Industrialização avança na construção e se consolida como diferencial competitivo
Métodos aumentam produtividade, previsibilidade e eficiência diante da escassez de mão de obra qualificada e da pressão por custos e prazos mais controlados
A industrialização da construção civil deixou de ser uma aposta de nicho para se tornar uma estratégia cada vez mais presente nas incorporadoras e construtoras brasileiras. Impulsionada pela falta de mão de obra qualificada, pela necessidade de ganhos de produtividade e pela busca por maior controle financeiro, o movimento aproxima o setor de uma lógica industrial, com processos mais padronizados, previsíveis e eficientes.
Esse avanço ocorre em um momento em que o setor projeta crescimento moderado. Segundo estudo do SindusCon-SP em parceria com o FGV Ibre, é estimado alta de 2,7% no PIB da construção civil em 2026, impulsionado por investimentos públicos e privados, novos modelos de financiamento habitacional e um ciclo consistente de obras de infraestrutura. Nesse cenário, métodos industrializados surgem como resposta direta aos gargalos históricos da atividade.
De acordo com o vice-presidente de Economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, a industrialização da construção vem se consolidando como uma resposta aos principais gargalos do setor. “Diante da dificuldade de contratar mão de obra qualificada, as empresas buscam soluções que reduzam a dependência de trabalho intensivo, aumentem a produtividade e tragam maior previsibilidade aos prazos e custos”, destaca.
Assim, a industrialização e os sistemas pré-moldados ganham espaço no Brasil, alinhados com uma tendência global. Além disso, a industrialização reduz a dependência do canteiro e diminui riscos de atrasos, retrabalhos e impactos climáticos.

Crédito: Envato
Projeto pensado para fabricar e montar
Na base dessa transformação está o DFMA, sigla para Design for Manufacturing and Assembly. Segundo Gustavo Selig, CEO do Grupo Hestia, o conceito redefine a forma como os empreendimentos são concebidos. “Trata-se de uma filosofia que orienta a edificação a ser pensada desde a origem para facilitar sua fabricação e montagem. Na prática, significa projetar sistemas e componentes padronizados, produzidos em ambiente industrial e montados no canteiro de forma rápida e precisa”, afirma.
Dentro desse mesmo movimento de industrialização, os sistemas pré-fabricados seguem a mesma lógica. Elementos como pilares, vigas, lajes e painéis são produzidos fora do canteiro, em fábricas com controle rigoroso de processos e qualidade, e posteriormente transportados para montagem na obra. Já a construção modular representa um nível ainda mais avançado, ao empregar módulos tridimensionais completos, que podem sair da indústria com instalações e acabamentos prontos, sendo conectados no local para formar o edifício com maior rapidez, precisão e previsibilidade.
Ganhos em custo, prazo e sustentabilidade
Entre os principais diferenciais da construção industrializada está a previsibilidade. Ao adotar processos padronizados e repetíveis, os custos e prazos passam a ser definidos com maior precisão. A qualidade também é beneficiada, uma vez que a produção ocorre em ambientes industriais controlados, com menor variabilidade, redução de erros e diminuição significativa de retrabalhos.
Outro fator relevante é a sustentabilidade. A redução do desperdício de materiais no canteiro e o uso mais eficiente de recursos aproximam o setor de práticas alinhadas aos critérios ESG, cada vez mais valorizados por investidores e clientes. “Além disso,há melhorias importantes na segurança do trabalho, pois grande parte das atividades ocorre em fábricas, em condições mais seguras”, acrescenta Selig.
Aceleração de obras

Crédito: Divulgação
A redução de prazos está diretamente associada ao paralelismo das atividades. Enquanto o canteiro executa fundações e infraestrutura, componentes e módulos são produzidos simultaneamente na fábrica. Quando chegam à obra, esses elementos são apenas montados em ritmo mais acelerado, em muitos casos, concentrado em dias ou semanas. “O DFMA garante que o projeto já esteja otimizado para essa montagem, reduzindo ajustes e retrabalhos. No controle de custos, o processo industrial oferece menos desperdício, redução de custos indiretos e maior previsibilidade orçamentária. Mesmo quando o custo inicial parece maior, o custo total do projeto tende a ser mais competitivo”, afirma ele.
Tendência que já se traduz em prática
No Brasil, o uso de pré-fabricados de concreto já se consolidou como prática recorrente em edifícios comerciais, industriais e obras de infraestrutura. A construção modular, por sua vez, avança em segmentos como hotéis, hospitais e empreendimentos residenciais, enquanto grandes incorporadoras passam a adotar cada vez mais os conceitos de DFMA em projetos habitacionais, buscando velocidade de execução, padronização e eficiência.
Com perspectivas positivas para o setor em 2026 e um ambiente cada vez mais exigente em relação à produtividade e ao controle, a industrialização deixa de ser apenas uma tendência e se consolida como um diferencial competitivo para empesas que buscam crescer de forma sustentável na construção civil.
Entrevistados
Eduardo Zaidan é vice-presidente de Economia do SindusCon-SP.
Gustavo Selig é engenheiro civil graduado pela PUC-PR, com Mestrado em Administração de Empresas e Negócios pela FGV-PR. Cofundador e presidente do Grupo Hestia, atua há mais de 30 anos no mercado imobiliário paranaense.
Contato
rmontagnini@sindusconsp.com.br (Assessoria de Imprensa)
gustavo.selig@grupohestia.com.br
Jornalista responsável
Ana Carvalho
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