Sistemas prediais evoluem com IA, novas normas e soluções sustentáveis
Especialistas discutiram os desafios do setor e apresentaram caminhos para projetos mais eficientes
A transformação dos sistemas prediais passa por um novo momento, impulsionado por tecnologias digitais, mudanças climáticas, industrialização da construção e novas exigências de desempenho. Esses foram alguns dos temas debatidos durante o 22º Seminário Tecnologia Sistemas Prediais, promovido pelo Comitê de Tecnologia e Qualidade (CTQ) do SindusCon-SP, que reuniu especialistas para apresentar tendências e soluções que devem impactar os próximos anos da construção civil.
Projetos mais complexos exigem novas ferramentas
A abertura da programação técnica ficou por conta de Fabiana Rewald, diretora da Rewald Engenharia, que apresentou um panorama das mudanças enfrentadas pelos projetistas de sistemas prediais.
Segundo a engenheira, o crescimento de empreendimentos de uso misto e de habitação de interesse social aumentou significativamente a complexidade dos projetos, especialmente devido ao maior número de interferências entre sistemas elétricos e hidráulicos. Ao mesmo tempo, o mercado exige um número crescente de plantas personalizadas, reduzindo as possibilidades de padronização e tornando o processo de projeto mais desafiador.
Outro cenário apontado é a redução dos prazos para desenvolvimento dos projetos, enquanto muitas obras passam a ser executadas antes mesmo da conclusão dos projetos executivos. A escassez de profissionais qualificados e a necessidade de novos modelos de gestão também fazem parte dessa realidade.
Como resposta a esse contexto, escritórios de engenharia têm ampliado o uso de plataformas digitais integradas, ferramentas colaborativas e recursos de Inteligência Artificial (IA) para automatizar tarefas, melhorar a comunicação entre equipes e reduzir o tempo de desenvolvimento dos projetos. Fabiana também destacou a importância da evolução do BIM e da atuação conjunta entre entidades como Abrasip, SindusCon-SP e Secovi-SP na atualização de normas técnicas e no relacionamento com concessionárias e órgãos públicos.
Durante o debate, o coordenador do Grupo de Projetos do CTQ, Maurício Linn Bianchi, levantou a discussão sobre as responsabilidades técnicas nos empreendimentos. Para Fabiana, é fundamental que projetistas, consultores, construtores e incorporadores tenham atribuições e escopos claramente definidos desde o início do processo.

Norma de águas pluviais será modernizada
Outro tema que chamou atenção foi a revisão da ABNT NBR 10844, responsável pelos critérios de projeto das instalações prediais de águas pluviais.
O diretor da SFGnipper Engenharia, Sérgio Frederico Gnipper, explicou que a norma atualmente em vigor foi publicada em 1989 e deriva de documentos técnicos elaborados ainda nas décadas de 1970 e 1980. Desde então, novas tecnologias, materiais e métodos construtivos transformaram o setor, tornando necessária uma atualização profunda.
A proposta prevê dividir a norma em três partes e incorporar critérios compatíveis com a realidade climática atual, marcada por eventos extremos e chuvas cada vez mais intensas. A revisão também pretende oferecer maior flexibilidade técnica aos projetistas, priorizando critérios de desempenho em vez de soluções exclusivamente prescritivas.
Entre as novidades estão novos parâmetros para dimensionamento de calhas com descarga livre ou restrita, além de requisitos voltados à salubridade das instalações, incluindo medidas para evitar odores e evitar o acúmulo de água que favoreça a proliferação de mosquitos em caixas de areia.
Gnipper informou ainda que será criada uma Comissão de Estudos da ABNT para conduzir oficialmente a revisão da norma.
Drenagem mais eficiente e reaproveitamento da água
As soluções para drenagem urbana também ganharam espaço no seminário.
André Santos do Nascimento, coordenador técnico de Resiliência Climática Urbana da Amanco Wavin, apresentou o QuickStream, sistema desenvolvido para otimizar a captação e condução das águas pluviais. Segundo ele, a tecnologia permite maior eficiência hidráulica, reduz a necessidade de infraestrutura convencional e simplifica a instalação, contribuindo para diminuir prazos de obra.
Na sequência, Vinicius Lino de Oliveira, engenheiro de Aplicação da Amanco Wavin, apresentou o AquaCell, sistema modular voltado à retenção temporária e ao reuso das águas pluviais. Além de atender às normas técnicas, a solução contribui para estratégias de sustentabilidade e pode auxiliar empreendimentos na obtenção de benefícios previstos em programas municipais, como o IPTU Verde.
Pressurização direta ganha espaço nos empreendimentos
Outra tendência apresentada foi a expansão dos sistemas de pressurização direta para abastecimento de água.
Durante sua palestra, Jerry Silva, gerente de Vendas da Wilo Brasil, mostrou como essa tecnologia vem sendo adotada como alternativa aos modelos tradicionais baseados em reservatórios superiores.
Segundo ele, a eliminação dos reservatórios libera espaço nas coberturas, reduz o consumo de alguns materiais de construção como o aço, simplifica a infraestrutura hidráulica e diminui os custos de implantação. A solução também acelera a execução das obras e proporciona maior flexibilidade arquitetônica.
A operação dos equipamentos é acompanhada por sistemas inteligentes de monitoramento, apoiados por Inteligência Artificial, que permitem manutenção preditiva e maior confiabilidade operacional. Para os usuários, os benefícios incluem pressão constante da água, redução de ruídos e maior conforto. Em situações de falta de energia, o funcionamento é mantido por geradores.
Casos de empreendimentos implantados em diferentes estados brasileiros demonstraram os ganhos de eficiência obtidos com essa tecnologia.
Segurança também depende da qualidade dos materiais
Além das inovações em sistemas prediais, o seminário abordou a importância da conformidade dos materiais utilizados nas instalações elétricas.
Ênio Rodrigues, diretor executivo do Sindicel, alertou para os riscos associados ao uso de fios e cabos elétricos irregulares e apresentou as ações desenvolvidas pela entidade para combater a fabricação e comercialização de produtos fora das especificações técnicas.
Segundo Rodrigues, a presença do selo do Inmetro não garante, isoladamente, a conformidade do produto, tornando essencial a verificação da procedência dos materiais utilizados em obras.
Como apoio ao mercado, o Sindicel mantém em seu portal uma relação atualizada de fabricantes regularizados de fios, cabos, tomadas e extensões, oferecendo uma ferramenta de consulta para construtoras, projetistas e consumidores.
Fontes
Fabiana Rewald é diretora da Rewald Engenharia.
Maurício Linn Bianchi é coordenador do Grupo de Projetos do CTQ do SindusCon-SP.
Sérgio Frederico Gnipper é diretor da SFGnipper Engenharia.
André Santos do Nascimento é coordenador técnico de Resiliência Climática Urbana da Amanco Wavin.
Vinicius Lino de Oliveira é engenheiro de Aplicação da Amanco Wavin.
Jerry Silva é gerente de Vendas da Wilo Brasil.
Ênio Rodrigues é diretor executivo do Sindicel.
Contato
Assessoria de imprensa SindusCon-SP: rmontagnini@sindusconsp.com.br
Jornalista responsável:
Marina Pastore – DRT 48378/SP
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