Construção civil mantém geração de empregos no primeiro semestre, mas juros altos freiam o ritmo de crescimento

Taxa Selic e aumento dos custos continuam como principais entraves para novos investimentos

A construção civil brasileira encerrou o primeiro semestre de 2026 com sinais de resiliência. Mesmo diante de um cenário de juros elevados, inflação persistente e custos de produção acima da média nacional, o setor gerou quase 169 mil novos empregos formais e mantém a projeção de crescimento de 1,2% para o ano. Os dados foram apresentados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) durante a divulgação dos indicadores econômicos do segundo trimestre.

A análise da entidade revela um mercado dividido entre resultados positivos e desafios estruturais. De um lado, o avanço das obras de infraestrutura, das concessões e dos investimentos em saneamento sustenta a atividade e amplia a contratação de trabalhadores. De outro, a permanência da Selic em patamar elevado reduz a confiança dos empresários e limita lançamentos, investimentos e financiamentos.

Segundo a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, o ambiente macroeconômico continua pressionando a construção, embora o setor preserve sua capacidade de gerar empregos. “Nos primeiros seis meses deste ano, a construção civil gerou quase 169 mil novos empregos, o que representa um incremento de 6,5% em relação ao mesmo período do ano passado”, afirmou.

Infraestrutura lidera a criação de vagas

O grande destaque do semestre foi o segmento de infraestrutura

Segmento de infraestrutura foi um dos grandes destaques do primeiro semestre. Crédito: Envato

Das quase 169 mil vagas abertas, cerca de 65 mil vieram de obras de saneamento, rodovias e grandes projetos de concessão, superando pela primeira vez a construção de edifícios em um primeiro semestre desde a criação do novo Caged, em 2020.

Para Ieda Vasconcelos, esse movimento reflete o aumento dos investimentos públicos e, principalmente, privados. “O número de novas vagas na infraestrutura cresceu 30% em relação ao ano passado. As obras de saneamento, as PPPs e as concessões que estão saindo do papel explicam esse dinamismo”, destacou.

O presidente da CBIC, Eduardo Aroeira Almeida, reforçou que o marco legal do saneamento tem papel decisivo nesse desempenho. “O grande responsável pelos investimentos foi o setor privado, com 84% do total. Isso demonstra como o marco legal foi fundamental para que esse segmento continuasse gerando emprego e renda.”

Selic reduz confiança e limita investimentos

Apesar do mercado de trabalho aquecido, os indicadores de confiança mostram um cenário menos favorável. A sondagem realizada pela CBIC em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI) registrou queda na confiança dos empresários, mantendo o índice abaixo dos 50 pontos, patamar que indica falta de confiança.

Eduardo Aroeira relaciona diretamente esse comportamento ao custo do crédito. “A Selic elevada impacta principalmente a produção de edifícios. A atividade continua importante, mas vem perdendo ritmo com o passar do tempo”, afirmou.

O gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo Azevedo, observa que a falta de confiança do empresariado deixou de ser pontual e passou a ser persistente. “Essa falta de confiança tende a refletir nas decisões dos empresários em relação a investimentos, contratações e lançamentos de novos empreendimentos”, avaliou.

Custos seguem acima da inflação

Outro fator que preocupa o setor é o avanço dos custos da construção. Nos últimos 12 meses encerrados em julho, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) acumulou alta de 6,44%, enquanto a inflação oficial ficou em 4,44%. Materiais e equipamentos subiram 6,02%, e a mão de obra registrou aumento de 7,30%.

Entre os insumos com maior elevação aparecem fio de cobre, cimento, concreto, vidro e esquadrias. Para a CBIC, a pressão sobre esses materiais está relacionada ao aumento dos custos energéticos e aos efeitos prolongados dos conflitos internacionais sobre a cadeia de suprimentos.

A situação preocupa especialmente os empreendimentos de habitação popular. “Nossa preocupação é que os contratos do Minha Casa Minha Vida são firmados com preço fixo. Se os custos continuam subindo, os novos contratos deixam de ser atrativos e isso pode reduzir a oferta de moradias para quem mais precisa”, explicou Eduardo Aroeira.

Juventude e perspectivas para 2026

Os indicadores também revelam um dado relevante sobre o perfil da mão de obra. Quase metade das vagas abertas no semestre foi ocupada por jovens entre 18 e 29 anos, contrariando a percepção de que a construção civil perdeu capacidade de atrair novos trabalhadores.

Segundo o presidente da CBIC, o desafio atual não está na entrada desses profissionais, mas na permanência deles no setor. “O problema não é a entrada dos jovens. A realidade mostra que eles estão chegando. O desafio é conseguir retê-los na construção civil”, afirmou.

Para o restante de 2026, a CBIC mantém expectativa de crescimento moderado de 1,2%. A entidade avalia que os investimentos recordes em infraestrutura, os lançamentos imobiliários realizados nos últimos dois anos e o mercado de trabalho aquecido devem compensar, ao menos parcialmente, os efeitos negativos da taxa de juros elevada, do endividamento das famílias e da dificuldade de contratação de mão de obra qualificada.

Fonte

Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC)

Contato

imprensa@cbic.org.br (Assessoria de Imprensa)

Jornalista responsável

Ana Carvalho

Vogg Experience



Massa Cinzenta

Cooperação na forma de informação. Toda semana conteúdos novos para você ficar por dentro do mundo da construção civil.

Veja todos os Conteúdos

Cimento Certo

Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.
Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.

Cimento Portland pozolânico resistente a sulfatos – CP IV-32 RS

Baixo calor de hidratação, bastante utilizado com agregados reativos e tem ótima resistência a meios agressivos.

Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-32

Com diversas possibilidades de aplicações, o Cimento Portland composto com fíler é um dos mais utilizados no Brasil.

Cimento Portland composto com fíler – CP II-F-40

Desempenho superior em diversas aplicações, com adição de fíler calcário. Disponível somente a granel.

Cimento Portland de alta resistência inicial – CP V-ARI

O Cimento Portland de alta resistência inicial tem alto grau de finura e menor teor de fíler em sua composição.

descubra o cimento certo

Cimento Certo

Conheça os 4 tipos de cimento Itambé e a melhor indicação de uso para argamassa e concreto.
Use nosso aplicativo para comparar e escolher o cimento certo para sua obra ou produto.

descubra o cimento certo