Pesquisa produz espelho de alta precisão com concreto
Utilizando cimento Portland, cientistas da Universidade Tecnológica de Delft construíram superfícies com capacidade de reflexão melhor que o vidro
Utilizando cimento Portland, cientistas da Universidade Tecnológica de Delft construíram superfícies com capacidade de reflexão melhor que o vidro
Por: Altair Santos
O processo de industrialização de espelhos para telescópios, radares e até aquele aparelhinho que o dentista usa para verificar a boca do paciente tende a se tornar mais barato. Pesquisadores da Universidade Tecnológica de Delft, na Holanda, avançam nos estudos que transformam concreto em espelho de alta precisão. Utilizando cimento Portland, e outros ligantes, os cientistas conseguiram produzir superfícies superlisas e com capacidade de reflexão melhor que o vidro. A diferença é que o custo para chegar a esse resultado é bem menor que o processo que transforma o vidro em espelho de alta precisão. Chamado de concreto óptico, o novo material começará a ser testado em equipamentos a partir de 2015.

O uso de vidro para a fabricação de espelhos ópticos requer, além de areias especiais, um processo longo de moagem e de polimento. É isso que encarece a sua industrialização. Pesquisando alternativas, os cientistas da UT Delft descobriram que o cimento Portland permite formar superfícies que refletem com precisão. A partir desta constatação, eles aprimoraram o concreto fluído que é colocado dentro de moldes côncavos, a fim de fabricar os primeiros espelhos ópticos. Entre as principais vantagens detectadas pelos pesquisadores, verificou-se que o espelho de alta precisão a partir do concreto tem menor densidade que o vidro, e é mais rígido.
Concretando inovações
Outra descoberta feita na UT Delft é que, no caso de grandes áreas espelhadas, como exigem telescópios e satélites, o concreto óptico permite que a estrutura seja formada por pequenas peças hexagonais, ao contrário do vidro, que necessita de componentes maiores, o que acaba dificultando o transporte. Também se observou que o espelho à base de cimento Portland é altamente eficiente para a construção de painéis para a captação de energia solar. Por dois motivos: redução do custo de produção e capacidade de reter menos calor do que o espelho de vidro e, consequentemente, conseguir transmitir mais energia às baterias.

Depois de testar concreto óptico em laboratório, a UT Delft começa a preparar o produto para que ele possa substituir espelhos côncavos e convexos de alta precisão. Um dos primeiros interessados na invenção é a indústria automobilística, por causa dos espelhos retrovisores dos veículos. A universidade da Holanda, uma das mais tradicionais do mundo em pesquisas relacionadas ao concreto, é pioneira também na descoberta do material que se autorregenera. A capacidade de recuperação se deve a bactérias agregadas ao concreto e que, estimuladas pela luz, recompõem eventuais fissuras. “Nossa universidade acredita nas potencialidades do concreto como elemento capaz de gerar produtos inovadores”, afirma Henk Jonkers, pesquisador da Faculdade de Engenharia Civil e Geociências, Ciências dos Materiais e Construção Sustentável da TU Delft.
Entrevistado
Henk Jonkers, pesquisador da Faculdade de Engenharia Civil e Geociências, Ciências dos Materiais e Construção Sustentável da TU Delft. (por email)
Contatos
hmjonkers@tudelft.nl
www.dcmat.tudelft.nl
Crédito Foto: Todd Mason/GMT Consortium/Carnegie Observatories/Divulgação/ TU Delft
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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