Novo PAC deve ser uma das grandes oportunidades de 2024

Paraná Concreto e Ferrovias devem ter investimentos relevantes no próximo ano
27 de dezembro de 2023

Novo PAC deve ser uma das grandes oportunidades de 2024

Novo PAC deve ser uma das grandes oportunidades de 2024 1024 683 Cimento Itambé
Investimentos em obras de infraestrutura têm impacto multiplicador na geração de renda e emprego.
Crédito: Envato

Durante a pandemia, grande força do setor de construção veio das famílias, que investiram muito em obras de reforma e pequenas construções. No entanto, em 2023, esse cenário mudou um pouco. Ao longo do ano, os investimentos em infraestrutura têm sido importantes para mitigar a queda da força das famílias, segundo Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos FGV-IBRE e sócia-gerente da Ecconit.

“Os programas governamentais trazem um certo alento quando olhamos para frente. Um dos pontos positivos são os projetos de infraestrutura, que já estão contratados. Isso também deve representar uma força para o mercado imobiliário, para o setor da construção e para a própria economia. Isso porque são investimentos que têm impacto multiplicador na geração de renda e emprego”, informa Ana Maria. 

Diante deste cenário, quais devem ser as principais oportunidades em infraestrutura?

Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)

Uma das grandes esperanças para 2024 é o novo PAC. Em agosto de 2023, foi anunciado que o programa vai investir R$ 1,7 trilhão em todos os estados do Brasil, por meio de uma parceria entre Governo Federal e o setor privado, estados, municípios e movimentos sociais. O programa foi dividido em vários eixos. No eixo Cidades Sustentáveis e Resilientes, por exemplo, prevê-se a modernização da mobilidade urbana de forma sustentável, a urbanização de favelas, esgotamento sanitário, gestão de resíduos sólidos e contenção de encostas e combate a enchentes. Espera-se um investimento de R$ 610 bilhões para este setor. Na área de Transporte Eficiente e Sustentável, estima-se um investimento de R$ 349 bilhões em rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias. 

Durante o 97º Encontro Nacional da Indústria da Construção (ENIC), o economista Cláudio Roberto Frischtak apontou que das 21 mil obras públicas no Brasil, cerca de 41% estão paralisadas. Segundo ele, esse cenário se deve a problemas de planejamento. Ele acredita que, para ser eficaz, o programa depende de quatro pontos essenciais: o projeto, incluindo tamanho e complexidade do programa; estrutura de governança; critérios de priorização; e capacidade de execução facilitada. 

Recentemente, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) publicou um manual que menciona as barreiras enfrentadas pelas edições anteriores do programa, ao mesmo tempo em que sugere iniciativas que podem contribuir com o bom andamento do novo PAC. “Os investimentos previstos são robustos e é preciso garantir espaço fiscal, aprimoramento do arcabouço legislativo e a adequada gestão do programa. É aí que entramos, para contribuir com este processo de atualização de um programa de potencial impacto de primeira ordem na vida das pessoas e na competitividade das empresas”, concluiu Carlos Eduardo Lima Jorge, vice-presidente de Infraestrutura da CBIC.

Paraná Concreto

Durante o 8º Congresso Brasileiro do Cimento, foram apresentadas as iniciativas do projeto Paraná Concreto, que visa implementar e restaurar pavimentos em rodovias de todas as áreas do estado. Para os próximos anos, de acordo com Emerson Cooper Coelho, da Assessoria do Diretor Presidente do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER), estão previstos os seguintes projetos:

  • Rodovia PRC-280, com extensão de 45 km em Whitetopping entre Clevelândia e Palmas, cuja continuação foi licitada;
  • Restauração PR-180 Goioerê – Quarto Centenário, em Pavimento Rígido com Extensão de 11,13 km, cuja licitação da obra está em homologação;
  • Projetos em elaboração de restauração de mais de 2 mil km de rodovias estaduais considerando a possibilidade de utilização de pavimento rígido.

Ferrovias

Muito tem se falado sobre a questão da sustentabilidade e um dos modais que ajuda na redução de emissões são as ferrovias. No 8º Congresso Brasileiro do Cimento, Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER) e da Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção (ABENDI), sinalizou que hoje a participação do transporte ferroviário na matriz de carga brasileira é de 20%. “E há uma previsão para dobrar esse número para 40% até 2035 e nós temos base para isso. Já temos previsões de investimentos do bloco de renovações de concessões da ordem de R$ 60 bilhões ao longo de 30 anos adicionais, mais um compromisso de que entre os cinco e dez primeiros anos, os recursos sejam despendidos na base de 80%. Todos esses projetos foram avalizados pelo Ministro atual. Então temos a segurança de que aquilo que já foi projetado no passado tem a ratificação do governo atual”, comenta.  

Fontes

Vicente Abate é engenheiro metalurgista, com mestrado em Tratamento Termomecânico de Metais pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, com MBA em Marketing pela FGV-SP e pelo Babson College dos EUA, e graduado no Programa de Desenvolvimento de Executivos, PDE pela Fundação Dom Cabral (FDC). Consultor das empresas Greenbrier Maxion e Amsted-Maxion. É presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (ABIFER) e da Associação Brasileira de Ensaios Não Destrutivos e Inspeção (ABENDI). Diretor do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (SIMEFRE), conselheiro e membro de inúmeras entidades brasileiras, dentre elas o Conselho Superior de Infraestrutura (COINFRA), e Conselho Superior da Indústria da Construção (CONSIC), ambos da FIESP, bem como do Instituto de Engenharia e Fórum Nacional da Indústria da CNI. Agraciado pelo Ministério da Infraestrutura com a Medalha Mérito Mauá (2021).

Emerson Cooper Coelho faz parte da Assessoria do Diretor Presidente do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER).

Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

Ana Maria Castelo é coordenadora de projetos FGV-IBRE e sócia-gerente da Ecconit. Mestre em Economia pela Universidade de São Paulo (USP). Desde 2010 coordena e desenvolve trabalhos e levantamentos, principalmente na área de economia da construção, incluindo estudos de caracterização e análise de cadeias produtivas, com amplo uso de bases de dados setoriais, estimação/atualização de Matrizes Insumo-Produto, inclusive em nível regional; estimativa de indicadores para a construção civil, incluindo déficit e demanda habitacionais; elaboração de análises sobre conjuntura macroeconômica e setorial.

Contatos
Ana Maria Castelo – ana.castelo@fgv.br
Assessoria de imprensa CBIC: imprensa@cbic.org.br
Emerson Cooper Coelho – emersonccoelho@der.pr.gov.br
Assessoria de imprensa ABIFER – comunicacao@abifer.org.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP

A opinião dos entrevistados não reflete necessariamente a opinião da Cia. de Cimento Itambé.

27 de dezembro de 2023

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