Impressão 3D em concreto ainda busca nicho de atuação

Professor da USP traça cenário futurista sobre a construção civil, quando mercado incorporar novas tecnologias

Impressão 3D em concreto ainda busca nicho de atuação

Impressão 3D em concreto ainda busca nicho de atuação 1024 577 Cimento Itambé
Vanderlei John no evento da ABECE e da ABPE: segmento de pré- fabricados pode ser o mais beneficiado pelas impressoras 3D. Crédito: Cia. de Cimento Itambé

Vanderlei John no evento da ABECE e da ABPE: segmento de pré-fabricados pode ser o mais beneficiado pelas impressoras 3D. Crédito: Cia. de Cimento Itambé

No XI Congresso Brasileiro de Pontes e Estruturas, realizado dias 16 e 17 de maio em São Paulo-SP, e promovido pela ABECE (Associação Brasileira de Engenharia e Consultoria Estrutural) e pela ABPE (Associação Brasileira de Pontes e Estruturas), o professor da Escola Politécnica da USP, Vanderlei John, palestrou sobre o futuro da impressão 3D em concreto dentro da construção civil. Ele entende que a tecnologia ainda busca seu nicho de atuação, mas está convicto de que o mercado irá absorvê-la. “O que precisamos descobrir é até que ponto, e de que forma, a impressão 3D vai entrar no mercado. Mas que ela vai entrar isso é certo”, diz.

Para Vanderlei John, a impressão 3D não deve se tornar competitiva para a construção de casas e prédios, pois a tecnologia que utiliza fôrmas para viabilizar paredes de concreto é mais rápida e barata. No entanto, ele avalia que o segmento de pré-fabricados pode se beneficiar de impressoras 3D, principalmente para a produção de vigas e lajes. “Para erguer paredes verticais retas já existe uma tecnologia muito eficiente, que se chama fôrma. Acredito que a impressão 3D tende a prosperar em formatos mais específicos, como elementos para pontes e viadutos. Neste caso, as propriedades do concreto podem variar de ponto a ponto. Em áreas de maior esforço, ela imprime com fck maior. Em zonas com menor tensão, fck menor”, avalia.

O professor da USP destaca que no Massachusetts Institute of Technology (MIT) já existe o projeto para a impressão de uma viga de concreto usando algoritmos. “A impressora para esse elemento tem 15 metros de vão, 30 metros de comprimento e 12 metros de altura. Na USP, planejamos montar uma mais modesta, com 100 m 2 de área”, revela. Vanderlei John complementa seu raciocínio dizendo que as impressoras 3D serão úteis não apenas imprimindo elementos em concreto, mas construindo fôrmas que vão gerar concepções estruturais muito diferentes das conhecidas atualmente. “Com as impressoras 3D, a forma não vai se limitar às linhas retas, como definiu Le Corbusier. Talvez os prédios como conhecemos hoje não serão assim no futuro”, prevê.

Impressão 3D trará uma outra linguagem arquitetônica aos projetos

Vanderlei John também crê que a impressão 3D trará uma outra linguagem arquitetônica aos projetos. Porém, em sua opinião, a tecnologia ainda precisa ajustar a questão da robótica, das tintas e dos revestimentos. “Esse será um trabalho para as startups da construção civil , também chamadas de construtechs. Por enquanto, no Brasil, elas têm se dedicado mais aos softwares para impressão 3D do que as impressoras em si. Acho que o Brasil precisa acordar para essa revolução digital. Hoje, para se ter ideia, o país tem 1/3 dos robôs que estão em operação na Argentina. “A indústria está mudando. A construção civil nacional está muito focada em BIM (Building Information Model) mas esse é apenas um pedacinho do que vem por aí, e que vai afetar toda a cadeia produtiva do setor”, alerta.

Entrevistado
Reportagem com base na palestra do professor Vanderlei John, da Escola Politécnica da USP, no XI Congresso Brasileiro de Pontes e Estruturas

Contato
abece@abece.com.br

Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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