Debates buscam agenda futura para a engenharia brasileira

Organismos ligados aos setores de obras procuram sensibilizar o poder público a adotar boas práticas na contratação e execução de projetos

Organismos ligados aos setores de obras procuram sensibilizar o poder público a adotar boas práticas na contratação e execução de projetos

Por: Altair Santos

Os Institutos de Engenharia do Paraná e de São Paulo, junto com o Clube da Engenharia do Rio de Janeiro e a Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (ANEOR), iniciaram uma série de debates que buscam, além de discutir o momento da engenharia brasileira, criar uma agenda futura para o setor. O objetivo é elaborar ações propositivas para a valorização desta área vital para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil.

Presidentes dos institutos de engenharia de São Paulo e do Paraná, Eduardo Lafraia e José Rodolfo de Lacerda, lideram ações propositivas
Presidentes dos institutos de engenharia de São Paulo e do Paraná, Eduardo Lafraia e José Rodolfo de Lacerda, lideram ações propositivas

Também outros organismos, como SindusCons e CREAs, foram convidados para elaborar uma agenda futura, cujos principais pontos estarão em um documento em defesa das boas práticas da engenharia brasileira. Na entrevista a seguir, José Rodolfo de Lacerda, presidente do Instituto de Engenharia do Paraná, antecipa quais tópicos serão abordados no manifesto. Confira:

Lideranças se reuniram recentemente para debater ações propositivas para a valorização da engenharia nacional – área vital para o desenvolvimento socioeconômico do Brasil. Que ações são essas?
1. Dotar o país de infraestrutura para escoamento da produção e circulação ágil de bens e mercadorias em todo o território brasileiro.
2. Criar no país uma mentalidade de uso constante de energias renováveis.
3. Criar mecanismos confiáveis de contratação de serviços e obras.

Haverá novos encontros, a fim de que saia um documento direcionado ao poder público. Atingir a transparência em licitações é um dos objetivos?
Esse documento está em gestação e um dos objetivos é direcioná-lo ao poder público em todas as instâncias – municipal, estadual e federal, bem como aos poderes legislativo e judiciário. Atingir a transparência em licitações é um dos objetivos, mediante indicações de caráter técnico-jurídicas.

Quanto ao envolvimento da construção civil nacional em escândalos de corrupção, até onde vai a “culpa” do poder público?

Reuniões entre organismos representantes da engenharia nacional buscam alertar o poder público
Reuniões entre organismos representantes da engenharia nacional buscam alertar o poder público

Não se deve usar o termo “culpa”, mas responsabilidade. Nisso, o poder público, por ser o grande contratador e por englobar um volumoso número de pessoas que conseguem cargos por indicação política, e não por competência e conhecimento, passou a gerar verdadeiros conluios entre a entidade fiscalizadora e o executor mal-intencionado. Isso resultou na corrupção inevitável.

A operação Lava Jato atingiu muitas empresas ligadas à construção. O que deve mudar a partir dela?
1. Aperfeiçoar os controles de fiscalização.
2. Agilizar os processos contra os maus executores de serviços públicos.
3. Melhorar o nível técnico dos projetos.
4. Aperfeiçoar os regimes de contratação de serviços de projetos e obras.
5. Instituir auditorias em todos os serviços.

Qual o papel de organismos como IEP-PR, Clube de Engenharia, SindusCons e outros nesta mudança conceitual?
Exigir dos organismos estatais que as obras que devem ser executadas para melhorar as condições de mobilidade, produção, transporte e energia só devam ser feitas após estudos de viabilidade, bons projetos-executivos e auditoria constante dos custos financeiros.

O Brasil não consegue ter um plano nacional de infraestrutura. Por que isso ocorre?
Porque a parte técnica fica a reboque dos interesses políticos. Não há interesse por parte do poder público em resolver os grandes problemas nacionais, como saneamento básico, logística, ensino básico, ensino técnico, enfim, o “status quo” é mantido.

Privatizar e atrair empreiteiras internacionais é a saída?
Isto já é uma realidade hoje. Mas não se pode prescindir de tecnologia externa. Não existe país que detenha o conhecimento de tudo e o Brasil não é exceção. Privatizar alguns serviços é salutar, mas com controle e fiscalização eficientes. O poder público é péssimo gestor e a ocorrência de corrupção é consequência.

É contrastante a situação atual da construção civil brasileira com a capacidade técnica da engenharia nacional. Como convergir isso para a retomada do crescimento?
Diria que não há contraste, mas é flagrante que os mecanismos da construção civil no Brasil ainda estão em um patamar abaixo dos níveis internacionais em termos tecnológicos. Agora, a retomada do crescimento é função da gestão política oficial, já que o maior contratador é o Estado.

Há o risco da crise atual fazer a engenharia perder cérebros como ocorreu nos anos 1980 e 1990?
Já está perdendo. É um processo cíclico, assim como a economia e a política.

Entrevistado
Engenheiro civil José Rodolfo de Lacerda, presidente do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP)

Contato
iep@iep.org.br

Crédito Fotos: IEP

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


Massa Cinzenta

Cooperação na forma de informação. Toda semana conteúdos novos para você ficar por dentro do mundo da construção civil.

Veja todos os Conteúdos

Cimento Certo

Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.
Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.

Cimento Portland pozolânico resistente a sulfatos – CP IV-32 RS

Baixo calor de hidratação, bastante utilizado com agregados reativos e tem ótima resistência a meios agressivos.

Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-32

Com diversas possibilidades de aplicações, o Cimento Portland composto com fíler é um dos mais utilizados no Brasil.

Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-40

Desempenho superior em diversas aplicações, com adição de fíler calcário. Disponível somente a granel.

Cimento Portland de alta resistência inicial – CP V-ARI

O Cimento Portland de alta resistência inicial tem alto grau de finura e menor teor de fíler em sua composição.

descubra o cimento certo

Cimento Certo

Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.
Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.

descubra o cimento certo