Concreto ganha espaço nas vias urbanas de Curitiba
Pavimento de concreto amplia competitividade econômica e passa a ser opção também para ruas de menor tráfego
O pavimento de concreto vem ganhando espaço nas ruas de Curitiba, consolidando-se como alternativa ao pavimento asfáltico tradicional. A solução, utilizada há décadas nos corredores de ônibus da capital paranaense, começa a ampliar sua aplicação para vias com diferentes volumes de tráfego. Entre os fatores que impulsionam essa mudança estão a durabilidade, a menor necessidade de manutenção e a crescente competitividade econômica do material.
Segundo Alex Maschio, do Instituto RUAS, a utilização do concreto na cidade não é uma novidade. A Rua Presidente Faria, pavimentada em 1996, e a Avenida Iguaçu são exemplos de aplicações que ajudaram a construir um histórico de utilização da tecnologia no município.
“A ampliação do uso do concreto em Curitiba está ligada à combinação de durabilidade, menor necessidade de manutenção e maior competitividade econômica”, afirma Maschio.
Maschio explica que, historicamente, o concreto era empregado principalmente em corredores de ônibus e vias de tráfego pesado, onde suas características estruturais ofereciam vantagens mais evidentes. Entretanto, a elevação dos custos das misturas asfálticas, especialmente do concreto betuminoso usinado a quente (CBUQ), contribuiu para tornar a pavimentação rígida uma alternativa economicamente atrativa também em ruas de menor movimento.
Concreto ou asfalto: o que pesa na escolha?
Uma das principais diferenças entre os dois sistemas está no comportamento estrutural e na vida útil esperada. Enquanto os pavimentos asfálticos utilizam revestimentos flexíveis, os de concreto contam com placas rígidas que distribuem os esforços provocados pela circulação dos veículos sobre uma área maior do subleito.
Na avaliação de Maschio, a escolha não deve considerar apenas o investimento inicial, mas também os custos acumulados durante toda a vida útil da infraestrutura.
“Em determinadas condições, um pavimento de concreto dimensionado para um período de projeto de 20 anos pode apresentar custo inicial inferior ao de uma alternativa asfáltica”, explica.
Maschio ressalta, entretanto, que essa vantagem depende das características de cada empreendimento, do tráfego previsto e dos critérios de dimensionamento. Para uma comparação adequada, é necessário incluir os gastos com implantação, conservação e futuras intervenções.
Essa mudança na avaliação econômica também abre oportunidades para municípios de menor porte. De acordo com Maschio, o Instituto RUAS já ultrapassou a marca de 1,7 milhão de metros quadrados de projetos de pavimentos de concreto em vias urbanas e estradas rurais de cidades médias e pequenas.
Durabilidade comprovada nas ruas de Curitiba

A experiência acumulada pela capital paranaense oferece indicadores importantes sobre o desempenho do concreto ao longo dos anos. Um estudo apresentado no 53º Congresso Brasileiro do Concreto, em 2011, avaliou oito vias de Curitiba com base em procedimentos do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
A pesquisa, da qual Maschio participou como um dos autores, utilizou o Índice de Condição do Pavimento (ICP), indicador que avalia o estado de conservação da superfície a partir da identificação de defeitos. A escala varia de zero a 100, sendo os valores mais elevados associados às melhores condições.
Todas as oito vias avaliadas receberam índices superiores a 87, alcançando a classificação de excelente. O levantamento também identificou uma necessidade muito pequena de manutenção até o momento da inspeção.
Um dos exemplos mais representativos é a Rua Presidente Faria. O pavimento apresentava 15 anos de utilização quando foi avaliado, em 2011, e obteve ICP de 91,7.
“É uma evidência importante do desempenho da solução em um corredor submetido à circulação de ônibus”, destaca Maschio.
Outras vias também apresentaram resultados expressivos, como a Avenida Afonso Camargo, com ICP de 94,2, e a Avenida Santa Bernadethe, com índice de 95,7.
Para Maschio, esses indicadores demonstram o potencial do concreto para preservar as condições de circulação por períodos prolongados. Entretanto, os resultados históricos não substituem levantamentos atualizados nem análises econômicas específicas para cada projeto.
“A economia efetiva deve ser demonstrada com os custos de implantação, conservação e reabilitação ao longo do período analisado”, ressalta.
Critérios técnicos determinam onde utilizar o concreto
Apesar das vantagens, o pavimento rígido não deve ser adotado indiscriminadamente. Para Maschio, a definição da tecnologia mais adequada depende de uma avaliação técnica das condições de cada via.
Entre os principais fatores estão o volume de tráfego, as cargas transmitidas pelos veículos, as características do solo, as condições de drenagem, a estrutura do pavimento existente e a necessidade de intervenções nas redes subterrâneas de serviços públicos.
Maschio explica que também devem ser considerados o período de projeto, os custos de manutenção e os impactos das obras sobre a mobilidade urbana.
“O objetivo é identificar a solução que ofereça o melhor retorno para os recursos investidos pelo município”, afirma.
No caso de Curitiba, o especialista observa que a maior competitividade econômica do concreto permite ampliar sua avaliação para além dos corredores de transporte coletivo.
Execução e liberação das vias exigem planejamento
Embora a durabilidade seja um dos principais atrativos do concreto, sua implantação exige cuidados específicos, especialmente em áreas urbanas com circulação intensa de veículos e pedestres.
Um dos desafios está no prazo necessário para liberar o pavimento ao tráfego após a concretagem, segundo Maschio. Diferentemente de uma decisão baseada apenas na quantidade de dias transcorridos, a abertura da via deve considerar o desenvolvimento da resistência exigida em projeto.
Maschio explica que a resistência à tração na flexão é um parâmetro importante, pois indica a capacidade do concreto de suportar os esforços que podem provocar danos às placas.
“A liberação ao tráfego deve seguir os requisitos definidos no projeto e ser respaldada pelo controle tecnológico do concreto”, esclarece.
Além da resistência do material, a conclusão dos serviços de drenagem, sinalização e acessibilidade também pode interferir na abertura das vias.
“A execução por etapas pode ajudar a manter parte da circulação, mas exige cuidados com as juntas entre os trechos e com a proteção do concreto durante o endurecimento. O faseamento deve ser planejado para reduzir os transtornos sem comprometer a qualidade do pavimento”, explica.
Segundo Maschio, o planejamento deve contemplar desvios, acessos aos imóveis e comunicação com a população, de modo a minimizar os transtornos temporários.
“A durabilidade esperada do concreto deve se traduzir, ao longo dos anos, em menos intervenções e menos interrupções para quem utiliza a via”, afirma.
Fonte
Alex Maschio é engenheiro civil graduado pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Mestre em Planejamento Urbano pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), pós-graduado em Gestão Pública pela Fundação de Estudos Sociais do Paraná (FESP-PR) e Administração – Planejamento e Gestão de Negócios pela FAE Business School, professor de cursos de pós-graduação nas áreas de infraestrutura, pavimentação e cidades inteligentes, palestrante, fundador e CEO do Instituto Ruas.
Contato
alex@institutoruas.com.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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