Construção modular pode alcançar até 130 bilhões de dólares até 2030

Tecnologia permite redução de desperdício e alta produtividade, com construções em menor tempo e a um menor custo

Na construção modular, o uso de recursos naturais, de matérias-primas e de energia é menor, assim como há uma redução das emissões de gases de efeito estufa.
Crédito: Decorlit

A construção modular pode alcançar até 130 bilhões de dólares até 2030, considerando novos empreendimentos nos mercados dos Estados Unidos e Europa. Isto é o que mostra o relatório “Modular Construction: From projects to products”, publicado pela consultoria McKinsey. Ainda, o documento aponta que isto geraria uma redução de custos de 22 bilhões de dólares.

Exemplos do uso desta tecnologia não faltam. “Atualmente, ela tem crescido rapidamente na Ásia. Em Singapura, por exemplo, foi erguido recentemente o mais alto empreendimento de construção modular do mundo: o Clement Canopy. Trata-se de um projeto habitacional de duas torres com 40 andares e 140 metros de altura”, comenta Íria Doniak, presidente executiva da Abcic – Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto.

Lucas Bonfogo, gerente técnico da Decorlit – Soluções Construtivas, também menciona o uso desta tecnologia na construção de um hotel em Nova York, da rede Marriott, que possui 26 andares. “Eles utilizaram o conceito de simetria para ganho de eficiência e projetaram uma bela arquitetura devido à peculiaridade das estreitas ruas de Manhattan. Além do ganho em tempo, o projeto reduziu em muito as cargas da fundação e o custo estimado da construção, que na alvenaria foi orçado em 100 milhões e este projeto diminuiu 30% do custo, ficando em 70 milhões, contando todos os custos de transporte e instalação”, cita. 

Íria aponta que a construção modular pode ser executada com tipologias distintas, 3D em módulos prontos ou a chamada construção painelizada (com painéis). A 2D é amplamente utilizada na Europa há muitos anos, em especial na Holanda. “São tecnologias já existentes há muitos anos e modernamente chamadas de ‘off site’, pois estão associadas ao conceito de produção em unidades fabris e montagem no canteiro de obras. Sua utilização tem sido catalisada pelas ferramentas da construção 4.0 e pelo uso do BIM”, explica.

Vantagens da construção modular

Na construção modular, é preciso ter um planejamento logístico assertivo para que o transporte e a montagem transcorram de acordo com o previsto.
Crédito: Decorlit

A construção modular é um sistema industrializado e, portanto, tem como benefícios o aumento da produtividade, atendimento de cronogramas ousados, agilidade, diminuição de custos, maior rentabilidade, resultando em empresas mais competitivas e mais eficientes, segundo Íria. 

“Ao realizar a mudança do canteiro de obras para um canteiro de montagem, é possível contar ainda com os benefícios da produção em um ambiente controlado, como qualidade, sustentabilidade, produtividade, eficiência, redução de tempo, melhor aproveitamento dos materiais e um nível próximo a zero de retrabalho”, expõe Íria.

Bonfogo também acrescenta que, com a construção modular, muito do que antes era feito no canteiro de obras sujeito ao sol, chuva e à muitas variáveis, agora ocorre dentro de fábricas e traz um ganho de escala inimaginável ao processo tradicional de construção em alvenaria.

Por fim, uma das principais vantagens é com relação à sustentabilidade. “Ao fabricar na indústria, o uso de recursos naturais, de matérias-primas e de energia é menor, assim como há uma redução das emissões de gases de efeito estufa que são os principais responsáveis pelo aquecimento global, que derivou as mudanças climáticas. Além disso, há a possibilidade do reuso tanto de materiais como de água”, destaca Íria.

Cuidados

Um dos desafios para o uso da construção modular é a logística e transporte. “Por serem produzidos em fábricas, o maior cuidado a se ter seria com o transporte. Existem módulos 2D ou módulos 3D que são como casas totalmente prontas, com acabamento e mobiliário, por exemplo. Então a maior dificuldade é a logística, visto que a estrutura no Brasil em nada ajuda. Portanto, a maior limitação seria quanto ao tamanho para transporte”, alerta Bonfogo.

Outra questão a ser levada em consideração é que o sistema construtivo deve ser definido durante a fase de projeto a fim de que se extraia o máximo potencial de desempenho e funcionalidade, segundo Íria. Além disso, é preciso se atentar ao fato de que os canteiros de obras passam a ser canteiros de montagem. “Assim, um planejamento de montagem é imprescindível incluindo, obrigatoriamente, também um plano de rigging”, destaca Íria.

Construção modular no Brasil

Será que no Brasil esta tecnologia é utilizada com a mesma frequência que no exterior? De acordo com Íria, o módulo pronto 3D foi muito utilizado no Brasil para banheiros prontos e celas de presídios em algumas regiões do país. Era chamado também de monobloco. “Muitos empreendimentos hoteleiros, principalmente em São Paulo, nos anos 2000 adotavam fachada pré-moldada de concreto, os banheiros prontos (módulo 3D), divisão interna em drywall e estrutura convencional. Era um modelo que imprimia velocidade a este tipo de empreendimento, cujo ‘payback’, ou seja, o rápido retorno do investimento, era fundamental”, conta.

Bonfogo, por sua vez, revela que a pandemia deu uma acelerada no conceito que estava pegando tração no Brasil, mas hoje há casos de prédios construídos dessa forma em Santa Catarina e novos projetos saindo em São Paulo. “Há vários hospitais que foram construídos em tempo recorde, além de residências de campo e casas flutuantes que ganharam inclusive prêmio de arquitetura. Também é possível ver muitos usos comerciais de lojas do tipo franquia, mercados autônomos, e ampliação corporativa de escritórios de empresas”, pontua. 

Entrevistados
Íria Doniak é presidente executiva da Abcic (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto).

Lucas Bonfogo é gerente técnico da Decorlit – Soluções Construtivas.

Contatos
ABCIC – abcic@abcic.org.br
Decorlit – comercial@decorlit.com.br

Jornalista responsável
Marina Pastore
DRT 48378/SP



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