67º Congresso Brasileiro do Concreto destaca inovação e sustentabilidade

Evento debateu descarbonização, pavimentos de concreto, inteligência artificial e durabilidade das estruturas.

Sob o tema “Novas Fronteiras Tecnológicas para o Concreto”, o 67º Congresso Brasileiro do Concreto, promovido pelo Instituto Brasileiro do Concreto (IBRACON), reuniu pesquisadores, engenheiros, representantes da indústria e especialistas nacionais e internacionais entre os dias 30 de setembro e 3 de outubro de 2026, em Natal (RN). O encontro abordou os desafios da construção civil diante da necessidade de conciliar inovação, produtividade, sustentabilidade e viabilidade econômica.

A programação incluiu conferências, seminários, apresentações de trabalhos científicos, concursos estudantis e a Feira Brasileira das Construções em Concreto (FEIBRACON). Simultaneamente, foi realizado o 15º Congresso Ibero-Americano de Pavimentos de Concreto, ampliando as discussões sobre soluções para a infraestrutura rodoviária e urbana.

Para Jadna Fuchter, assessora técnica da Cimento Itambé, um dos destaques desta edição foi a aproximação entre pesquisa e aplicação prática. “O congresso reuniu muitos temas voltados à inovação aplicada, mostrando como utilizar materiais, dados, tecnologia digital e novos sistemas para desenvolver estruturas mais eficientes, duráveis, monitoráveis e economicamente viáveis”, avalia.

Entre os assuntos de maior destaque, Jadna aponta os concretos de alto desempenho, o emprego de nanomateriais, fibras e polímeros reforçados com fibras (FRP), além de soluções voltadas à descarbonização. A inteligência artificial, os sensores e os gêmeos digitais aplicados ao monitoramento estrutural também ganharam espaço como inovações no setor.

A especialista destaca, ainda, a importância de uma visão integrada do ciclo de vida das construções, que priorize a prevenção desde as etapas de projeto e execução, com planejamento adequado, especificação de materiais de qualidade e produção de concretos que atendam aos requisitos de desempenho e durabilidade. “A integração entre universidades, indústria e profissionais da engenharia e da construção civil é essencial para transformar avanços científicos em soluções inovadoras e eficientes. Mais do que investir em manutenção e recuperação, é fundamental atuar preventivamente, desde a concepção do projeto, para garantir estruturas duráveis e reduzir a ocorrência de manifestações patológicas ao longo da vida útil”, ressalta Jadna.

Pavimentos de concreto ganham protagonismo

A realização do 15º Congresso Ibero-Americano de Pavimentos de Concreto reforçou a relevância dessa tecnologia para a infraestrutura. Segundo Álvaro Barbosa, coordenador técnico da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (ABESC), o Congresso Brasileiro do Concreto reuniu mais de 1.200 inscritos, enquanto o encontro ibero-americano contou com mais de 300 participantes de 12 países.

O 67º Congresso Brasileiro do Concreto debateu inovações tecnológicas, sustentabilidade e soluções para o futuro da construção civil. Crédito: Pedro Garcia/Ibracon

“O evento reforçou que o Brasil está alinhado às melhores práticas globais de pavimentação rígida”, afirma Barbosa.

Entre os avanços técnicos apresentados, ele destaca o aperfeiçoamento do dimensionamento mecânico-empírico, o uso de macrofibras sintéticas e de aço para controle da fissuração, a otimização da espessura das placas e o desenvolvimento de concretos de menor pegada de carbono, com adições por exemplo defíler calcário e materiais cimentícios complementares.

Um dos diferenciais da programação foi a execução demonstrativa de um pavimento urbano de concreto (PUC) convencional e de uma área com concreto permeável e drenante no próprio espaço do evento.

De acordo com Barbosa, o pavimento convencional utilizou concreto dosado em central, com traços otimizados e aditivos para assegurar trabalhabilidade e estabilidade. Já o sistema drenante empregou concreto poroso, com índice de vazios entre 15% e 25%, permitindo a passagem da água.

“A viabilidade do pavimento drenante depende essencialmente da integração do sistema. Não basta o concreto ser poroso; a sub-base e o subleito precisam ser projetados como reservatórios de acumulação e infiltração de água”, explica.

O especialista ressalta ainda, a importância da manutenção periódica para evitar o entupimento dos poros e preservar a capacidade de drenagem do pavimento.

Descarbonização e eficiência na produção

A redução das emissões de carbono também ganhou espaço nas discussões. Para Barbosa, algumas medidas já podem ser incorporadas às operações das concreteiras, como otimização granulométrica dos agregados, a substituição parcial do clínquer por adições minerais, o uso de aditivos redutores de água mais eficientes e controle efetivo da umidade dos materiais.

Outras soluções, como ligantes alternativos, captura e mineralização de CO₂ durante a mistura e ampliação do uso estrutural de agregados reciclados, ainda dependem de avanços tecnológicos, regulamentação e maior escala comercial.

As sessões científicas e de pôsteres complementaram os debates, com pesquisas sobre durabilidade, recuperação estrutural, economia circular, adições minerais, nanomateriais, dosagem, inteligência artificial e métodos construtivos.

Hidratação controlada e desempenho das argamassas

No Seminário de Argamassas, Luiz Alberto Trevisol, gerente corporativo de Desenvolvimento Técnico da Concrebras, apresentou a palestra “Revestimentos Externos ARV – III: O Papel da Hidratação Controlada no Desempenho das Argamassas”, abordando a importância da formulação dos materiais para garantir estabilidade, aderência e durabilidade dos revestimentos de fachadas.

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Segundo Trevisol, a argamassa de hidratação controlada não deve ser entendida simplesmente como um produto com pega retardada, mas como um sistema projetado para apresentar comportamentos distintos ao longo das etapas de armazenamento, aplicação e endurecimento.

“A argamassa de hidratação controlada não é apenas uma argamassa retardada. É uma matriz projetada para mudar de comportamento no momento certo”, destaca.

O especialista explicou que, nas primeiras 24 horas, o objetivo é preservar a trabalhabilidade, a consistência e a homogeneidade da mistura, controlando a segregação e a exsudação. Após a aplicação, a hidratação deve ser retomada progressivamente para permitir a formação da matriz cimentícia e o desenvolvimento da aderência ao substrato.

Trevisol ressaltou que o desempenho depende da interação entre cimento, cal hidratada, agregados, celulose, microfibras e aditivos químicos. O controle adequado desses componentes permite equilibrar plasticidade, retenção de água, deformabilidade e resistência mecânica.

Outro ponto abordado foi a necessidade de adaptar as formulações às condições climáticas e às manifestações patológicas observadas em cada região. O engenheiro apresentou situações identificadas em Curitiba (PR), Londrina (PR), Cambé (PR) e no litoral catarinense, envolvendo fissuração, retração, perda de aderência, umidade e ação de cloretos.

Em regiões sujeitas a maiores variações térmicas, por exemplo, Trevisol destacou a importância da deformabilidade e do controle da retração. Já em ambientes litorâneos, ressaltou a necessidade de controlar a absorção capilar e assegurar estabilidade dimensional.

A apresentação incluiu resultados de ensaios de caracterização e classificação de argamassas, reforçando a importância da validação técnica das formulações.

“Controlar a hidratação é controlar o sistema”, sintetizou Trevisol, ao defender que o desempenho final depende não apenas dos estabilizadores, mas da compatibilização de todos os componentes da mistura.

Fontes

Jadna Fuchter é assessora técnica da Cimento Itambé. 

Luiz Alberto Trevisol é gerente corporativo de Desenvolvimento Técnico da Concrebras.

Álvaro Barbosa é coordenador técnico da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (ABESC).

Jornalista responsável: 

Marina Pastore – DRT 48378/SP 

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