Crescem desafios à indústria de tubos de concreto

Setor experimenta uma de suas melhores fases, mas precisa incrementar tecnologia para ampliar a produção e agregar qualidade.

Setor experimenta uma de suas melhores fases, mas precisa incrementar tecnologia para ampliar a produção e agregar qualidade
Por: Altair Santos

Dados da Associação Brasileira dos Fabricantes de Tubos de Concreto (ABTC) revelam que, após o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o investimento público em saneamento básico fez com que o setor experimentasse crescimento de até 30% no volume de produção. “Houve um  impulso grande até o ano passado (2011) e em 2012 experimentamos uma estabilidade no mercado”, cita Jean Royer, diretor de marketing da ABTC.

Tubos de concreto da Marco Tubos, uma das 20 maiores fabricantes do país.

O Brasil tem atualmente cinco mil fábricas de tubos de concreto catalogadas pela ABTC, onde a maioria é de pequeno e médio porte. Por isso, o setor enfrenta restrições quanto ao aporte de tecnologia e de inovações, além de problemas com a qualificação da mão de obra. “É preciso reconhecer que poucas estão bem industrializadas. Diria que umas 20 podem ser consideradas de grande porte em todo o país. A maioria ainda utiliza equipamentos obsoletos e encontra dificuldades com a mão de obra“, explica Jean Royer.

Para aprimorar o setor de tubos de concreto, a ABNT debruça-se para lançar novas normas e atualizar outras. Em 2007, foi revisada a NBR 8890, com versão corrigida em 2008 (Tubo de concreto de seção circular para águas pluviais e esgotos sanitários – Requisitos e métodos de ensaios). Ainda em 2008, ocorreu o lançamento da NBR 15645 (Execução de obras de esgoto sanitário e drenagem de águas pluviais utilizando-se tubos e aduelas de concreto). “São normas que procuram padronizar a fabricação dos tubos e também a instalação, para que depois de a obra feita o asfalto e a calçada não cedam”, afirma o diretor de marketing da ABTC.

A Associação Brasileira dos Fabricantes de Tubos de Concreto se mobiliza agora  para que haja a normatização do poço de visita, algo que em outros países há décadas já existe. “Aqui no Brasil cada estado usa um modelo de poço de visita. É preciso padronizar, pois isso ajudará a agregar tecnologia ao setor. Fora do país, como na Alemanha e na Espanha, já há máquinas que mecanizam todo esse processo. Mas é preciso normatizar”, explica Jean Royer.

Déficit grande

Tubos da Premocon, de Santa Catarina: empresa defende que investir em saneamento básico é investir em saúde.

Segundo dados do Ministério das Cidades, ainda que tenha crescido o investimento público em saneamento básico, o Brasil injeta menos da metade dos recursos que deveria para zerar o déficit em 20 anos. Hoje são R$ 7 bilhões por ano, quando o valor já deveria estar em R$ 15 bilhões. Para estimular o setor, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) lançou em 2011 o projeto Sanear É Viver. Porém, os fabricantes de tubos de concreto defendem que o saneamento básico seja desmembrado do PAC, como foi o Minha Casa, Minha Vida. “Seria preciso um PAC do saneamento básico. Não há uma cidade no país que não tenha problema nesta área. Os governos precisam entender que o dinheiro gasto em saneamento básico é na prática um investimento em saúde futura”, avalia Fabian Silveira de Moraes, da Premocon, uma das maiores do setor na região sul do país.

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Entrevistados
Jean Royer, diretor de marketing da ABTC, e Fabian Silveira de Moraes, presidente da Premocon
Currículos
– Jean Royer é diretor de marketing da ABTC, diretor-presidente da Marco Tubos e engenheiro industrial.
– Fabian Silveira de Moraes é engenheiro civil e presidente da empresa Premocon Artefatos de Concreto Ltda.
Contatos:  jean@marcotubos.com.br / tubos@marcotubos.com.br / premocon@promocon.com.br
Créditos foto: Divulgação

Jornalista responsável: Altair Santos – MTB 2330


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