Maior desafio brasileiro é produzir com qualidade

Materiais em não-conformidade, serviços mal executados e projetos que levam a erros de execução ainda predominam em boa parte das obras nacionais

Materiais em não-conformidade, serviços mal executados e projetos que levam a erros de execução ainda predominam em boa parte das obras nacionais

Por: Altair Santos

O Brasil tem programas de gestão de qualidade, normas técnicas e certificadores para cobrar qualidade na construção civil. No entanto, o mercado ainda não se comporta assim. Materiais em não-conformidade, serviços mal executados e projetos que levam a erros de execução ainda predominam em parte das obras nacionais, seja de infraestrutura ou habitacional. De acordo com o engenheiro, e professor-doutor Paulo Henrique Laporte Ambrozewicz, o próprio governo federal dá mau exemplo nesta área. Ele cita o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), onde 70% das obras estão inacabadas. “O VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) de Cuiabá é um exemplo. Os vagões estão enferrujando no pátio e a obra não foi concluída. Isso é planejamento, isso é gestão de qualidade da construção. No caso desta obra, a falta de ambos”, diz.

Paulo Henrique Laporte Ambrozewicz: Brasil precisa criar padrões construtivos
Paulo Henrique Laporte Ambrozewicz: Brasil precisa criar padrões construtivos

Em palestra recente no Congresso de Inovação Tecnológica (Cintec 2015), em Joinville-SC, Paulo Laporte afirmou que o Brasil precisava criar padrões construtivos. O especialista usou os Estados Unidos como exemplo. “Lá, a obra sai com qualidade porque existe um padrão para se construir e todos seguem esse padrão”, afirmou, ao avaliar que o maior desafio brasileiro é produzir com qualidade. “Nossa indústria (a da construção civil) é nômade, pois tem processos inconstantes. Não é um processo industrial. Muda de obra para obra, seja qual for o sistema: estrutura metálica ou estrutura de concreto. Além disso, utiliza mão de obra cíclica e mal treinada para processos e serviços diferentes. Isso gera orçamentos e prazos com baixo grau de precisão, sem contar erros de estrutura e processos ruins de produção que contrariam programas de qualidade. O resultado são projetos mal executados, que geram perdas de dinheiro e de tempo”, cita.

Não é por falta de programas de qualidade que isso ocorre na construção civil brasileira. Em 1990, o país ganhou o PBQP (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade). Oito anos depois, foi criado o PBQP-H (Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade no Habitat). Mais recentemente veio o Sistema de Avaliação da Conformidade de Empresas de Serviços e Obras da Construção Civil (SiAC), que utiliza parâmetros da norma ISO 9001. “O objetivo destes programas é promover a concorrência justa, estimular a melhoria contínua, fazer o setor assumir compromissos com a qualidade dos materiais e dos serviços. Mas isso é realidade hoje? Não”, explica Paulo Laporte, lembrando que qualidade e produtividade são portas para o conhecimento. “Certificados de qualidade não se compram. Leva tempo conquistar”, completa.


Inflação compromete qualidade

Paulo Henrique Laporte Ambrozewicz: no PAC, maioria das obras está inacabada
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O palestrante avalia que há um componente cultural nesse paradigma da qualidade na construção civil. “O consumidor não quer qualidade, quer preço. É cultural. Isso gera dificuldades para construir com qualidade no Brasil”, alerta. Ele aborda ainda que o processo inflacionário pode gerar ainda mais empecilhos para que o país alcance padrões internacionais. “A inflação impacta na qualidade do empreendimento, pois o construtor quer terminar a obra rápido para não ver seu lucro se diluir. Nos anos 1980, vivemos esse cenário”, recorda. Outros obstáculos são tributos e encargos. Paulo Laporte usou um exemplo. “Uma obra que na nota fiscal custa R$ 500 mil vai gerar R$ 100 mil em impostos, R$ 200 mil para pagar a mão de obra – sendo que R$ 100 mil irão para encargos – e R$ 200 mil para a compra de materiais e o lucro do construtor. Então, para tirar sua margem, ele terceiriza os serviços, em vez de contratar diretamente. É um sistema falho? É, mas sem o qual não se sobrevive”, finaliza.

 

Entrevistado
Engenheiro civil, mestre e doutor em engenharia de produção, Paulo Henrique Laporte Ambrozewicz
Contato: contato@grupola.com.br

 Créditos Fotos: Divulgação/Cintec-Intercon 2015

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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