Concreto massa avança no controle térmico com mais planejamento
Estudos na fase de projeto e o monitoramento impulsionam avanços técnicos e reforçam a durabilidade
Por muito tempo, o controle térmico do concreto massa foi considerado uma preocupação restrita a grandes volumes e obras de infraestrutura pesada. Contudo, nos últimos anos, esse entendimento vem mudando — especialmente em edificações urbanas, onde blocos de fundação de pequeno e médio porte têm revelado riscos térmicos relevantes quando não analisados adequadamente desde a fase de projeto.
Segundo Bruno Pessoa, doutorando pela Universidade de São Paulo (USP) e engenheiro consultor na Britez Consultoria, o principal avanço observado nos últimos três a cinco anos não está associado a uma tecnologia isolada, mas a uma maior maturidade do mercado em relação ao tema.
“Hoje existe um entendimento mais claro, principalmente nas grandes metrópoles, de que o controle térmico deve começar ainda na fase de projeto, passando pela escolha dos materiais, definição do traço, estudos térmicos computacionais e planejamento executivo da concretagem”, afirma.
Avaliação prévia do risco térmico ganha protagonismo
Um dos pontos que Bruno Pessoa destaca como avanço recente é o desenvolvimento de ferramentas simplificadas para avaliação preliminar do risco térmico, voltadas especialmente a projetistas e engenheiros de obra. A proposta é permitir decisões antecipadas, antes mesmo da execução.

Crédito: Envato
“Apesar do aumento do interesse de construtoras e incorporadoras, ainda existem muitas dúvidas sobre quais elementos devem ser caracterizados como concreto massa. Blocos de fundação de pequeno e médio porte, por exemplo, costumam ser negligenciados”, explica.
Nesse contexto, Bruno é autor de um artigo técnico no qual propõe um diagrama de estimativa expedita do risco térmico em blocos de fundação, permitindo antecipar diretrizes de projeto ou avaliar o risco antes da concretagem — uma abordagem prática que busca preencher uma lacuna recorrente no dia a dia das obras.
Produtos específicos e monitoramento em tempo real
Além da evolução conceitual, o engenheiro observa um movimento crescente das empresas de concretagem no desenvolvimento de soluções específicos para elementos com maior potencial de acúmulo térmico. Soma-se a isso a maior disseminação do uso de sistemas de monitoramento térmico em tempo real, atualmente mais acessíveis e viáveis do que há alguns anos.
De acordo com Bruno Pessoa, esses sistemas permitem acompanhar a evolução da temperatura no interior do elemento estrutural, auxiliando na tomada de decisões durante a cura e reduzindo o risco de fissuração térmica.
Gelo, agregados resfriados ou nitrogênio líquido?
Entre as soluções disponíveis para controle térmico do concreto massa, todas têm como objetivo reduzir a temperatura inicial do concreto, mas apresentam diferenças significativas em eficiência, custo e logística.
O uso de gelo, por meio da substituição parcial da água de amassamento, é a alternativa mais comum no Brasil. Segundo Pessoa, trata-se de uma solução simples, amplamente disponível e de custo relativamente baixo.
“Quando bem controlado, o uso de gelo permite reduções típicas entre 5 e 12 °C na temperatura inicial do concreto. Em contrapartida, exige rigor no controle do teor de água e impacta a operação da central, já que a adição costuma ser manual”, ressalta.
Já o resfriamento de agregados, prática comum em outros países, ainda não é adotado de forma sistemática no Brasil. Medidas como aspersão de água ou sombreamento do agregado graúdo são frequentes, mas têm efeito limitado e normalmente funcionam apenas como complemento ao uso de gelo.
O nitrogênio líquido, por sua vez, é a alternativa com maior potencial de redução térmica, permitindo quedas rápidas e expressivas da temperatura inicial, frequentemente superiores a 20 °C. No entanto, o alto custo, a logística especializada, as exigências de segurança e a baixa disponibilidade restringem seu uso a situações muito específicas, de acordo com Pessoa.
“Na prática, o nitrogênio líquido tem o maior potencial de resfriamento, mas o gelo ainda apresenta o melhor equilíbrio entre eficiência, custo e viabilidade operacional na maioria das obras”, resume.
Experiências com controle térmico
Bruno Pessoa relata experiências em obras onde o controle térmico foi decisivo para o desempenho do concreto, especialmente em blocos de fundação de edifícios. Nessas situações, a limitação da temperatura inicial — associada a planejamento da concretagem e estratégia de cura — resultou em estruturas sem fissuração térmica visível e com temperaturas máximas abaixo de limites críticos, como 65 °C.
Na prática, os maiores problemas não costumam ocorrer em blocos de grandes dimensões.
“Em grandes volumes, o risco térmico geralmente é reconhecido desde o início e há abertura para estudos específicos. Os problemas mais recorrentes aparecem em blocos de menor porte, tratados como elementos convencionais apenas por não terem grandes volumes”, observa.
Ainda persiste no mercado a ideia de que apenas elementos acima de 100 m³ caracterizam concreto massa. No entanto, blocos com altura superior a cerca de 1,0 m, mesmo com volumes menores, já podem desenvolver gradientes térmicos relevantes e atingir temperaturas prejudiciais (acima de 65°C), dependendo do consumo de cimento e do calor de hidratação.
“É justamente nesses elementos que observo com mais frequência problemas de origem térmica, quase sempre associados à ausência de uma avaliação prévia do risco térmico ainda na fase de projeto ou de planejamento da concretagem”, comenta Pessoa.
Controle térmico como estratégia de durabilidade
Mais do que evitar fissuras iniciais, o controle térmico adequado tem impacto direto na durabilidade das estruturas e na redução de manutenção futura.
“Ao limitar a fissuração precoce e controlar a abertura das fissuras, reduz-se a permeabilidade do concreto e a entrada de agentes agressivos ao longo do tempo”, explica Bruno.
Além disso, temperaturas elevadas nas idades iniciais estão associadas ao risco de formação de etringita tardia (DEF) — um mecanismo de degradação que provoca expansões internas, fissuração progressiva e perda de propriedades mecânicas.
“Por isso, vejo o controle térmico não apenas como uma medida para mitigar problemas iniciais, mas como uma estratégia fundamental de desempenho e durabilidade ao longo da vida útil da estrutura”, conclui.
Fonte
Bruno Pessoa é doutorando pela Universidade de São Paulo (USP), Mestre em Engenharia civil (UNICAMP). Atua como engenheiro consultor na Britez Consultoria. Autor e coautor de artigos técnicos indexados e de congresso. Experiência com consultoria em tecnologia do concreto e patologia das construções.
Contato
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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