América Central e Caribe viram eldorado do concreto
Região consome atualmente alguns milhares de m³ do material. Além da expansão do Canal do Panamá, há metrôs, rodovias e hidrelétricas em obras
Região consome atualmente alguns milhares de m³ do material. Além da expansão do Canal do Panamá, há metrôs, rodovias e hidrelétricas em obras
Por: Altair Santos
Além da expansão do Canal do Panamá – obra que, sozinha, está consumindo mais de 1,5 milhão de m³ de concreto -, a América Central e o Caribe reúnem um conjunto de empreendimentos que transformam a região na que mais consome cimento no continente americano atualmente. Honduras, Guatemala, Costa Rica, El Salvador e Nicarágua viabilizam desde linhas de metrô até rodovias, passando por hidrelétricas e construções para melhorar a mobilidade de suas principais cidades. Nestes países também avançam as chamadas carreteras – rodovias para alto tráfego -, boa parte delas construídas com pavimento rígido.

No Brasil, segundo dados da ABCP (Associação Brasileira de Cimento Portland), há 165 mil quilômetros de estradas pavimentadas, dos quais 2% revestidos em concreto. Significa que o pavimento rígido predomina em 3.300 quilômetros no país. Só El Salvador conta atualmente com 6.700 quilômetros de rodovias concretadas. Na Costa Rica, são 7.800 quilômetros. Entre eles, inclui-se a carretera entre Cañas e Libéria, considerada uma das obras rodoviárias mais modernas atualmente em construção.
A estrada recebe quase R$ 600 milhões de investimento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e a opção pelo pavimento rígido se deu quando especialistas em geologia e geotecnia comprovaram, através de um equipamento desenvolvido na Universidade da Costa Rica – o Simulador Pesado de Veículos -, que só o revestimento em concreto suportaria o tráfego pesado de caminhões. O projeto da rodovia prevê que ela só irá precisar de manutenção daqui a 20 anos.
Atraindo investimentos
Em Honduras – um dos países mais pobres da região – existem 700 quilômetros de estradas com pavimento rígido. Na Nicarágua, entre 2007 e 2014, foram construídos mil quilômetros por ano de estradas revestidas pelo concreto, ou seja, atualmente a malha rodoviária mais resistente passa de 7 mil quilômetros. Na Guatemala, o grande empreendimento rodoviário está em obra: é a Red Vial. Trata-se de um grande anel viário com 1.500 quilômetros de extensão, que circunda a Cidade da Guatemala – capital do país. A pista é inovadora, pois utiliza concreto de alta resistência de quase 200 MPa.

Somada a quilometragem de pavimento rígido em todos os 20 países que formam a América Central e o Caribe, ela passa de 42 mil quilômetros. Se depender dos recursos para construir principalmente estradas, esse número tende a aumentar. Pesquisa encomendada pela CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), em conjunto com a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), mostra que cinco países da região têm a preferência dos investidores internacionais, quando o assunto é injetar dinheiro em obras de infraestrutura. São eles: Panamá, Guatemala, Costa Rica, El Salvador e Honduras. No mesmo estudo, que envolve 20 nações latino-americanas, o Brasil aparece na 13ª posição.
Entrevistados
CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) e OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) – (via assessorias de imprensa dos escritórios dos organismos no Brasil)
Contato
oecddirect@oecd.org
Créditos fotos: Divulgação
Jornalista responsável: Altair Santos MTB 2330
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