Construsul 2026 destaca industrialização, digitalização e novas soluções para a construção

27ª edição reuniu expositores, profissionais e especialistas em torno de novas soluções voltadas à produtividade e eficiência

Entre os dias 04 e 07 de agosto, aconteceu em Porto Alegre (RS) a 27ª Construsul – Feira Internacional da Construção

Segundo Paulo Richter, diretor da Construsul, um dos principais destaques desta edição da feira foi o investimento dos expositores na estrutura e apresentação dos estandes, o que contribuiu para tornar a feira mais atrativa. A edição também apresentou novidades em máquinas, ferramentas sem fio e inteligência artificial, com aplicações na execução de projetos e no controle da produção.

“Entre as tecnologias que mais chamaram a atenção está o conceito off-site, que consiste na produção de componentes fora do local onde a construção será realizada. A inteligência artificial também ganhou espaço, especialmente na racionalização e transformação dos processos relacionados a projetos e à produção”, destaca Richter.

Para Richter, sustentabilidade, industrialização e digitalização deixaram de ser tendências passageiras e passaram a fazer parte da transformação estrutural do setor. “Isso aí entrou, veio para racionalizar os projetos, veio para racionalizar os processos construtivos”, afirma.

Construsul 2026 recebeu 35 mil visitantes e gerou R$ 900 milhões em negócios. Crédito: Guilherme Gargioni/Sul Eventos

A percepção de Richter também aparece na avaliação dos expositores. Para Mateus Tiecher, coordenador de vendas do Grupo JR Cimento/JR Pronto, cliente da Cimento Itambé, um dos aspectos observados durante a feira foi a mudança no comportamento dos clientes, que estariam mais interessados em soluções capazes de gerar ganhos reais do que apenas em preço.

“O que mais me chamou atenção foi ver um mercado mais interessado em solução do que simplesmente em preço. Como expositor, isso ficou muito claro para mim. Tivemos conversas muito boas com clientes que queriam entender como ganhar tempo na obra, reduzir desperdício e ter mais segurança no processo”, afirma.

Segundo Tiecher, a experiência deixou uma impressão positiva sobre o momento do setor. “Vi um setor ativo, interessado e, principalmente, aberto a fazer diferente”, declara.

Industrialização ganha espaço

Segundo Richter, a tecnologia já está presente em praticamente todas as etapas da construção, com soluções voltadas à racionalização e à melhoria dos processos. Entre os exemplos estão aditivos e produtos químicos utilizados em concretos e argamassas, capazes de modificar propriedades e contribuir para otimizar determinadas etapas da execução.A principal exceção ainda está nas atividades que dependem diretamente de trabalho manual, como carregar e empilhar tijolos e transportar materiais”, afirma.

Para Tiecher, a industrialização da construção é uma das principais tendências observadas durante a feira. “Tudo aquilo que chega pronto, padronizado e reduz etapas está ganhando espaço”, explica.

Esse movimento aparece, segundo ele, em soluções envolvendo aço, corte e dobra, telas, treliças e peças prontas. “E não é só uma questão de praticidade. Hoje o cliente olha para produtividade, desperdício, mão de obra e prazo”, afirma.

Construsul 2026, realizada em Porto Alegre (RS), reuniu empresas e profissionais para apresentar novas tecnologias e soluções para o setor da construção. Crédito: Guilherme Gargioni/Sul Eventos

O coordenador de vendas também destaca o avanço de tecnologias voltadas à gestão, eficiência e sustentabilidade. Para ele, porém, a principal mudança está na própria forma de enxergar o mercado. “Não basta vender material; precisamos ajudar o cliente a construir melhor.”

Expectativa de negócios

Em relação a movimentação comercial, a organização havia estabelecido uma expectativa inicial de R$ 900 milhões em negócios durante a feira. Ao todo, recebeu 35 mil visitantes. De acordo com Richter, entre os segmentos de maior movimentação estavam máquinas e equipamentos, além da indústria química, com produtos como colas e materiais de PVC.

“Destaco ainda a diversidade do mix da feira, que reúne desde máquinas para venda e locação até equipamentos de menor porte, como tratores compactos”, afirma.

A experiência também foi positiva para o Grupo JR Cimento. A Construsul 2026 marcou a terceira participação da empresa com a JR Pronto. Segundo Tiecher, a companhia levou ao evento sua linha de aço e soluções para a construção, incluindo produtos de corte e dobra, estribos, colunas, estacas, treliças e telas, além de telhas de aluzinco simples e termoacústicas.

“Foram dias muito intensos. Tivemos mais de 25 vendedores atendendo, muitos clientes passando pelo estande, novos contatos, novos negócios e um resultado comercial que nos deixou muito satisfeitos”, relata.

Para o executivo, porém, o principal resultado foi a percepção de um mercado ativo. “O mais importante foi sentir o mercado vivo. Ver cliente querendo conversar, conhecer solução, fazer negócio e olhar para frente traz uma energia muito boa.”

O Grupo JR Cimento/JR Pronto, cliente da Cimento Itambé, participou da Construsul 2026 apresentando seu portfólio de soluções para a construção. Crédito: Divulgação acervo pessoal

Inovação e workshops

A programação também contou com atividades voltadas à inovação e tecnologia na construção. No primeiro dia, foi realizado o ITCOM, Seminário de Inovação e Tecnologia na Construção, com palestras sobre novas tecnologias, produtos e conceitos para o setor.

Além do seminário, a feira contou com uma programação diversificada de workshops promovidos pelas empresas expositoras, com foco na apresentação de lançamentos, tecnologias e novas soluções para o setor. Segundo Richter, estavam previstos cerca de 60 workshops ao longo do evento. A agenda também reuniu encontros organizados por empresas e entidades como ABESC, Mulher em Construção, SISECON, ITT Performance, ANAPRE, ABRAPP, entre outros.

A programação técnica reforçou uma característica importante da feira: além de apresentar produtos e lançamentos, o evento funciona como espaço de troca de conhecimento, relacionamento profissional e discussão sobre os caminhos tecnológicos da construção.  Tiecher afirma que as próprias conversas com clientes e profissionais de diferentes regiões proporcionaram aprendizados sobre o mercado.

“O que ficou para mim é que a construção está evoluindo rápido, mas continua tendo uma base muito simples: quem entende a necessidade do cliente, entrega solução e constrói confiança, continua tendo espaço”, avalia.

Próxima edição

A 28ª Construsul – Feira Internacional da Construção já tem data marcada. O evento será realizado de 3 a 6 de agosto de 2027, novamente no Centro de Exposições da FIERGS, além da 4ª Construsul BC, em Balneário Camboriú (SC), de 1º a 4 de junho de 2027.

Para Tiecher, a participação na edição deste ano reforçou uma perspectiva positiva para o setor. “Saí da Construsul bastante otimista. Tem muita coisa mudando, muita oportunidade surgindo e, para quem estiver disposto a evoluir junto com o mercado, eu acredito que vem muita coisa boa pela frente”, conclui.

Fontes

Paulo Richter é diretor da Construsul.

Mateus Tiecher é coordenador de vendas do Grupo JR Cimento/JR Pronto.

Jornalista responsável: 

Marina Pastore – DRT 48378/SP

Vogg Experience 



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