Nacional de Logística e Transportes (PNLT) é o indutor do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras rodoviárias, ferroviárias e aquaviárias. O objetivo do plano, que foi elaborado pelo Centro de Excelência em Engenharia de Transportes (CENTRAN) – organismo ligado ao Ministério da Defesa – em conjunto com o Ministério dos Transportes, é reequilibrar a matriz de transporte no Brasil, dando ênfase às ferrovias. 

Com a reversão proposta pelo PNLT, a expectativa é de que até 2023 a participação do modal ferroviário cresça de 25% para 32%, que o aquaviário se eleve de 13% para 29%, que o dutoviário vá de 3,6% a 5% e o aéreo de 0,4% para 1%. Se atingidas essas metas, a participação do modal rodoviário, principalmente no transporte de cargas, cairia de 58% para 33% no país. Para tal, só o transporte ferroviário prevê investimento de R$ 50 bilhões neste período (veja quadro). 


Segundo Luiz Carlos Rodrigues Ribeiro, Coordenador-Geral de Planejamento da Secretaria de Política Nacional de Transportes, o PNLT propõe a construção de pelo menos 12 mil novos quilômetros de ferrovias até 2023. “Hoje nós temos 28 mil quilômetros e iremos para algo em torno de 40 mil”, antecipa. Ainda segundo Ribeiro, o PNLT foi elaborado procurando atender as prioridades estaduais e regionais. 

Ferrovia Norte-Sul: dormentes em concreto pré-moldado movimentam cadeia da construção civil.

Assim, vários estados também criaram seus próprios planos estaduais de logística e transporte, sintonizados com o Plano Nacional de Logística e Transportes. “A diretriz, quem dá, é o PNLT”, diz o Coordenador-Geral de Planejamento da Secretaria de Política Nacional de Transportes. Os vetores logísticos que norteiam o PNLT são: 

AEP (Aumento da Eficiência Produtiva em Áreas Consolidadas): tem como foco o abastecimento e o escoamento em áreas mais desenvolvidas (aumento de capacidade rodoviária, dragagem e administração de conflitos entre ferrovias e espaço urbano). 

Duplicação em pavimento rígido da BR 101 Nordeste: uma das obras prioritárias do PNLT.

IDF (Indução ao Desenvolvimento de Áreas de Expansão de Fronteira Agrícola e Mineral): atuará apoiando principalmente a expansão da fronteira agrícola na Região Centro-Oeste e em áreas de exploração mineral (recuperação, reconstrução de rodovias e implantação de novos eixos ferroviários). 

RDR (Redução de Desigualdades Regionais em Áreas Deprimidas): almeja, através da implantação de infraestruturas (que atuem enquanto há externalidades positivas), favorecer o desenvolvimento de regiões deprimidas como a recuperação da malha viária e a adequação de portos. 

IRS (Integração Regional Sul-Americana): busca melhorar a fluidez das infraestruturas rodoviárias através da construção de pontes em áreas de fronteira. 

Construção civil e o PNLT
O PNLT prevê um programa de obras intenso. Independentemente do modal, a construção civil tem participação ativa no que o plano estabelece. Muitos destes projetos não dispensam, por exemplo, o uso do concreto. No caso da expansão das ferrovias, a Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF) defende, o uso de dormentes em pré-moldado

Eclusa de Tucuruí, no Rio Tocantins (Pará): plano pretende expandir o transporte hidroviário no Brasil.

Além de colaborar na preservação do meio ambiente, pois substitui o dormente de madeira, o equipamento em concreto tem várias vantagens relacionadas pela ANTF. Entre elas: maior estabilidade da linha, maior vida útil do componente, capacitação para futuros aumentos de carga por eixo e compatibilidade com vários modelos de ferrovias. Ainda de acordo com a ANTF, só este ano 1,5 milhão de dormentes de concreto serão usados na expansão de linhas férreas no Brasil. 

Parte desta produção será utilizada na ampliação do ramal ferroviário interligando os estados do Paraná e Mato Grosso do Sul, onde dois novos ramais serão construídos. Segundo o presidente da Ferroeste, Maurício Querino Theodoro, a dotação de recursos para o projeto da ferrovia sairá em 2012, uma vez que parte da expansão já está contemplada no PAC e projetada pelo PNLT. 

Entrevistado
Luiz Carlos Rodrigues Ribeiro, Coordenador-Geral de Planejamento da Secretaria de Política Nacional de Transportes
Contato:
luis.ribeiro@transportes.gov.br 

Crédito: Secom/Ministérios dos Transportes 

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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