Invento tenta livrar rodovias e aeroportos da neve

Pesquisa em universidade de Nebrasca, nos EUA, trabalha na criação de um pavimento de concreto que se mantém aquecido em dias frios

Pesquisa em universidade de Nebrasca, nos EUA, trabalha na criação de um pavimento de concreto que se mantém aquecido em dias frios

Por: Altair Santos

O inverno no hemisfério norte é sinônimo de transtornos nas rodovias. Mas as chances dos problemas causados pelas nevascas acabarem são grandes. Pesquisa desenvolvida na Universidade de Nebrasca-Lincoln, nos Estados Unidos, trabalha na criação de um pavimento de concreto que se mantém aquecido em dias frios, impedindo o acúmulo de neve. A receita parece simples: fibras de aço, combinadas com partículas de carbono em concreto normal, para torná-lo eletricamente condutivo.

Pequeno trecho em teste na universidade de Nebrasca-Lincoln mostra eficiência em dia de nevasca
Pequeno trecho em teste na universidade de Nebrasca-Lincoln mostra eficiência em dia de nevasca

Batizado de “concreto de degelo” (de-icing concrete, em inglês) pelo seu inventor, o professor-doutor em estruturas, Chris Tuan, o material é visto como um redutor de acidentes no inverno. “Acredito que esse concreto é ideal para recobrir pontes, cruzamentos e rampas de acesso, que são os pontos onde mais acontecem acidentes em períodos de nevasca”, analisa. Tuan também avalia que sua criação é positiva para o meio ambiente, já que para derreter o gelo das nevascas são usadas toneladas de sal todos os anos.

O custo/m³, ou seja, custo por m³ do “concreto de degelo” é de 300 dólares (cerca de R$ 1.000). No entanto, Chris Tuan avalia que ele pode baixar de preço, conforme seu uso torne-se mais comum e a tecnologia ganhe popularidade. De acordo com o inventor, o processo de aquecimento não é complicado. “As aparas de aço e as fibras de carbono conduzem a energia ao longo das placas. Assim, o concreto é conectado a uma fonte elétrica e a corrente passa a aquecer o material”, explica. Os experimentos evoluem desde 2008 e, finalmente, começam a ser testados.

Teste em aeroportos
Na universidade de Nebrasca-Lincoln há um campo de teste. Também em Nebrasca, uma ponte com 45 metros de extensão foi pavimentada com o “concreto de degelo” e vem apresentando bons resultados. O próximo passo será a pavimentação da pista de um pequeno aeroporto na região central dos Estados Unidos, cujo nome é mantido em sigilo. Se a solução trouxer uma resposta positiva, outros aeroportos e rodovias poderão usufruir da tecnologia.

Christopher Tuan, professor-doutor da Universidade Nebrasca-Lincoln: inventor do concreto aquecido
Christopher Tuan, professor-doutor da Universidade Nebrasca-Lincoln: inventor do concreto aquecido

Segundo Chris Tuan, uma equipe de engenheiros que faz parte do aeroporto de Chicago também esteve visitando a universidade para ver o “concreto de degelo”. “Eles se interessaram pelo pavimento nas áreas de desembarque de cargas e de serviços, como alimentação, lixo e combustíveis. Em dias de nevascas, disseram que essas áreas são as mais prejudicadas, causando muitos atrasos”, revela o professor-doutor. “Isso nos deixa muito otimistas”, completa o pesquisador.

O sucesso destas experiências em aeroportos pode fazer a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos adotar o pavimento com “concreto de degelo” como padrão nos terminais aéreos do país em que o risco de nevascas é mais comum. “Apesar do custo de instalação ainda ser o dobro do concreto normal, estamos falando de questões como segurança e ganhos de logística em um período crítico para algumas regiões: o inverno. Além disso, o material tem se mostrado bastante confiável nos testes já realizados”, conclui o também pesquisador da universidade de Nebrasca-Lincoln, Lin Nguyen, que participa da pesquisa coordenada por Chris Tuan – ambos nascidos em Taiwan.

Veja o “concreto de degelo” em funcionamento

Entrevistado
Engenheiro Ph.D em estruturas, Chris Tuan, professor-doutor do departamento de universidade de Nebrasca-Lincoln

Contato
ctuan1@unl.edu

Crédito Fotos: Divulgação/Unl

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330


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