Após 10 anos, Japão conclui paredões contra novos tsunamis

Construções começaram em 2014, a um custo superior a 12 bilhões de dólares, e alcançam até 15 metros de altura
24 de novembro de 2020

Após 10 anos, Japão conclui paredões contra novos tsunamis

Após 10 anos, Japão conclui paredões contra novos tsunamis 1024 683 Cimento Itambé
Em Shizuoka, muralha para conter futuros tsunamis se estende por 17,5 quilômetros Crédito: Reuters

Em Shizuoka, muralha para conter futuros tsunamis se estende por 17,5 quilômetros
Crédito: Reuters

Em 11 de março de 2021 fará 10 anos que um tsunami atingiu parte do litoral japonês, devastando as cidades de Fukushima, Miyagi e Iwate. Meses antes do decênio, as prefeituras locais estão em fase de conclusão dos paredões de concreto projetados após a tragédia de 2011, para evitar novas catástrofes. Dos 370 quilômetros de muralhas planejados, foram entregues 395 quilômetros – 25 quilômetros a mais. As construções começaram em 2014, a um custo de 12 bilhões e 740 milhões de dólares. Algumas tiveram a conclusão em 2018 e outras estão em vias de serem finalizadas.

A altura dos paredões varia de 12,5 metros a 15 metros. Houve cidades não atingidas pelo tsunami de 2011, mas que foram alvos de outras ondas gigantes, que também decidiram erguer muralhas próximas do mar. É o caso de Shizuoka, onde uma estrutura com 17,5 quilômetros de extensão, e 15 metros de altura, foi recentemente concluída. Todas as construções usaram a mesma tecnologia: terra armada revestida por muros de contenção montados com peças pré-moldadas de concreto.

Obviamente, as estruturas que impedem a vista do mar dividem a população. Porém, especialistas as defendem. É o caso de Hiroyasu Kawai, diretor do departamento de engenharia do Instituto de Pesquisa de Portos e Aeroportos do Japão. O organismo estuda projetos antitsunamis desde 2004. “Os paredões vão deter os tsunamis e evitar que inundem regiões do país. Mesmo que o tsunami seja maior do que os paredões, as estruturas estão projetadas para suportar o impacto e atrasar a velocidade das inundações, dando tempo para a evacuação das cidades”, explica.

Primeiro muro para combater tsunamis no Japão foi construído entre 1972 e 1984

Paredão em construção na cidade Iwate, no Japão: estruturas de concreto pré-moldado atingem até 15 metros de altura Crédito: Reuters

Paredão em construção na cidade Iwate, no Japão: estruturas de concreto pré-moldado atingem até 15 metros de altura
Crédito: Reuters

Parte do dinheiro investido na construção dos paredões foi dividido com as prefeituras locais por empresas japonesas dos setores da construção imobiliária, da infraestrutura, de transportes ferroviários e as gigantes automobilísticas do país. Elas não apenas contribuíram com recursos como colocaram seus departamentos de engenharia para colaborar na elaboração dos projetos das muralhas. A ação conjunta concluiu que a tecnologia com terra armada, aliada a muros de contenção pré-moldados de concreto e compactação do solo com o uso de cimento – método solo-cimento – seria o mais eficaz e menos oneroso para o programa antitsunami do Japão.

O primeiro muro para combater tsunamis no Japão foi construído entre 1972 e 1984, na pequena cidade de Fudai, no norte do Japão. O então prefeito Kotaku Wamura empreendeu suas energias em uma obra que considerava essencial para a população de 3 mil habitantes: construir uma muralha com 15,5 metros de altura e 205 metros de comprimento. Sobrevivente de um tsunami que destruiu o vilarejo em 1933, Wamura gastou cerca de 30 milhões de dólares no empreendimento, que consumiu 61.500 m³ de concreto armado. Em 2011, a construção cumpriu sua função. No grande tsunami de 10 anos atrás, o paredão conteve uma onda com 20 metros de altura e permitiu que Fudai saísse da tragédia com danos mínimos.

Entrevistado
Centro de Pesquisa de Tsunami, do Instituto de Pesquisa de Portos e Aeroportos do Japão (via assessoria de imprensa)

Contatos
kikaku@p.mpta.go.jp
www.pari.go.jp

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330

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